Anatomia é correlação clínica
Saber o nome do osso sem saber para que ele serve no exame físico é estéril. A aula é construída em torno de pontos palpáveis e puncionáveis, não de listas decoradas.
Pontos de superfície, trígonos, vias aéreas e a sintaxe clínica do pescoço.
Material consolidado a partir da aula prática do médico de UTI/SAMU. Foco no que o examinador realmente cobra: correlações anatomoclínicas, pontos palpáveis para procedimentos, pegadinhas de prova e os mnemônicos que firmam a memória espacial.
Antes de mergulhar no detalhe, fixe estes quatro princípios. Eles voltam disfarçados em quase toda pegadinha desta aula.
Saber o nome do osso sem saber para que ele serve no exame físico é estéril. A aula é construída em torno de pontos palpáveis e puncionáveis, não de listas decoradas.
Reconhecer linhas e pontos de superfície do pescoço — o ECM, o trígono de Sedillot, a cartilagem cricoide — é o que diferencia médicos de urgência. É o gabarito implícito da prova.
“Pior do que você não saber, é achar que está sabendo e tirar conclusão equivocada.” A pegadinha é justamente onde a impressão clínica conflita com a anatomia precisa.
Procedimentos como cricotireoidostomia não são universalmente indicados — dependem de quem está na ponta. Se você não sabe fazer, fazer piora o paciente.
Três fixações dão nome ao músculo; duas cabeças desenham o trígono; uma veia cruza por baixo.
O nome do músculo descreve suas três fixações ósseas. Memorizar o nome é memorizar metade do mapa.
Função: rotação da cabeça. Quando encurta de um lado, vira a cabeça para o lado oposto.
O material da disciplina acrescenta que o ECM se fixa também ao osso occipital, além das três fixações que dão nome ao músculo.
As duas cabeças do ECM (esternal e clavicular) divergem na origem e desenham um trígono. No ápice, o ECM oblíquo cruza em X com a veia jugular interna vertical.
Se a pergunta perguntar "qual ponto puncionar para acesso jugular interno?", a resposta é o ápice do trígono de Sedillot, onde a veia jugular cruza em X o ECM.
E · C · M
Duas cabeças → trígono → ápice em X com a jugular interna. O nome do músculo é o mapa do procedimento.
O pedículo facial cruza o bordo (margem) inferior da mandíbula — não o ângulo. E o nervo facial emerge do crânio pelo forame estilomastóideo, não pelo ângulo da mandíbula.
Eletivo é uma escala; urgência é outra. Saber quando ela inverte vale ponto.
Risco de quilotórax por perfuração do ducto torácico (que é maior à esquerda e desemboca no ângulo venoso esquerdo). A estrutura linfática que drena no ângulo direito é o ducto linfático direito — anatomicamente distinto.
Por isso a jugular precede a subclávia na escala eletiva.
Dois colegas tentaram acesso jugular sem sucesso. Os pontos das tentativas estavam laterais ao ECM — fora do trígono, fora da veia.
Conduta correta: palpar o pescoço, identificar as cabeças do ECM, localizar o ápice do trígono → puncionar.
A veia jugular externa cruza a face lateral do ECM em X com o músculo. O cruzamento divide o acesso em duas variantes:
A jugular pode ser puncionada em qualquer ponto do trajeto, desde que se conheça a anatomia.
J · J · S · S · F
Jugular D → Jugular E → Subclávia D → Subclávia E → Femoral. Em urgência, a F vai para a frente.
A face é um circuito de pequenos músculos cutâneos com um nervo central — e ele atravessa uma glândula.
Dentro/saindo da parótida o VII se divide nos cinco ramos: temporais, zigomáticos, bucais, marginal da mandíbula e cervical.
"To Zanzibar By Motor Car"
Tema clássico da prova. A pista está na testa e na pálpebra superior.
Se a testa enruga e a sobrancelha sobe do lado paralisado, é central. Se a hemiface inteira está flácida, é periférica. A inervação dupla da parte superior do rosto é o que poupa a testa no AVC.
Paciente fecha o olho com força → o olho do lado paralisado vira para a lateral em vez de fechar.
Decorre da irritação do nervo oculomotor associada à lesão facial. Sempre testar piscando com força ao avaliar paralisia periférica.
Tratamento tardio (> 10 dias) → paralisia facial definitiva, com rosto flácido residual ("derretido") permanente. A janela é curta e o ônus é sequela vitalícia.
Quando a boca não abre, a anatomia do pescoço resolve.
"A definição de impossível é bem simples, é aquela que ninguém conseguiu." Escalas como Mallampati e formato anatômico tentam prever antes — mas só se confirma no momento da tentativa.
De cima para baixo, a sequência é:
"Se o médico atender, ele não se sente pronto a fazer, em momento nenhum, esse procedimento está indicado." Princípio: primum non nocere. Idealmente — chamar operador experiente que antes consegue intubar.
PMC ↓
Quem não tem proeminência fácil de palpar (mulheres, obesos): use a cricoide como ponto de partida e suba.
Cobre 100% dos casos. A pegadinha mora no tipo 2.
Glasgow ≤ 8. Ex.: TCE grave, coma neurológico. Saturação geralmente normal — pulmão está bem.
Bradi ou taquiarritmia grave (cardioversão), hipotensão refratária com altas doses de DVA. Antecipa PCR — "deixar entubado".
