O membro superior é revestido por múltiplas fáscias — camadas de tecido conjuntivo que organizam os músculos em compartimentos.
Camadas — do superficial ao profundo
Fáscia peitoral
- Recobre o peitoral maior
- Inicia próximo à clavícula e desce até a face anterior do abdômen
- Lateralmente encontra a fáscia axilar → forma o assoalho da axila
Fáscia clavipeitoral
- Inicia na clavícula e desce em profundidade
- Relaciona-se intimamente ao peitoral menor
- Origina a membrana costocoracóidea
Localizada entre o subclávio (superior) e o peitoral menor (inferior). Membrana fenestrada — por dentro passa o nervo peitoral lateral, que inerva o peitoral maior.
Ligamento suspensor da axila
Espessamento da fáscia clavipeitoral. Traciona pele e tecidos para cima, mantendo a concavidade axilar.
Imaginem um espaço todo negro — o ligamento suspensor é o que sustenta a concavidade característica da axila.
Outras fáscias
Retináculos
Mantém os tendões extensores no lugar.
Forma o teto do túnel do carpo. Ambos os retináculos são espessamentos da fáscia do antebraço.
O retináculo dos flexores = ligamento carpal transverso. Enorme relevância clínica na síndrome do túnel do carpo.
"Pele → Gordura → Fáscia" — ordem das camadas do superficial ao profundo.
"Pegue Gentilmente a Fibra" (epiderme → tela subcutânea → fáscia muscular → músculo)Fáscias "com nome próprio" para decorar: peitoral · clavipeitoral · deltóidea · axilar · do braço · do antebraço — todas contínuas entre si, formando um único envelope fascial do ombro à mão.
"Retináculo = pulseira" — analogia visual fácil.
Imagine duas pulseiras no punho: uma dorsal (retináculo dos extensores) e uma palmar (retináculo dos flexores = ligamento carpal transverso). Elas seguram os tendões no lugar para que não "saltem" durante o movimento — como uma tipoia tendínea.
Articulam cabeça, pescoço, tórax e membros superiores.
Anteriores — inervação
O serrátil anterior também é chamado de grande dentado, em referência às digitações com que se fixa na parede torácica anterior. É auxiliar na inspiração.
O nervo torácico longo inerva o serrátil anterior. Sua lesão causa escápula alada.
"2 Peitorais · 1 Sub · 1 Serra" — os 4 toracoapendiculares anteriores.
Regra do tamanho: o maior recebe 2 nervos; o menor, só 1. Coerência didática.
Posteriores — superficiais e profundos
Trapézio, latíssimo do dorso, romboides, levantador da escápula — estabilizam coluna, postura, rotação, flexão e extensão.
A classificação oficial da disciplina agrupa trapézio, latíssimo, romboides e levantador da escápula como músculos extrínsecos superficiais do dorso — não apenas como "mais profundos".
Inervação adicional: romboides e levantador da escápula → nervo dorsal da escápula.
Vascularização:
- Trapézio → artéria cervical transversa
- Latíssimo do dorso → artéria toracodorsal
- Romboides + levantador da escápula → artéria dorsal da escápula
Músculos do cíngulo
Manguito rotador — rotator cuff
- Supraespinal
- Infraespinal
- Subescapular
- Redondo menor
Função: estabilizar a cabeça do úmero na cavidade glenoide durante abdução, adução e rotação.
A glenoide tem um encaixe, e dentro dele gira a cabeça do úmero. Quem ajuda nesse movimento? Os músculos ao redor — principalmente o manguito rotador.
SIRS — os quatro do manguito rotador.
"Sempre Inflamo quando Remo Sem cuidado"Bônus: os três "S" são os mais ligados à dor crônica do ombro do crossfiteiro.
Aplicação clínica — lesões do manguito
- Envelhecimento
- Exercícios de impacto repetitivo
- Prática incorreta de crossfit e musculação
- Exames físicos específicos — ex.: teste de Hawkins (infraespinal)
- Diagnóstico diferencial: capsulite adesiva — ombro congelado
- Ressonância para confirmação
- Lesão tendínea → reinserção do tendão no ponto original
No bíceps braquial, a cabeça curta aparenta ser maior nas peças anatômicas, mas realmente é menor — a cabeça longa tem inserção mais superior (tubérculo supraglenoidal), mas seu comprimento total não aparece diretamente.
BBC — os três do compartimento anterior do braço (todos pelo musculocutâneo).
"Bíceps, Braquial, Coracobraquial — o trio do musculocutâneo"Dica visual: o nervo musculocutâneo perfura o coracobraquial ao entrar no compartimento — é o "crachá" de identificação do nervo na peça.
Regra dos "M" — os 5 nervos terminais do plexo braquial que acompanham o membro.
"Matar Assassinos Requer Muita União"Memória visual: se você desenhar esses 5 nervos na peça, eles formam uma letra M estilizada sobre a axila — daí o apelido "M do plexo".
O curto parece mais longo que o longo. O curto realmente é curto, mas parece maior — atentem para isso na hora da prova.
Função principal: pronação & supinação (rotação do rádio sobre a ulna) + flexão & extensão de punho e dedos.
