Parasitologia Médica · 2026.1

Giardíase & Amebíase

Giardia duodenalis · Entamoeba histolytica/dispar

01 Giardíase — Giardia duodenalis
Visão Geral

Sinônimos: G. lamblia, G. duodenalis, G. intestinalis — mesmo organismo. Primeiro protozoário descrito (Leeuwenhoek, séc. XVII); reconhecido como patogênico pela OMS apenas em 1981.

  • Cerca de 90% dos infectados são assintomáticos ou subclínicos
  • Habitat: intestino delgado — duodeno e porções iniciais do jejuno
  • Apresenta subgenótipos (assemblages) com variações antigênicas — explica reinfecções em viajantes
Pegadinha
A Giardia é sempre patogênica? A aula afirma que sim, mas a literatura debate: em infecções assintomáticas, a mucosa pode estar morfologicamente normal. Discute-se se o parasito atua como patógeno ou como comensal nessas situações. Para a prova, fique atento ao que a questão pede (visão da aula vs. literatura).

Variabilidade Genética e Zoonose

Apenas as assemblages A e B são zoonóticas (infectam humanos). Cães possuem assemblages C e D; gatos, assemblage F — hospedeiro-específicas, sem risco humano.

No Brasil, a transmissão ocorre mais frequentemente de humanos para animais (contaminação ambiental humana) do que o inverso.

Morfologia

Trofozoíto
FormatoPiriforme ("gota"), simetria bilateral
Tamanho~20 μm
Núcleos2 — cariossoma central, sem cromatina periférica
Disco ventralAdesão à mucosa — fundamental para patogenia
Adesão bioquímicaGiardina alfa-1 (lectina) — liga-se a glicoconjugados do epitélio
Corpo medianoAbaixo do disco; contém microtúbulos e proteínas contráteis; possível reserva de tubulinas
Flagelos8 flagelos (4 pares): anterior, ventral, posterior, caudal — originam-se de corpúsculos basais (blefaroplastos)
Cisto
FormatoOval (≠ ameba, que é esférica)
ParedeDupla, refringente — N-acetilglicosamina (semelhante à quitina)
Núcleos2 a 4 (já inicia divisão dentro do cisto)
Estruturas internasAxonemas e estruturas do trofozoíto permanecem compactadas no interior
Sobrevivência1–2 meses no ambiente
Prova
Cisto de Giardia = oval. Cisto de ameba = esférico. Critério diagnóstico fundamental, embora não absoluto — a diferenciação segura exige análise interna (núcleos, cromatina, corpos cromatoides).

Ciclo Biológico

Ingestão
Cisto ingerido via fecal-oral (água, alimentos, contato direto)
Estômago
Acidez gástrica inicia o desencistamento (gatilho bioquímico essencial)
Intestino delgado
Desencistamento completo → trofozoíto adere à mucosa (duodeno/jejuno) → divisão binária longitudinal
Encistamento
No ceco, induzido por alterações de pH, sais biliares e resposta imune local → cisto formado
Eliminação
Fezes formadas: cistos. Fezes líquidas: pode sair trofozoíto, mas morre em ~15 min
Prova
Fezes líquidas não examinadas imediatamente → trofozoíto morre → falso negativo. Termo correto: desencistamento (não "eclosão" — eclosão é de ovo).

Transmissão

Resistência do Cisto

Cloro
NÃO destrói
Fervura (100°C, 5 min)
Destrói
Congelamento (0°C)
NÃO destrói
Filtração
Eficaz (areia / terra de diatomáceas)
Prova
A cloração é a principal forma de tratamento da água no Brasil, mas NÃO elimina cistos de Giardia. Há estudos detectando cistos em água tratada. Para eliminação segura: fervura ou filtração. Pessoas com hipocloridria são mais suscetíveis.

Diagnóstico Laboratorial

Eliminação irregular

Giardia pode liberar bilhões de cistos em um dia e passar 10–20 dias sem eliminar nenhum ("período negativo"). Período pré-patente: ~1 semana.

1 amostra única
60–80% de sensibilidade
3 amostras seriadas
~90% de sensibilidade
Prova
Exame seriado é obrigatório. Uma amostra negativa NÃO exclui giardíase. Recomendação: 3 amostras em dias alternados. Alguns autores: intervalo de 7 dias entre amostras para baixos excretores. Testes imunológicos (ELISA, imunocromatografia) são mais sensíveis.

