Trematoda — Schistosoma mansoni
Aula 6 • Parasitologia Médica • UERN 2026.1 • 13 mar 2026
Ciclo Biológico Formas Larvais Patogenia Diagnóstico
🔬 Morfologia — Dimorfismo Sexual
♂
MACHO
Comprimento: ~0,6–1,0 cm
Corpo: Mais largo, dobrado longitudinalmente formando o canal ginecóforo
Tegumento: Irregular, espiculado, com tubérculos — múltiplas camadas (heptalaminar)
Ventosas: 2 (oral + acetábulo ventral) — mais desenvolvidas
Evasão imune: Adsorve antígenos do hospedeiro (mimetismo), shedding tegumentar rápido
Função: Transporte do casal contra fluxo venoso, maturação da fêmea via hormônios
♀
FÊMEA
Comprimento: ~1,2–2,0 cm (maior que o macho)
Corpo: Cilíndrico, alojada no canal ginecóforo do macho
Tegumento: Liso, mais fino
Ventosas: 2 (oral + acetábulo)
Reprodução: ~300 ovos/dia — ovário, oviduto, oótipo, glândulas vitelinas
Dependência: Precisa do macho para maturar — fêmeas isoladas permanecem imaturas
Canal Ginecóforo
  • Calha ventral formada pelo dobramento longitudinal do macho após o acetábulo
  • Fêmea fica permanentemente alojada — cria ilusão de “parasito com duas cabeças”
  • Função reprodutiva: cópula contínua
  • Função de transporte: macho carrega o casal contra o fluxo venoso
  • Função endócrina: macho secreta substâncias que mantêm a maturação do aparelho reprodutor da fêmea
Ventosas & Fixação
  • Ventosa oral: extremidade anterior, fixação + entrada do tubo digestório incompleto
  • Acetábulo (ventosa ventral): função exclusiva de fixação — sem comunicação com o trato digestivo
  • Esôfago se bifurca na altura do acetábulo → 2 ramos intestinais → fundem-se em ceco único em fundo cego
  • Trematoda = “corpo com furos” (ventosas)
Evasão Imune Tegumentar
  • Mimetismo antigênico: adsorve moléculas e antígenos do hospedeiro na superfície
  • Shedding: renovação rápida da membrana quando sofre ataque do complemento
  • Tegumento heptalaminar: espesso, múltiplas camadas, refratário
  • Fatores imunorreguladores: clivam imunoglobulinas, inibem linfócitos e mastócitos
  • Longevidade: média 5–7 anos, até 30 anos!
🥚 Ovo com Espícula Lateral
MIRACÍDIO
Tamanho: ~114–180 × 45–70 µm (~3× maior que ovos de outros helmintos)
Parede: Rígida porém microporosa — permite excreção contínua de antígenos (SEA)
Espícula: Lateral, na porção mais larga — característica diagnóstica fundamental
Conteúdo: Miracídio formado (6–7 dias de maturação nos tecidos)
Viabilidade fecal: 1–5 dias no ambiente externo
Eclosão: Contato com água doce + luz intensa + temperatura >10°C
Maturação do Ovo
  • Fêmeas depositam ovos imaturos no endotélio vascular
  • Requerem 6–7 dias retidos na submucosa intestinal para desenvolver o miracídio
  • Ovos nas fezes já estão invariavelmente maduros
  • Excretam SEA (Soluble Egg Antigens) contínuamente através dos poros
  • SEA: desencadeia resposta granulomatosa + facilita travessia intestinal
Tamanho Comparativo
ParasitoTamanho ovo
Ascaris lumbricoides~50–60 µm
Trichuris trichiura~50 µm
Enterobius vermicularis~55 µm
Schistosoma mansoni~150 µm (3×)
Atenção: Apesar do tamanho grande facilitar a visualização, a fêmea produz apenas ~300 ovos/dia (vs. 200.000 do Ascaris). Baixa sensibilidade em infecções leves → múltiplas amostras necessárias.
🔄 Ciclo Biológico Completo
🧑 Humano infectado (HD) Adultos no sistema porta → ~300 ovos/dia
↓
~1/3 dos ovos alcançam a luz intestinal
💩 Ovos nas fezes Viabilidade: 1–5 dias no ambiente externo
↓
Contato com água doce + luz + calor
🏊 Miracídio eclode Larva ciliada, quimiotaxia por miraxones do caramujo. Poucas horas de vida.
