| # | Espécie | Hospedeiro Natural | Completa Ciclo no Humano? | Doença no Humano | Gênero |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Necator americanus ⭐ | Ser Humano | ✅ SIM — Antroponose | Ancilostomíase (Amarelão) — Anemia ferropriva | Necator |
| 2 | Ancylostoma duodenale ⭐ | Ser Humano | ✅ SIM — Antroponose | Ancilostomíase (Amarelão) — Anemia ferropriva | Ancylostoma |
| 3 | Ancylostoma braziliense | Cães e Gatos | ❌ NÃO — Não ultrapassa lâmina basal | Larva Migrans Cutânea (principal causador) — "Bicho Geográfico" | Ancylostoma |
| 4 | Ancylostoma caninum | Cães (e gatos) | ❌/Parcial — Morre logo no intestino | LMC (menos frequente) + Gastroenterite Eosinofílica Transitória | Ancylostoma |
| 5 | Ancylostoma ceylanicum | Cães, Gatos e Humanos (Ásia/Oceania) | ✅ SIM — Zoonose com ciclo completo | Ancilostomíase (zoonose clássica) — 2º mais prevalente em certas regiões da Ásia | Ancylostoma |
A família Ancylostomatidae agrupa 2 gêneros:
Lâminas/placas cortantes semicirculares (meia-lua). Não têm dentes propriamente ditos.
Apêndices quitinosos em forma de dentes pontiagudos.
A. duodenale: 4 dentes (2 pares) | A. caninum: 3 pares | A. braziliense: 2 pares (1 grande + 1 rudimentar)
Melhor saneamento: Campinas/SP | Pior: Região Norte
Cadeia: esgoto não tratado → contamina solo/água → irriga alimentos → transmissão
| Parasito | Tamanho | Alimentação |
|---|---|---|
| Ascaris | 7–40 cm | Conteúdo intestinal |
| Ancilostomídeos | ~1,5 cm | 🩸 Sangue |
Boca grande com estruturas cortantes de quitina (carboidrato, não tecido calcificado).
| Gênero/Espécie | Estrutura Oral |
|---|---|
| Necator | 🌙 Lâminas em MEIA-LUA (placas cortantes semicirculares) |
| Ancylostoma | 🦷 Estruturas PONTIAGUDAS (dentes quitinosos) |
| A. duodenale | 4 dentes (2 pares) na margem |
| A. braziliense | 2 pares (1 externo grande + 1 interno rudimentar) |
| A. caninum | 3 pares de dentes |
Armazena ovos antes de eliminá-los. Extremidades sem grande diferenciação morfológica externa.
Expansão na extremidade posterior com prolongamentos ("raios") cobertos por membrana. Segura a fêmea durante a cópula. Hookworm = "verme gancho" — nome vem da extremidade anterior recurvada dorsalmente, não da bolsa!
| Característica | Necator americanus | Ancylostoma duodenale |
|---|---|---|
| Tamanho | Menor | Maior |
| Tempo de vida | Maior — até 8-18 anos! | Menor — 1-3 anos |
| Consumo sangue/dia/verme | 0,01–0,04 mL (menor) | 0,15–0,30 mL (muito maior!) |
| Produção de ovos/dia | 5.000–10.000 | 10.000–20.000 |
| Prevalência no Brasil | ~80% | ~20% |
| Clima preferencial | Mais quente | Menos quente |
| Estrutura oral | Lâminas em meia-lua | 4 estruturas pontiagudas |
| Via de transmissão | Cutânea (sempre passa pelo pulmão) | Cutânea OU oral (sem pulmão se oral!) |
| Característica | Ovo de Ascaris | Ovo de Ancilostomídeo |
|---|---|---|
| Parede/Casca | Grossa, irregular, mamilonações | FINA, LISA, transparente |
| Aderência | Aderente (pega pigmentos fecais) | NÃO ADERENTE |
| Coloração nas fezes | Escuro/castanho | TRANSPARENTE |
| Tamanho | 45–75 µm | ~40 x 60 µm |
| Conteúdo ao sair | 1 célula (totalmente inativa) | EMBRIÃO (2-8 blastômeros) — já em divisão! |
| Peso relativo | Pesado → sedimenta bem (Hoffman) | Leve → flutua bem (Willis) ⭐ |
Desenvolvimento mais rápido:
Ascaris sai como 1 célula → demora mais no ambiente
Ancilostomídeo já tem embrião → eclosão em ~1 dia!