Patogenia — Diarreia e Má Absorção

Parasito sempre extracelular — permanece na luz intestinal, sem invasão tecidual. A patogenia é multifatorial, mediada pela adesão + resposta inflamatória do hospedeiro.

Mecanismo 1
Dano Mecânico + Imunomediado

Disco ventral + giardina alfa-1 aderem à mucosa → lesão das microvilosidades → apoptose dos enterócitos → renovação celular acelerada. A atrofia vilositária é mediada principalmente pela ação citotóxica de linfócitos T CD8+ intraepiteliais.

Enterócitos imaturos chegam à superfície sem enzimas de borda em escova (lactase, maltase, etc.) → má absorção de dissacarídeos.

Mecanismo 2
Diarreia Osmótica + Secretória

Osmótica: Dissacarídeos intactos retidos no lúmen → aumento da pressão osmótica → água secretada para a luz intestinal → diarreia.

Secretória: Dano às junções intercelulares → hipersecreção de cloreto (Cl⁻) → água segue por osmose. Fezes aquosas, sem sangue, mal cheirosas.

Mecanismo 3
Inflamação e Hipermotilidade

IgE → degranulação de mastócitos → liberação de histamina (reação anafilática local: edema + contração da musculatura lisa) + prostaglandinas → aceleração do peristaltismo.

Monócitos/macrófagos locais ativados pelos trofozoítos também secretam prostaglandinas.

Mecanismo 4
Depleção de Arginina → ↓ Óxido Nítrico

Giardia consome arginina → ↓NO. O NO é um relaxante da musculatura lisa intestinal; sua redução resulta em hipermotilidade (aumento da contração, não relaxamento). Também prejudica a defesa do macrófago.

Pegadinha
A aula sugere que ↓NO = "intestino frouxo". O correto é o oposto: NO é relaxante → sua falta causa hipermotilidade (mais contração, não menos).
Mecanismo 5
Disbiose Intestinal e Complicações Crônicas

Desequilíbrio da microbiota → fezes mal cheirosas (fermentação alterada). A disbiose pode persistir após a cura parasitológica, levando a Síndrome do Intestino Irritável (SII) pós-infecciosa e fadiga crônica.

Quadro Clínico

Maioria (aproximadamente 90%): assintomática. Quando sintomática:

Imunidade e Cronificação

IgA secretória = principal defesa. Além de bloquear a adesão, medeia ADCC (citotoxicidade celular dependente de anticorpos) — auxilia macrófagos na lise do parasito. O parasito cliva IgA como escape.

Adultos geralmente controlam (autolimitada). Mas 30–50% de adultos imunocompetentes podem evoluir para formas crônicas com atrofia vilositária, síndrome de má absorção e perda de peso.

Prova
O parasito raramente é causa direta de óbito — desidratação e desnutrição são as causas de morte. Giardíase crônica grave pode ocorrer mesmo em imunocompetentes (não apenas imunossuprimidos/crianças).

Epidemiologia

Tratamento

Metronidazol (5-nitroimidazol)

Mais usado. Efeito dissulfiram-like (proibido álcool). Contraindicado no 1º trimestre e lactação. Potencial mutagênico em uso prolongado. Resistência crescente.

Albendazol

Eficácia semelhante ao metronidazol. Menos efeitos colaterais (baixa absorção). Cobre helmintos simultaneamente.

Nitazoxanida

~80% eficácia. Menos resistência. Mais cara. Principal efeito colateral: dor abdominal recorrente.

Dica
Metronidazol + Albendazol = combinação prática e barata. Cobre protozoários + helmintos. Giardíase e amebíase são frequentemente co-prevalentes (mesma via fecal-oral).

02 Amebíase — Entamoeba histolytica / E. dispar
Espécies-Chave
E. histolyticaPatogênica — pode ser comensal ou invasora. Casos graves: disenteria, abscesso hepático
E. disparNão patogênica (ou brandos). Colite não-disentérica (diarreia sem sangue/muco)
E. moshkovskiiTerceira espécie morfologicamente idêntica. Torna a diferenciação microscópica ainda mais complexa

Somente testes imunológicos, moleculares ou eletroforese de isoenzimas (zimodemas) diferenciam as espécies. Laudos frequentemente vêm como "E. histolytica/dispar".

Prova
E. histolytica pode ser comensal e transitar para forma invasora. A tendência clínica é tratar quando identificada, pois pode mudar de comportamento a qualquer momento. Mas a OMS não recomenda tratar assintomáticos em áreas endêmicas (aproximadamente 90% são E. dispar).