↓
Penetra ativamente no caramujo (papila apical)
🐌 Biomphalaria (HI) Esporocisto I → Esporocistos II (hepatopâncreas) → Cercárias
↓
Liberação circadiana: 10h–14h (luz + calor) — até 300.000/vida
🌊 Cercária (furcocercária) Cauda bifurcada, 2 ventosas, atraída por ác. graxos e arginina da pele
↓
Penetração ativa pela pele íntegra (enzimas proteolíticas)
🔄 Esquistossômulo Perde a cauda + troca tegumentar. Migra: pele → veias/linfa → coração D → pulmões → coração E → aorta → sistema porta
↓
3–4 semanas: maturação no fígado + acasalamento
❤️ Adultos no Sistema Porta Casal migra contra fluxo até plexo mesentérico inferior. Fêmea avança → ovipostura em fila indiana na submucosa.
Formas Evolutivas
FormaLocalLocoçãoFunção
MiracídioÁguaCíliosInfectar caramujo
Esporocisto ICaramujo (próx. penetração)—Gera esporocistos II
Esporocisto IIHepatopâncreas—Gera cercárias
CercáriaÁguaCauda bifurcadaInfectar humano
EsquistossômuloTecidos/vasosAtiva na pele, passiva no sangueMigração
AdultoSistema portaVentosasReprodução
Pontos Críticos do Ciclo
  • Miracídio infecta o HI (caramujo)
  • Cercária infecta o HD (humano)
  • Esporocisto I não produz cercárias — só gera esporocistos II
  • Ciclo pulmonar obrigatório (intravascular)
  • Maturação e acasalamento ocorrem no fígado
  • Migração retrógrada até veias mesentéricas para ovipostura
PROVA: O habitat do adulto é especificamente as veias do sistema porta (mesentéricas). Outra localização = errática.
🐌 Biomphalaria — Hospedeiro Intermediário
Morfologia do Caramujo
  • Concha plana e em espiral (planiforme) — não cônica
  • Depressão central = umbigo (omphalos → Bi-omphalaria)
  • Tamanho: 0,5–4 cm de diâmetro
  • Opérculo ausente
  • Habitat: águas doces rasas, vegetadas, pouca correnteza
  • Identificação: anatomia interna (sistema reprodutor) ou PCR — não pela concha
  • Anidrobiose: sobrevive meses no lodo seco durante secas
Espécies Transmissoras no Brasil
EspécieDistribuiçãoCompetência
B. glabrataNE (litoral), MGMaior — até 300.000 cercárias/vida
B. stramineaNE (ampla), interiorMenor, mas compensa com alta densidade populacional
B. tenagophilaSul, SudesteIntermediária
PROVA: B. glabrata é o vetor mais eficiente. A B. straminea compensa com altissima densidade nos criadouros do NE.
Distribuição no RN
  • Caramujos em 89/98 municípios do RN
  • Interior: B. straminea (ampla, anidrobiose)
  • Litoral oriental: B. glabrata — coincide com casos endêmicos
  • Mossoró: não encontrado (caso de 2024 = importado)
  • Municípios endêmicos: Ceará-Mirim, Touros, Rio do Fogo, Extremoz, Natal
Ritmo Circadiano de Cercárias
  • Emergência estimulada por luz intensa + calor
  • Pico: 10h–14h (horário mais quente e iluminado)
  • Coincide com maior exposição humana às águas
  • Adaptação evolutiva — cepas silvestres (roedores) têm pico noturno
  • Na ausência de luz: eclosão praticamente inibida
⚠️ Patogenia — O Problema São os Ovos
Princípio Fundamental
  • Adultos causam dano limitado — hematofagismo crônico (espoliação de ferro)
  • Os ovos são a fonte de toda a patologia
  • Ação mecânica: espícula facilita penetração tecidual
  • Ação enzimática: miracídio excreta enzimas proteolíticas
  • Estimulação antigênica: SEA (Soluble Egg Antigens) → resposta granulomatosa
  • ~2/3 dos ovos ficam retidos nos tecidos (fígado, intestino)
Granuloma Esquistossomótico
  • Centro: Ovo (viável ou em degeneração)
  • Camada interna: Macrófagos, células epitelioides, células gigantes
  • Camada intermediária: Linfócitos T, plasmócitos, eosinófilos
  • Camada externa: Fibroblastos + fibras colágenas
  • Paradoxo: granuloma protege o hospedeiro — sem ele, necrose coliquativa letal
  • Na fase crônica: imunomodulação (IL-10) → granulomas menores
Fibrose de Symmers
  • Granulomas acumulam-se na tríade portal
  • Fibrose estritamente periportal (“pipe-stem” / haste de cachimbo)
  • Preserva a arquitetura lobular — diferente de cirrose clássica!