Maioria dos casos. Subdivide-se em tipo 1 (pulmão doente) e tipo 2 (bomba).
3 semanas após infecção (Campylobacter, IVAS, infecção de pele) → mimetismo molecular → inflamação dos funículos motores anteriores da medula → paralisia ascendente em horas → cansaço respiratório por paralisia muscular → IRpA tipo 2 neurológica. O paciente não dessatura; ele cansa.
A camada superficial cutânea, o assoalho do esvaziamento e o canal que estica.
Grupo pré-vertebral (flexores anteriores e profundos):
Escalenos (3 de cada lado): anterior, médio e posterior.
"Qual escaleno se insere na 2ª costela?" → escaleno posterior. Os outros dois (anterior e médio) vão para a 1ª. Clinicamente, escalenos são o assoalho dos esvaziamentos cervicais.
A dura-máter craniana tem continuidade com o saco dural dentro do canal vertebral — meninge única e contínua. O canal medular é móvel ("sanfona"). Em meningite, o líquor inflamado deixa as meninges sensíveis a tração.
Manobras que tracionam o canal (flexão de pescoço, flexão de pernas, Valsalva) → estiram a dura-máter inflamada → dor + travamento (rigidez nucal).
É a flexão (não a rotação lateral) que mais alonga o canal. Por isso a flexão é a manobra mais sensível.
Reto lateral pelo VI, oblíquo superior pelo IV — o resto pelo III. E uma linha de três forames bloqueia a hemiface.
Inerva o oblíquo superior.
LR6 · SO4
Os três ramos (V1, V2, V3) emergem em forames distintos da base e correspondem aos três níveis da linha facial anestésica. Lesão pode dar dor crônica e parestesias — "água espalhada por dentro do rosto".
O candidato lembra de "dedo" mas esquece que nariz, pálpebras e lábios são extremidades. Bochecha e queixo são tecnicamente permitidos — mas a malha nervosa densa pode simular AVC e gerar pânico familiar.
Três forames alinhados verticalmente, em uma única linha em cada hemiface:
SUP · INF · MEN
Em linha vertical na hemiface: supraorbital (V1) → infraorbital (V2) → mentual (V3). Anestesia bloqueia hemiface; compressão faz hemostasia em sutura.
Valécula, glote e o tubo a 22-23 cm. Côndilo, tubérculo e o som que vai pro ouvido.
Posterior na base da língua.
Espaço entre a base da língua e a epiglote — local de encaixe da lâmina do laringoscópio.
Tampa que cobre a glote.
Abertura da laringe — entrada da via aérea.
Há também as glândulas salivares menores distribuídas pela mucosa oral.
Anel fibroso entre as fissuras orbitais — origem dos 6 músculos extrínsecos do olho.
Musculatura intrínseca (íris): esfíncter da pupila → parassimpático (III); dilatador da pupila → simpático (cadeia vertebral).
Oito + catorze. Um esfenoide articula com tudo. E há os pneumáticos que adoecem.
Os ossos planos do crânio têm díploe: dupla camada de osso compacto com osso esponjoso intercalado entre elas. Isso explica como mantêm leveza com proteção.
Aplicação no supercílio sem respeitar o pedículo supraorbital → embolia para a artéria oftálmica → cegueira monocular + necrose cutânea do supercílio.
Possuem cavidades aeradas → leveza da cabeça.
Sinusite = inflamação da mucosa interna desses seios → preenchimento por secreção pós-IVAS.
Por que AVC não dá anisocoria — e por que, quando dá, é sinal de complicação.
Não pelo AVC em si, mas pela complicação: hematoma/edema → herniação → compressão do III contra a borda da tenda do cerebelo → midríase ipsilateral. Anisocoria como sinal de complicação, não de diagnóstico inicial.
Espaço: entre osso e dura. Vaso: artéria meníngea média. Trauma: alta intensidade. TC: lente biconvexa. Frequentemente letal.
Espaço: entre dura e aracnoide. Vaso: veias-ponte. Trauma: baixa intensidade (idoso, queda). TC: meia-lua (côncavo).
Atrofia cortical + anticoagulante. Quedas repetidas → recuperação → "apaga". TC com múltiplas densidades.
Espaço subaracnoide. Ruptura de aneurisma. Cefaleia "pior da vida". Sangue nas cisternas/sulcos.
Sangramento arterial → enchimento rápido → desvio de linha média e herniação em poucas horas.
Lente × Lua
1 cm anterior ao coronal + 1 cm lateral ao sagital a partir do bregma → ponto da trepanação para alívio de pressão.
Indicação principal: hidrocefalia (hiperprodução, hipodrenagem ou bloqueio).
Causas comuns de hidrocefalia: tumor de plexo coroide (hiperprodução), bloqueio de granulações aracnoides (hipodrenagem), tumor obstruindo forames de Monro (não-comunicante).
A moleira como termômetro de hidratação. A base como mapa dos pares cranianos.
Membrana fibrosa ao nascimento → permite o crescimento rápido do encéfalo até ~2 anos.
Moleiras pulsam ao toque — o cérebro pulsa. Moleira funda = sinal de desidratação no lactente: o cérebro é >75% água; quando murcha, a moleira afunda.
"O V3 é Oval, V2 é Redondo"
Diagnóstico, Investigação, Justificativa & Conduta — encadeados nas pegadinhas da aula.
Cola condensada da aula inteira em frases verificáveis.
Definições rápidas para termos que aparecem ao longo do material.