⚠️ Armadilha laboratorial:
Amostra com >24-48h → pode ter LARVAS formadas dentro do ovo (ou livres). NÃO é outro parasito! É o mesmo ancilostomídeo em desenvolvimento.
Diferenciação das larvas: vestíbulo bucal longo (ancilostomídeo) vs. curto (Strongyloides stercoralis)
Ovos idênticos entre as espécies:
Necator e Ancylostoma têm ovos morfologicamente indistinguíveis. Laudo vem como "Ancilostomídeo" (família). Para diferenciar: coprocultura (Harada-Mori) com análise das larvas L3.
Contato da pele com solo contaminado
Ativação do parasito + liberação de enzimas (colagenases, hialuronidase)
Perda da bainha → agora consegue penetrar ativamente (~30 min de processo)
Larvas L3 ingeridas → resistem ao estômago → intestino direto → penetra mucosa → muda para L4 nas criptas → luz intestinal → adulto.
SEM passagem pulmonar! → sem sintomas respiratórios.
Infecção estritamente cutânea. SEMPRE passa pelo pulmão, independente de qualquer coisa.
A. duodenale também transmite por via lactogênica (leite materno) e possivelmente transplacentária.
| Etapa | Tempo |
|---|---|
| Ovo → eclosão (L1) | ~1 dia (no solo) |
| L1 → L3 infectante | 7–10 dias (1 semana) |
| L3 sobrevive no solo | Até 6 semanas |
| Penetração cutânea | ~30 minutos |
| Tempo de vida adulto (média) | ~3 anos |
| Necator — máximo | Até 18 anos! |
| Aspecto | Ascaris | Ancilostomídeo |
|---|---|---|
| Mudas no pulmão | Várias | 1 muda só (L3→L4) |
| Tamanho da larva | >1.000 µm | 500–700 µm |
| Síndrome de Löffler | Frequente e intensa | Menos frequente e mais branda |
| Via oral altera? | Não (sempre pulmão) | Sim! A. duodenale oral = sem pulmão |
Via enzimas (hialuronidase dissolve ácido hialurônico entre queratinócitos)
Enzimas do parasito não conseguem quebrar moléculas específicas da lâmina basal humana → fica presa entre epiderme e derme
Dejetos + bactérias do solo + destruição tecidual → prurido INTENSO. O trajeto visível é a REAÇÃO onde a larva JÁ PASSOU.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Início dos sintomas | 2–15 dias após contato (até 7 meses!) |
| Duração sem tratamento | Semanas a meses — pode ultrapassar 1 ano |
| Principal causador | A. braziliense (principal) + A. caninum |
| Localizações mais freq. | Pés, pernas, mãos, nádegas (crianças: qualquer local) |
| Complicação | Infecção bacteriana secundária (coçar + romper epiderme) |
Mesma patogenia do Ascaris: organismo estranho perfura capilar → entra no alvéolo → resposta eosinofílica. Porém menos frequente e menos intensa (1 muda apenas, larvas menores).
⚡ Por que menos intenso que Ascaris?
Ao chegar no intestino delgado, o parasito imediatamente:
Estruturas cortantes se fixam na parede → sem isso o peristaltismo expulsaria
L4 já começa antes de virar adulto. Processo 24h/dia.
Inibe fator Xa + complexo FVIIa/fator tecidual + ativação plaquetária → sangue flui sem coagular
Abandona uma área → áreas abandonadas CONTINUAM sangrando (efeito residual dos anticoagulantes) → DESPERDÍCIO DE SANGUE
Aguda: dor abdominal, náusea, vômito, diarreia, cólicas — dura pouco! O parasito logo modula a inflamação.
Crônica: anemia progressiva. A imunomodulação torna a infecção quase assintomática (exceto pela anemia).