  • Função hepatocelular mantida (TGO/TGP normais por anos)
  • Arterialização compensatória do fígado
  • Achado patognomônico da esquistossomose hepática crônica
PROVA: Fibrose de Symmers ≠ cirrose. Preserva hepatócitos. Enzimas hepáticas podem estar normais mesmo com fibrose extensa!
Hipertensão Portal → Complicações
  • Fibrose periportal → obstrução de ramos da veia porta
  • Hipertensão portal (NÃO sistêmica!)
  • Esplenomegalia congestiva → hiperesplenismo (anemia, plaquetopenia)
  • Ascite (“barriga d'água”) — extravasamento de plasma
  • Varizes esofágicas — via colateral mais perigosa
  • Ruptura de varizes = principal causa de óbito
  • Circulação colateral: “cabeça de medusa”, hemorróidas
Formas Clínicas
FormaAchadosGravidade
IntestinalGranulomas intestinais, dispepsiaLeve
HepatointestinalHepatomegalia, fibrose inicialModerada
Hepatoesplênica compensadaFibrose de Symmers + esplenomegaliaGrave
Hepatoesplênica descompensadaAscite, varizes, hematemeseMuito grave
PulmonarGranulomas pulmonares, cor pulmonaleGrave
NeurológicaMielopatia, granulomas cerebraisMuito grave
Manifestações Ectópicas
  • Anastomoses portossistêmicas permitem escape de ovos/vermes
  • SNC: Mielopatia (plexo de Batson) — emergência neurológica!
  • Pulmões: Hipertensão pulmonar → cor pulmonale
  • Rins: Glomerulopatia por imunocomplexos
  • Pele, órgãos genitais (raros)
  • Bacteremia prolongada por Salmonella (vermes como reservatórios)
🏊 Dermatite Cercariana & Síndrome de Katayama
Dermatite Cercariana (“Coceira do Nadador”)
  • Prurido intenso, eritema, pápulas no local de penetração
  • Reação de hipersensibilidade imediata e tardia
  • Pode ocorrer já na primoinfecção — não requer sensibilização prévia
  • Formas mais intensas: cercárias de trematodas de aves (não completam ciclo no humano)
  • Penetração preferencial entre folículos pilosos
  • Fixação: substância mucoproteica das glândulas acetabulares
Síndrome de Katayama
  • Ocorre 15–90 dias após exposição (início da ovipostura)
  • Hipersensibilidade sistêmica por imunocomplexos
  • Febre prolongada, calafrios, cefaleia
  • Eosinofilia intensa (>20–30%)
  • Hepatoesplenomegalia dolorosa
  • Tosse, sibilos (pneumonite eosinofílica)
  • Urticária, diarreia mucossanguinolenta
  • Mais grave em não residentes de áreas endêmicas (resposta “virgem”)
  • EPF falso-negativo nesta fase! Diagnóstico: clínico + eosinofilia + sorologia
🛡️ Imunidade Concomitante
Conceito
  • Adultos estabelecidos estimulam imunidade contra formas jovens
  • Hospedeiro tolera os adultos (mascaramento antigênico) mas ataca cercárias recentes
  • Resultado: controle da carga parasitária sem eliminar os adultos
Mecanismos de Evasão dos Adultos
  • Mimetismo: adsorção de antígenos do hospedeiro na superfície
  • Shedding: liberação rápida de moléculas de superfície quando atacadas
  • Tegumento heptalaminar: espesso e refratário
  • Imunorregulação: clivam IgG, inibem linfócitos e mastócitos
  • Resultado: sobrevida de 5–7 anos (até 30!)