Amebas Sentinelas

Amebas não patogênicas (E. coli, Endolimax nana, Iodamoeba bütschlii) são indicadores de contaminação fecal-oral. Presença no exame = o indivíduo está exposto a essa via, mesmo sem E. histolytica detectada.

Morfologia

Trofozoíto
FormatoIrregular, pleomórfico — pseudópodes lobosos, hialinos, unidirecionais
Tamanho20–40 μm (formas invasivas tissulares: até 60 μm)
NúcleoÚnico — "roda de carroça": cariossoma central + cromatina periférica uniforme
Ecto/endoplasmaDiferenciação visível à microscopia
MovimentoDirecional — "semelhante a uma lesma"
Cisto
FormatoEsférico/redondo (≠ Giardia, oval)
Núcleos1 a 4 — imaturos (1–2), maduros (4)
Corpos cromatoidesFormato em "charuto" com extremidades arredondadas. Presentes em cistos imaturos
Vs. E. coliE. coli: corpos cromatoides em feixes de agulhas, pontas irregulares
Pré-cistoFase intermediária: perdeu mobilidade, sem parede cística ainda
Prova
Eritrofagocitose (hemácias inteiras no citoplasma) = único critério morfológico que confirma E. histolytica (e não E. dispar). Se não há hemácias fagocitadas, a distinção microscópica é impossível.

Ciclo Biológico

Ingestão
Cisto maduro (4 núcleos) via fecal-oral
Desencistamento
No íleo/ceco → libera metacisto (forma tetranucleada)
Divisão
Metacisto → 8 trofozoítos metacísticos uninucleados
Colonização
Trofozoítos migram para o intestino grosso (ceco) → divisão binária
Encistamento
Porções finais do cólon → cistos eliminados nas fezes

Transmissão: Fecal-oral, água (resistente à cloração), sexual (oral-anal). Não é considerada zoonose em termos epidemiológicos, embora animais (cães, porcos, primatas) possam ser infectados.

Patogenia — Do Comensalismo à Invasão

Fase Comensal

Parasito na luz do intestino grosso, sobre o muco, alimentando-se de bactérias. Sem dano. 80–90% dos casos permanecem assim.

Fatores que desencadeiam invasão: colesterol intestinal, bactérias específicas (E. coli, Salmonella), reinfecções sucessivas, queda de imunidade, características da cepa.

5 Etapas da Invasão Tecidual

Passo 1
Quebra do Muco

Degradação enzimática da camada protetora de muco intestinal, principalmente por cisteíno-proteases (principal fator de virulência).

Passo 2
Adesão à Célula Epitelial

Via lectina Gal/GalNAc — reconhece carboidratos da superfície celular. Essa ligação marca a transição para a fase patogênica.

Passo 3
Destruição Celular (3 mecanismos)
  • Amebaporos → formação de poros na membrana → lise (necrose)
  • Trogocitose → "mordidas" em células vivas (nibbling)
  • Indução de apoptose → morte celular programada → fagocitose da célula morta
Pegadinha
A aula diz que o parasito "não fagocita células inteiras" — isso está incorreto. E. histolytica realiza fagocitose clássica de hemácias, bactérias e enterócitos em apoptose. A trogocitose é exclusiva para células ainda vivas.
Passo 4
Invasão da Submucosa

A barreira epitelial é a mais difícil. Uma vez na lâmina própria, cisteíno-proteases + hialuronidase + colagenases degradam laminina, fibronectina e toda a matriz extracelular.

Passo 5
Formação de Úlceras

Formato clássico: úlcera em botão de camisa — entrada estreita no epitélio, base larga na submucosa. A camada muscular retarda a perfuração.

Prova
Patogenia de Giardia: presença + moléculas (sem invasão). Patogenia de E. histolytica: destruição celular direta + invasão tecidual.

Espectro Clínico

1
Assintomática — E. dispar ou E. histolytica comensal. 80–99% dos casos
2
Colite não disentérica — diarreia sem sangue/muco. Sem úlceras significativas
3
Colite disentérica — somente E. histolytica. Úlceras, fezes com sangue e muco
4
Colite necrotizante — >30 evacuações/dia, desidratação severa. Letalidade ~40%
5
Extra-intestinal — disseminação via sistema porta (fígado, pulmão, SNC, pele)

Complicações

Perfuração Intestinal

Conteúdo intestinal extravasa → peritonite + infecção polimicrobiana → risco de óbito. Hemorragias intestinais e apendicite amebiana também são complicações diretas.