O nervo ulnar também inerva a porção medial do flexor profundo dos dedos — não apenas o flexor ulnar do carpo.
"Passei, Fiz, Prova, Flutuando, Feliz" — os 5 músculos do compartimento anterior superficial, na ordem lateral → medial.
Todos pelo mediano, exceto o último (ulnar).Regra de desempate: se cair "qual não é do mediano?" → o mais medial (ulnar do carpo), pelo nome: ulnar do carpo é do nervo ulnar.
FFP — os 3 profundos do compartimento anterior (todos pelo interósseo anterior, ramo do mediano).
"Flexor profundo · Flexor longo do polegar · Pronador quadrado"Pegadinha: o flexor profundo dos dedos tem inervação dupla — metade lateral (dedos 2 e 3) pelo interósseo anterior, metade medial (dedos 4 e 5) pelo ulnar.
Falou de extensão do antebraço → pense em nervo radial. Flexores do antebraço → maioria pelo nervo mediano, exceto flexor ulnar do carpo (ulnar).
Abdutor do polegar, extensor curto do polegar, extensor longo do polegar — estão bem unidos na peça, passando de um lado pro outro. Realmente é visualização: chegar na peça e ficar olhando.
O retináculo dos flexores (ligamento carpal transverso) forma o teto do túnel do carpo. Por dentro passam o nervo mediano e os tendões flexores.
Compressão do conteúdo do túnel pelo retináculo → compressão do nervo mediano.
- Parestesia — formigamento
- Dor e incômodo
- Território: polegar, indicador, médio e metade lateral do 4º dedo
Vai sentir um incômodo e o que a gente chama de formigamento — para a gente é parestesia, porque por dentro passa o nervo mediano.
A cirurgia libera parcialmente o retináculo para diminuir a pressão sobre o mediano — geralmente não é retirado por completo. Simples, recuperação rápida, mas exige acompanhamento criterioso. Muito comum no ambulatório.
Se eu liberar um pouco essa faixa, o que está dentro diminui a pressão. Consequentemente, diminuo ou até zero a sintomatologia.
Testes clínicos
Eu não falo nada. Ela tem que relatar qualquer coisa. Tem que deixar o mais neutro possível.
"9+1 no túnel" — o conteúdo do túnel do carpo.
Fora do túnel (passa por cima do retináculo, não por dentro): palmar longo, nervo ulnar (canal de Guyon) e artéria ulnar. ★ pega
PT — os dois testes: Phalen e Tinel.
"Phalen Prende (flexão sustentada) · Tinel Toca (percussão)"Também serve como ordem de execução no exame: primeiro Phalen (mais sensível, esperar 30–60 s) → depois Tinel (complementar).
- Região medial do punho
- Formado pelos ossos hamato e pisiforme
- Passa o nervo ulnar
- Pode ser sítio de compressão nervosa — análogo ulnar da síndrome do túnel do carpo
Trajeto geral
Artéria axilar — três porções
Divididas pelo peitoral menor:
Ramo: torácica superior (a. mamária)
Ramos: toracoacromial + torácica lateral
Ramos: subescapular + circunflexa ant. + circunflexa post. do úmero
Regra 1–2–3 — número de ramos de cada porção da artéria axilar coincide com o número da porção.
Total = 1+2+3 = 6 ramos. Para a 3ª porção, guarde: "Sub · Ant · Post" — as três mais cobradas em trauma (emergência vascular nas fraturas do úmero).
As circunflexas anterior e posterior do úmero literalmente abraçam o úmero. Fraturas da cabeça ou corpo podem lesá-las — complicação vascular grave.
Há uma grande incidência, principalmente na emergência, de fraturas de cabeça e corpo de úmero. Quando fratura, pode lesar essas artérias ao redor. É um grande problema.
A a. torácica superior / mamária irriga ~85% da mama feminina e está muito próxima da circulação pulmonar — um dos principais sítios de metástase do câncer de pulmão.
Artéria braquial
- Continuação da axilar após borda inf. do redondo maior
- Ramos colaterais mediais e laterais
- Artéria braquial profunda — acompanha o nervo radial
- Termina bifurcando-se em radial + ulnar
As artérias digitais são tão pequenas que é muito difícil sentir o pulso.
Por que a artéria braquial?
Técnica passo a passo
A sistólica é a primeira pressão que consigo vencer, por mais que haja força externa. A diastólica é o último som que escuto.
Ausculta-se a braquial para detectar o fluxo turbilhonar (sons de Korotkoff) que ocorre quando a pressão no manguito está entre a sistólica e a diastólica.
"Primeiro grita, último cala" — regra definitiva dos sons de Korotkoff.
Por que braquial e não radial? Lembre do trio PCA: Proximidade do coração, Calibre adequado, Acesso fácil (fossa cubital).
Sistema venoso superficial
Superficiais ficam fora da fáscia muscular — visíveis à inspeção em muitos pacientes.
- Locais preferenciais: fossa cubital e antebraço
- Em idosos: dorso da mão pode ser mais acessível (desidratação, menor turgência)
- Paredes venosas finas → colabam mais que as arteriais
Você é um médico. Vamos saber onde está uma veia para fazer um acesso venoso periférico.