Crianças × Adultos
  • Crianças (5–20 anos): maior suscetibilidade — imunidade ainda não modulada
  • Maior carga parasitária, mais ovos, mais dano
  • Podem desenvolver nanismo esquistossomótico
  • Adultos endêmicos: modulação imune progressiva com a idade
  • Filhos de mães infectadas: já nascem com resposta “modulada” (transferência materna)
🔎 Diagnóstico
Kato-Katz (Padrão-Ouro EPF)
  • Recomendado pela OMS — simples, barato
  • Quantidade padronizada: 41,7 mg de fezes
  • Contagem quantitativa de ovos por grama (OPG)
  • Técnica: fezes → tela de malha → template calibrado → celofane + verde malaquita
  • Leitura: 24h após para S. mansoni
  • Não funciona com fezes líquidas/diarreicas
  • Limitação: Falso-negativo em infecções leves e formas crônicas avançadas (fibrose intestinal retém ovos)
  • Solicitar 3–5 amostras em dias diferentes
Sorologia & Antígenos
  • ELISA / IFI (anticorpos): indica exposição prévia, persiste após cura
  • Mais útil em pacientes de áreas não-endêmicas
  • POC-CCA (urina): teste rápido que detecta antígenos catódicos circulantes
  • Detecta até 6× mais portadores que uma amostra de Kato-Katz
  • Positivo apenas com infecção ativa
  • PCR: DNA do parasito em fezes/soro — sensibilidade superior
Biópsia Retal
  • Fragmento de mucosa retal por retossigmoidoscopia
  • Identifica ovos com espícula mesmo em estágios avançados
  • Útil quando EPF negativo + forte suspeita
  • Invasiva — reservar para casos especiais
  • Antes: tentar amostras seriadas + POC-CCA
Imagem & Endoscopia
  • USG abdominal: Padrão-ouro para avaliar gravidade crônica
  • Identifica: fibrose periportal (pipe-stem), esplenomegalia, ascite
  • Estad. Niamey (OMS) — complementar com Doppler (fluxo portal, trombose)
  • EDA: Avalia varizes esofágicas, permite ligadura profilática
  • Essencial no manejo de hematemese
💊 Tratamento
Praziquantel (1ª Linha)
ParâmetroAdultosCrianças
Dose50 mg/kg60 mg/kg
ViaOralOral
FrequênciaDose única ou 2 dosesDose única ou 2 doses
  • Mecanismo: ↑ permeabilidade ao Ca²+ → contração espástica → exposição antigênica → morte imune-mediada
  • Limitação: Só atua contra vermes adultos maduros — não mata esquistossômulos
  • Retratamento: 2–8 semanas após 1ª dose
  • Dose maior em crianças: menor biodisponibilidade oral
Condutas Complementares
  • Fase aguda (Katayama): associar corticosteroides (prednisona) + praziquantel
  • Fibrose periportal recente: pode regredir após tratamento (colágeno tipo III → colágeno instável)
  • Fibrose antiga: irreversível — manejo multidisciplinar
Oxamniquina (Histórica)
  • Alternativa antiga para S. mansoni nas Américas
  • Menor espectro (não ativa contra espécies asiáticas/africanas)
  • Substituída pelo praziquantel
  • Histórica: PECE (1970s) — tratamento em massa com oxamniquina
Manejo de Complicações
  • Varizes: Ligadura endoscópica, escleroterapia, propranolol profilático
  • Ascite: Restrição Na+, espironolactona, furosemida
  • Esplenomegalia: Esplenectomia + desconexão ázigo-portal
  • HP refratária: TIPS, derivações portossistêmicas (cautela: encefalopatia)
🌍 Epidemiologia
Evolução no Brasil
DécadaPrevalência
1940s~10% da população
1980s~9% (queda mínima)
1970s+PECE: quimioterapia em massa (oxamniquina)
Atualmente~1,5 milhão infectados (~1,79% em escolares)
  • Redução: saneamento básico + quimioterapia em massa
  • Endêmica: Nordeste + MG + ES
  • Estados principais: PE, AL, SE, BA, PB
Rio Grande do Norte
  • Casos concentram-se no litoral oriental (onde há B. glabrata)
  • Natal: município endêmico com transmissão autóctone
  • Municípios endêmicos: Ceará-Mirim, Touros, Rio do Fogo, Extremoz, Maxaranguape
  • Interior: B. straminea dominante — menor eficiência vetorial
  • Casos leves a moderados — raramente forma hepatoesplênica