Ameboma

Massa granulomatosa pseudotumoral — inflamação + edema + fibrose. Simula tumor. Na biópsia: não é neoplasia. Pode causar obstrução e predispor a intussuscepção (invaginação intestinal).

"Abscesso" Hepático Amebiano

Via sistema porta → necrose liquefativa do parênquima hepático (não é abscesso bacteriano verdadeiro). Halo de destruição ao redor do parasito — muito característico.

SintomasDor no hipocôndrio D, febre, enzimas hepáticas elevadas (AST, ALT, FA)
DiagnósticoSorologia (95–99% positiva). EPF frequentemente negativo; aspirado da lesão <20% positivo
TratamentoFarmacológico. Se necessário: drenagem percutânea guiada por imagem (NÃO ressecção cirúrgica)
Prova
Fígado = órgão extra-intestinal mais acometido (via sistema porta). Pulmão: geralmente por contiguidade (ruptura do abscesso hepático pelo diafragma), não por via hematogênica. Amebíase cutânea: úlcera fagedênica perianal.

Resposta Imune e Fatores de Risco

Na fase invasiva aguda, E. histolytica inibe a resposta Th1 (que seria protetora) e estimula uma resposta Th2 supressora, que facilita a progressão das úlceras. IgA secretória atua na defesa mucosa.

ImunossupressãoInvasão progressiva descontrolada
Sexo masculinoTestosterona reduz citocinas protetoras → mais formas invasivas
Região Norte/BRCepas + cofatores (bactérias locais, colesterol, reinfecções) → mais abscessos hepáticos
Pegadinha
A aula diz "resposta predominantemente Th1" na amebíase. O correto: na fase invasiva aguda, o parasito favorece Th2 (não protetora), suprimindo Th1.

Tratamento

Assintomático (achado de exame)

Amebicida luminal — eliminar parasitos na luz intestinal

Sintomático (colite, disenteria)

Amebicida tecidual + luminal — tecido + prevenção de recidiva

Extra-intestinal (abscesso hepático)

Amebicida tecidual + luminal — metronidazol (tecidual) + sempre associar luminal

Prova
Mesmo em formas extra-intestinais, SEMPRE associar tratamento luminal para eliminar parasitos residuais na luz e evitar recidiva. O diagnóstico pode ser difícil quando a infecção intestinal já se resolveu (só 10–30% com EPF positivo no abscesso hepático).

03 Tabela Comparativa
Tipo / Localização
Giardia
Flagelado · Intestino delgado (duodeno/jejuno)
Entamoeba
Ameba (rizópode) · Intestino grosso (ceco)
Núcleos
Giardia
Trofo: 2 · Cisto: 2–4
Entamoeba
Trofo: 1 · Cisto: 1–4
Forma do Cisto
Giardia
Oval
Entamoeba
Esférico
Mecanismo de Adesão
Giardia
Disco ventral + giardina alfa-1 (lectina)
Entamoeba
Lectina Gal/GalNAc
Invasão Tecidual
Giardia
NÃO — sempre extracelular
Entamoeba
SIM — invade mucosa e submucosa
Tipo de Diarreia
Giardia
Aquosa, sem sangue, mal cheirosa
Entamoeba
Disentérica — sangue + muco
Disseminação Hematogênica
Giardia
NÃO
Entamoeba
SIM — fígado, pulmão, SNC
Complicação Grave
Giardia
Atrofia vilositária, SII pós-infecciosa
Entamoeba
Perfuração, abscesso hepático, ameboma
Potencial Letal
Giardia
Baixo
Entamoeba
Alto — 2º protozoário mais letal (após malária)
Tratamento
Giardia
Metronidazol + albendazol
Entamoeba
Tecidual + luminal (sempre combinado)
Resistência à Cloração / EPF Seriado
Giardia
Resiste à cloração · Seriado obrigatório
Entamoeba
Resiste à cloração · Seriado obrigatório

04 DIJC — Cenários de Prova

Cenários que podem aparecer em questões de prova, com a lógica de raciocínio esperada:

1
EPF negativo em amostra única: NÃO exclui giardíase nem amebíase. Solicitar 3 amostras seriadas (sensibilidade sobe para ~90%). Eliminação irregular = período negativo de 10–20 dias.
2
Criança com diarreia aquosa + esteatorreia + distensão abdominal: Pensar em giardíase crônica. Má absorção → enterócitos imaturos sem dissacaridases. Pode simular intolerância à lactose.
3
Trofozoíto com hemácias inteiras no citoplasma: Eritrofagocitose = E. histolytica confirmada. Único critério morfológico que diferencia de E. dispar.
4
Cisto oval com 2–4 núcleos: Giardia. Cisto esférico com 4 núcleos + corpos cromatoides em charuto (extremidades arredondadas): E. histolytica/dispar. Se pontas irregulares → E. coli.
5
Dor no hipocôndrio D + febre + enzimas hepáticas elevadas: Suspeitar de abscesso hepático amebiano. Diagnóstico: sorologia (95–99% sensível). EPF pode ser negativo. Tratamento: farmacológico + drenagem percutânea se necessário.
6
Diarreia aquosa sem sangue + mal cheiro: Giardíase. Diarreia com sangue e muco (disenteria): Amebíase por E. histolytica (colite disentérica).
7
Surto de diarreia em cidade com água clorada: Giardia e Entamoeba resistem à cloração. Prevenção efetiva: filtração (areia/terra de diatomáceas) ou fervura.
8
Tratamento de abscesso hepático amebiano: Sempre combinar amebicida tecidual + luminal. O tratamento luminal é indispensável mesmo que o foco seja extra-intestinal, para evitar recidiva.
9
Amebas comensais no exame de fezes: Mesmo sem E. histolytica, presença de E. coli ou Endolimax nana indica exposição fecal-oral — o paciente está em risco.
10
Massa colônica simulando tumor: Considerar ameboma — granuloma pseudotumoral. Biópsia mostra amebas + fibrose + inflamação, não neoplasia. Pode causar obstrução ou intussuscepção.
Resumo Rápido
Giardia: delgado · oval · não invade · diarreia aquosa · má absorção.
Entamoeba: grosso · esférica · invade · disenteria · abscesso hepático.
Ambos: fecal-oral · resistem ao cloro · EPF seriado obrigatório.

05 Glossário
AssemblageSubgrupo genético de Giardia. A e B infectam humanos; C/D (cães) e F (gatos) são espécie-específicas
AmebaporoProteína formadora de poros na membrana celular, produzida por E. histolytica
Amebicida luminalFármaco que atua sobre parasitos na luz intestinal
Amebicida tecidualFármaco que atua sobre parasitos nos tecidos invadidos
AmebomaMassa granulomatosa pseudotumoral por resposta inflamatória exagerada à invasão amebiana
AxonemaEstrutura tubular interna (eixo de microtúbulos) do flagelo
BlefaroplastoCorpúsculo basal de onde se originam os flagelos de Giardia
CariossomaMassa de cromatina condensada no centro do núcleo
Cisteíno-proteasesPrincipal fator de virulência de E. histolytica para invasão tecidual; degrada mucina, laminina, fibronectina
Corpo cromatoideAgregado de ribossomos no cisto de ameba; charuto com pontas arredondadas (E. histolytica) vs. agulhas (E. coli)
Corpo medianoEstrutura de Giardia com microtúbulos e proteínas contráteis; provável reserva de tubulinas
DesencistamentoSaída do parasito da forma cística. Em Entamoeba: libera metacisto → 8 trofozoítos
Disco ventralEstrutura de adesão na face ventral do trofozoíto de Giardia
DissacaridaseEnzima da borda em escova (lactase, maltase) que finaliza digestão de dissacarídeos
EritrofagocitoseFagocitose de hemácias inteiras — exclusiva de E. histolytica
EsteatorreiaExcesso de gordura nas fezes; indicador de má absorção lipídica
Giardina alfa-1Proteína de superfície com ação de lectina; medeia adesão bioquímica da Giardia ao epitélio
Lectina Gal/GalNAcProteína de adesão de E. histolytica que reconhece carboidratos da superfície celular
MetacistoForma tetranucleada de Entamoeba liberada no desencistamento; origina 8 trofozoítos
Período negativoFase em que o parasitado não elimina cistos nas fezes (10–20 dias)
TrogocitoseIngestão de pedaços de células vivas pelo parasito. Células mortas são fagocitadas inteiras
Úlcera botão de camisaÚlcera amebiana típica: orifício estreito no epitélio, base larga na submucosa
ZimodemaPadrão de isoenzimas por eletroforese; método clássico que separou E. histolytica e E. dispar