Induz células T reguladoras (Treg), macrófagos M2, produção de IL-10 e TGF-β
Suprime citocinas pró-inflamatórias (IFN-γ, IL-5, IL-3). Reduz eosinofilia periférica crônica.
Hospedeiro assintomático → não busca tratamento → parasito persiste anos.
Pacientes com celíaca (atrofia de vilosidades pelo glúten) → infecção experimental com N. americanus (20 larvas L3) → reintrodução do glúten.
Resultado: parede intestinal não inflamou mais significativamente! Vilosidades preservadas!
(não reverteu completamente a doença, mas reduziu drasticamente os sintomas)
| Característica | Mecanismo |
|---|---|
| Hipocrômica | Pouca Hb → menos pigmento para reagir com corante → hemácia mais clara |
| Microcítica | Pouca Hb → menor volume interno → hemácia menor |
| Hb baixa | Cada Hb precisa de 4 átomos de ferro; sem ferro = sem Hb |
| Ferro baixo | Perda crônica por hematofagismo + desperdício por anticoagulantes |
O parasito vive 3 anos. Dá tempo. Com reinfecções, o ferro nunca se recupera.
⚠️ PROVA: Eosinófilos podem estar NORMAIS na fase crônica (imunomodulação)! NÃO descartar ancilostomíase por eosinófilos normais. Na fase aguda (migração larvária), a eosinofilia está alta.
| Fonte | Biodisponibilidade |
|---|---|
| Carne vermelha (ferro heme) | Até 35% — MELHOR |
| Vegetais (ferro não-heme) | Muito baixa — ligado a fibras |
| Vitamina C associada | Aumenta absorção do ferro não-heme |
| Técnica | Princípio | Ancilostomídeo |
|---|---|---|
| Hoffman (Sedimentação) | Ovos decantam por gravidade | ⬇️ Menor sensibilidade (ovos leves) |
| Willis (Flutuação) | Solução saturada NaCl → ovos boiam | ⬆️ IDEAL para ancilostomídeos! ⭐ |
| Faust (Centrif.-flutuação) | Sulfato de zinco + centrif. | Boa (melhor para protozoários) |
🎯 Usar quando: EPF + positivo para ancilostomídeo + anemia → confirmar se a carga parasitária EXPLICA a anemia
| Cenário Clínico | Técnica Indicada | Justificativa |
|---|---|---|
| Exame de rotina, sem suspeita específica | Sedimentação (Hoffman) — EPF geral | Boa para maioria dos parasitos; Ascaris (mais prevalente) sedimenta bem |
| Suspeita de ancilostomíase (zona rural, anemia) | FLUTUAÇÃO (Willis) — orientar o laboratório! | Ovos leves → maior sensibilidade. Solicitar expressamente: "EPF por flutuação / suspeita ancilostomíase" |
| EPF positivo + anemia grave — parasito explica a anemia? | Kato-Katz (quantitativo) | Estima carga parasitária → confirma ou descarta como causa da anemia. Cuidado: pode ter outra causa (úlcera, câncer)! |
| Identificar espécie (Necator vs. A. duodenale) | Coprocultura (Harada-Mori) | Cultiva fezes → obtém larvas L3 → analise morfológica. Ovos são indistinguíveis. |
| Exame de cura pós-tratamento | 3 amostras seriadas (dias alternados) — 15-20 dias após | Um exame negativo não é conclusivo. Seriado aumenta sensibilidade. |
| Esquema | Descrição | Indicação |
|---|---|---|
| Padrão | Albendazol 400 mg — dose única | Primeira linha |
| Dose aumentada | Albendazol 400 mg × 2 comprimidos (dose única) | Para melhorar eficácia |
| Prolongado | Albendazol 400 mg/dia × 3 dias | Cargas moderadas/altas |
| Repetição | Nova dose 15–21 dias depois | Para larvas em trânsito durante o 1º tratamento |
| Exame de cura | 3 amostras seriadas — 15-20 dias após | Confirmar eliminação |
O tratamento para Ascaris (mebendazol dose única) pode NÃO eliminar o ancilostomídeo. Necessário ajustar o esquema → priorizar albendazol em dose maior/prolongada. Tratamento de massa genérico ("remédio de verme a cada 6 meses") não é ineficaz para saúde pública (reduz carga parasitária da comunidade), mas clinicamente o tratamento individual precisa ser adequado à espécie.