  • Caso Mossoró 2024: importado (autóctone vs. alóctone)
Grupos de Risco
  • Faixa etária: 5–20 anos (crianças e adolescentes) — maior prevalência
  • Laboral: Pescadores, lavradores, lavadeiras, irrigadores
  • Recreativo: Banho em rios/lagoas endêmicas
  • Migrantes: Deslocamentos de áreas endêmicas
  • Enchentes: Exposição forçada à água contaminada
  • Novos focos: barragens, irrigação, piscicultura, pesque-e-pague
Profilaxia & Controle
  • Saneamento básico — medida mais efetiva (quebra ciclo fecal-hídrico)
  • Moluscicidas: Niclosamida (Bayluscide) — mas causa desequilíbrio ecológico
  • Controle biológico: Peixes malacófagos, linhagens resistentes de caramujos
  • Quimioterapia em massa: Praziquantel para escolares em áreas hiperendêmicas
  • Educação em saúde: Orientação sobre risco de banho em águas endêmicas
  • Vacina Sm14: Desenvolvida pela Fiocruz — fase 1 clínica (eficácia ainda não comprovada)
📊 Tabela Comparativa — Espécies de Schistosoma
Característica S. mansoni S. haematobium S. japonicum
Distribuição Brasil, África, Oriente Médio África, Oriente Médio Ásia (China, Filipinas, Indonésia)
Espícula do ovo Lateral Terminal Rudimentar / lateral pequena
Hosp. Intermediário Biomphalaria spp. Bulinus spp. Oncomelania spp.
Habitat vascular VMS inferior / VMP (sistema porta) Veias vesicais (plexo vesicoprostático) VMS (sistema porta)
Patologia principal Fibrose periportal (Symmers), hipertensão portal Hematúria, fibrose vesical, câncer de bexiga Fibrose hepática (mais intensa), abdome agudo
Zoonose Roedores (reservatórios limitados) Não (exclusivamente humano) Sim — búfalos, cães, gatos, porcos
Diagnóstico EPF Kato-Katz (fezes) Filtração de urina Kato-Katz (fezes)
⚠️ PONTOS-CHAVE PARA PROVA
01 O ovo do S. mansoni tem espícula lateral. S. haematobium = terminal. S. japonicum = rudimentar.
02 Miracídio infecta o HI (caramujo). Cercária infecta o HD (humano). Duas formas infectantes ambientais.
03 O esporocisto primário NÃO produz cercárias — só gera esporocistos secundários. Só os secundários geram cercárias.
04 B. glabrata = vetor mais eficiente (até 300.000 cercárias/vida). B. straminea predomina no interior do NE (compensa com densidade).
05 Habitat do adulto: veias do sistema porta (mesentéricas). Qualquer outra localização = errática.
06 O problema são os ovos, não os adultos. Ovos → SEA → granuloma → fibrose.
07 Fibrose de Symmers (periportal / pipe-stem) é patognomônica. ≠ cirrose — preserva hepatócitos e função hepática.
08 Hipertensão PORTAL (não sistêmica!) → esplenomegalia → varizes esofágicas → hemorragia = principal causa de óbito.
09 Kato-Katz = gold standard (41,7 mg). Pode ser falso-negativo na fase aguda e em formas crônicas avançadas.
10 Praziquantel: 50 mg/kg (adultos), 60 mg/kg (crianças). Só mata adultos maduros — não atua em esquistossômulos.
11 Imunidade concomitante: adultos sobrevivem (evasão), mas formas jovens são atacadas. Crianças mais suscetíveis.
12 Ritmo circadiano: cercárias emergem 10h–14h (luz + calor). Adaptação evolutiva à presença humana diurna.
13 Mielopatia esquistossomótica = emergência neurológica. Investigar em pacientes endêmicos com sintomas neurológicos agudos.
14 S. mansoni é dioico (família Schistosomatidae — todos são dioicos). Demais trematodas são hermafroditas.
15 Ventosa oral ≠ acetábulo. A ventosa oral é anterior (boca + fixação). O acetábulo é ventral (só fixação).
16 No RN: B. glabrata no litoral oriental (endêmico). B. straminea no interior (anidrobiose).
17 Granuloma: paradoxo — causa fibrose MAS protege o hospedeiro. Sem granuloma (imunossuprimidos) → necrose hepática letal.
18 Síndrome de Katayama: fase aguda 15–90 dias pós-infecção. Eosinofilia intensa. Mais grave em não residentes de áreas endêmicas.