Sistema venoso profundo
A veia basílica perfura a fáscia do braço e se une à braquial para formar a veia axilar. A cefálica desemboca na porção final da axilar.
"Cefálica = Lateral · Basílica = Medial"
Truque: "Basílica do lado do sangue" — "sul" = medial (interno, junto ao coração).C5 · C6 · C7 · C8 · T1 — formada pelos ramos ventrais (anteriores) dos nervos espinais.
Passagem: fossa supraclavicular / triângulo posterior do pescoço.
O plexo braquial é formado especificamente pelos ramos ventrais (anteriores) dos nervos espinais de C5 a T1 — não genericamente pelas "raízes".
Organização
raízes → troncos → divisões → fascículos → nervos terminais
RTDFN — as 5 etapas do plexo braquial, em ordem proximal → distal.
"Rapazes Tocam Doce Fazendo Nada"Troncos: 5+6 / 7 / 8+1 — a aritmética dos níveis cervicais e torácico.
Troncos
Divisões
- Cada tronco → divisão anterior + divisão posterior
- Anteriores formam fascículos lateral e medial
- As três posteriores se unem → fascículo posterior
Fascículos & nervos terminais
O nervo mediano é formado pela união de contribuições dos fascículos lateral e medial — visível nas peças anatômicas.
O mediano é um nervo muito forte, formado pela união de dois fascículos: lateral e medial. Isso sim a gente consegue ver na peça.
Nervo torácico longo
- Origem: C5, C6 e C7 — diretamente das raízes
- Inerva o serrátil anterior — lesão causa escápula alada
- Visível em algumas peças como um fio fino
"5-6-7 voa ALA" — o torácico longo (C5-6-7) inerva o serrátil; lesão = escápula alada.
"Cinco, seis, sete — se lesiona, a escápula voa"Associação de carreira médica: cirurgia mamária/axilar (mastectomia, esvaziamento axilar) é a causa iatrogênica mais cobrada. Sempre avaliar força de "empurrar a parede" no pós-operatório.
Territórios sensitivos — mão
Padrões motores de lesão
Lesão do mediano — dedos caem, paciente não consegue mexer muito. Lesão do radial — mão caída.
BCG — as três lesões nervosas clássicas da mão (na ordem: mediano → radial → ulnar).
"Bênção, Caída, Garra"Macete para prova de imagem: "bênção" tem 3 letras em R-E-Z → lembra os 3 primeiros dedos (mediano). "Garra" termina em "ar" como "ul-nar".
Regra dos dedos — território sensitivo palmar.
Soma: 3½ + 1½ = 5 dedos. O anelar é o divisor — metade mediano, metade ulnar.
O nervo ulnar é aquele que sentimos quando batemos o cotovelo — o famoso choquinho.
▼ B. sup. do redondo maior
► Colo cirúrgico do úmero
◄ Cab. longa do tríceps
▼ B. sup. do redondo maior
► Cab. longa do tríceps
O conteúdo do espaço quadrangular é cobrado em prova. Frase da professora: "claramente só cai o conteúdo."
"Quadrado tem Axilar" — associação direta pelo som.
Lógica topográfica: o quadrangular é maior (4 lados → mais conteúdo → nervo + artéria); o triangular é menor (3 lados → só artéria). Tanto que ambos compartilham 3 limites; o colo cirúrgico do úmero é o 4º limite exclusivo do quadrangular — daí ser "onde o nervo axilar passa abraçando o colo".
Exame físico
- Nódulo arredondado, firme, flutuante e móvel
- Localizado na região dorsal do punho (próximo ao retináculo dos extensores)
- Mais evidente à flexão do punho
- Mobilidade do punho preservada
Diagnóstico
Cisto sinovial — acúmulo de líquido sinovial que se espessa; etiologia incerta.
Método popular de "bater com livro" é inadequado: pode piorar a inflamação, gerar mais dor e espalhar o conteúdo.
Acompanhamento, aspiração ou excisão cirúrgica se houver compressão de estruturas.
- Cada parte do membro superior é inervada por dermátomos — segmentos medulares específicos
- Progressão cervical: ombro → braço → antebraço → mão
- Conhecimento essencial para neurologia e prática clínica (testes de sensibilidade e reflexos)
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O glossário oficial da disciplina especifica: plexo braquial = rede formada pelos ramos ventrais (anteriores) de C5 a T1, e não genericamente pelas "raízes".
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Diagnóstico · Investigação · Justificativa · Conduta — casos prováveis de cair na avaliação.
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Todos os mnemônicos espalhados pelo documento, reunidos aqui em ordem anatômica para revisão rápida na véspera. Use como checklist: se você consegue recuperar a frase, recupera o conteúdo.
Como usar esta caixa: na véspera, leia só as frases em itálico (mnem-phrase). Se conseguir recuperar o conteúdo sem olhar, está pronto. Se travar em uma, volte à seção correspondente — o sistema de referências (§) aponta onde cada mnemônico foi ancorado com exemplos e imagens clínicas.