| Característica | Larva Migrans VISCERAL (LMV) | Larva Migrans CUTÂNEA (LMC) |
|---|---|---|
| Principal Parasito | Toxocara canis / T. cati (ascarídeos) | Ancylostoma braziliense (principal) + A. caninum |
| Via de Transmissão | ORAL (ingestão de ovos) — passiva | CUTÂNEA (penetração pela pele) — ativa |
| Localização da Larva | Vísceras: fígado, pulmão, olho, SNC | PELE (epiderme/derme) |
| Por que fica na localização? | Ovo ingerido → larva eclode no TGI → não ultrapassa fase larval em humano → migra pelas vísceras | L3 penetra pele → não ultrapassa lâmina basal → fica migrando na pele |
| Diagnóstico | Laboratorial (sorologia ELISA para Toxocara, imagem — eco, TC, RNM) | CLÍNICO (trajeto serpiginoso + história de contato com solo) |
| Eosinofilia | Intensa, elevada (sem imunomodulação) | Variável — pode estar normal por imunomodulação! |
| Duração sem tratamento | Meses a anos | Semanas a meses (pode ultrapassar 1 ano) |
| Tratamento | Albendazol sistêmico (+ corticoide se ocular/SNC) | Tópico (tiabendazol) ou oral (ivermectina/albendazol) |
| Grupo taxonômico | Família Ascarididae | Família Ancylostomatidae |
| Determinante do tipo de LM | É a ESPÉCIE do parasito que determina, não apenas a via de entrada! Cada parasito tem tropismo específico. | |
| Aspecto | ASCARIDÍASE | ANCILOSTOMÍASE |
|---|---|---|
| Parasito Principal | Ascaris lumbricoides | N. americanus (80%) + A. duodenale (20%) |
| Tamanho do adulto | 7–40 cm | ~1,5 cm |
| Alimentação | Conteúdo intestinal (não hematófago) | 🩸 SANGUE (hematófago) |
| Localização adulto | Intestino delgado | Intestino delgado |
| Prevalência BR | Maior (~6% escolares) | ~Metade da Ascaris (~3% escolares) |
| Habitat predominante | Zona rural + periferia urbana | Essencialmente zona rural |
| Ovo — casca | Grossa, irregular, aderente, escura | Fina, lisa, NÃO aderente, TRANSPARENTE |
| Ovo — conteúdo ao sair | 1 célula (totalmente inativa) | EMBRIÃO (2–8 blastômeros — mais rápido!) |
| Ovo — peso | Pesado → sedimenta (Hoffman) | LEVE → flutua (Willis) ⭐ |
| Transmissão | Passiva (ingestão de ovos) | ATIVA (L3 penetra pela pele — enzimas) + oral (A. duodenale) |
| Fase pulmonar (Löffler) | Frequente e intensa (muitas mudas) | MENOS frequente e branda (1 muda, larvas menores) |
| Assintomáticos | 80–90% | Menos (mais morbidade — anemia) |
| Patologia principal | Obstrução intestinal, desnutrição | ANEMIA FERROPRIVA microcítica hipocrômica |
| Produção de ovos/dia | ~200.000 ovos | ~5.000–20.000 ovos (por espécie) |
| Tempo de vida adulto | ~2 anos | ~3 anos (Necator até 18 anos!) |
| Imunomodulação | Não significativa | SIM — eosinófilos podem estar normais! |
| Tratamento de escolha | Albendazol OU mebendazol (dose única) | ALBENDAZOL (72% vs. mebendazol 15%!) + repor ferro |
| Profilaxia diferencial | Higiene de alimentos, lavagem das mãos | USO DE CALÇADOS (via cutânea) |
| Exame diagnóstico ideal | Sedimentação (Hoffman) | FLUTUAÇÃO (Willis) ⭐ |