Aula I Anatomia
topográfica
A Anatomia Topográfica · 2026.1
Pôster de Estudo
Cabeça & Pescoço · Aula 1

Anatomia aplicada de Cabeça e Pescoço

Pontos de superfície, trígonos, vias aéreas e a sintaxe clínica do pescoço.

Material consolidado a partir da aula prática do médico de UTI/SAMU. Foco no que o examinador realmente cobra: correlações anatomoclínicas, pontos palpáveis para procedimentos, pegadinhas de prova e os mnemônicos que firmam a memória espacial.

trígono de sedillot cricotireoidostomia lr6 so4 paralisia central × periférica forames da base hematomas intracranianos
Capítulos12 seções editoriais
Pegadinhasdestaque integral
Mnemônicosblocos de memória
DIJCcenários de prova
Capítulo 00 · giro de aterrissagem

Quatro âncoras para a aula inteira

Antes de mergulhar no detalhe, fixe estes quatro princípios. Eles voltam disfarçados em quase toda pegadinha desta aula.

Anatomia é correlação clínica

Saber o nome do osso sem saber para que ele serve no exame físico é estéril. A aula é construída em torno de pontos palpáveis e puncionáveis, não de listas decoradas.

Pescoço é mapa de procedimentos

Reconhecer linhas e pontos de superfície do pescoço — o ECM, o trígono de Sedillot, a cartilagem cricoide — é o que diferencia médicos de urgência. É o gabarito implícito da prova.

Cuidado com o "sei tudo"

“Pior do que você não saber, é achar que está sabendo e tirar conclusão equivocada.” A pegadinha é justamente onde a impressão clínica conflita com a anatomia precisa.

Princípio: primum non nocere

Procedimentos como cricotireoidostomia não são universalmente indicados — dependem de quem está na ponta. Se você não sabe fazer, fazer piora o paciente.

· · ·
Icapítulo um · superfície do pescoço

ECM, Trígono de Sedillot & o ápice do X

Três fixações dão nome ao músculo; duas cabeças desenham o trígono; uma veia cruza por baixo.

ε
Esternocleidomastóideo · ECM

O nome é a anatomia

O nome do músculo descreve suas três fixações ósseas. Memorizar o nome é memorizar metade do mapa.

EsternoManúbrio · cabeça medial
CleidoClavícula · cabeça lateral
MastoideProcesso mastoide do temporal

Função: rotação da cabeça. Quando encurta de um lado, vira a cabeça para o lado oposto.

Complemento oficial

O material da disciplina acrescenta que o ECM se fixa também ao osso occipital, além das três fixações que dão nome ao músculo.

△
Trígono de Sedillot · acesso jugular

O X que vale uma punção

As duas cabeças do ECM (esternal e clavicular) divergem na origem e desenham um trígono. No ápice, o ECM oblíquo cruza em X com a veia jugular interna vertical.

Pegadinha de prova

Se a pergunta perguntar "qual ponto puncionar para acesso jugular interno?", a resposta é o ápice do trígono de Sedillot, onde a veia jugular cruza em X o ECM.

Quando você vem com a agulha, você pega a V.Operador na beira do leito
Mnemônico — três fixações

E · C · M

Duas cabeças → trígono → ápice em X com a jugular interna. O nome do músculo é o mapa do procedimento.

ƒ
Face e bordo da mandíbula

Pedículo facial & ângulo da mandíbula

Correção do material oficial

O pedículo facial cruza o bordo (margem) inferior da mandíbula — não o ângulo. E o nervo facial emerge do crânio pelo forame estilomastóideo, não pelo ângulo da mandíbula.

⌭
Paciente obeso na UTI

Por que a anatomia se "esconde"

Quanto mais bom você for nas linhas, mais fácil é você ver sem as linhas.
IIcapítulo dois · acessos venosos centrais

A hierarquia dos acessos & suas pegadinhas

Eletivo é uma escala; urgência é outra. Saber quando ela inverte vale ponto.

①
Eletivo · ordem de preferência

Hierarquia clássica

1
Jugular interna direitaMais prático, mais limpo, baixo risco. Trajeto direto até a cava.
2
Jugular interna esquerdaMesma lógica, lado contralateral.
3
Subclávia direitaRisco de pneumotórax/hemotórax.
4
Subclávia esquerdaMesmo risco + risco de quilotórax (ducto torácico).
5
Femoral (D = E)Sítio "sujo", desconforto, infecções. Bombas e ventilador na cabeceira.

Por que a femoral é desfavorecidaFemoral em eletivo

SujaVirilha → maior taxa de infecção.
DesconfortoIncomoda especialmente o renal crônico em diálise — cateter "engancha" na cueca.
Não-práticaMedicações e bombas ficam na cabeceira; femoral fica "lá embaixo".

Quando ela vira primeira escolhaFemoral em urgência

RCPTórax ocupado; jugular fica no campo da massagem.
InstabilidadeAcesso rápido com baixo risco de pneumotórax.
⚠ ProvaA hierarquia se inverte em urgência: a femoral assume.
Pegadinha · subclávia esquerda

Risco de quilotórax por perfuração do ducto torácico (que é maior à esquerda e desemboca no ângulo venoso esquerdo). A estrutura linfática que drena no ângulo direito é o ducto linfático direito — anatomicamente distinto.

⚠
Subclávia · cardápio de complicações

O que pode dar errado

pneumotórax hemotórax hematoma localizado quilotórax (E)

Por isso a jugular precede a subclávia na escala eletiva.

!
Caso clínico · palpação salva tempo

Os dois plantonistas

Dois colegas tentaram acesso jugular sem sucesso. Os pontos das tentativas estavam laterais ao ECM — fora do trígono, fora da veia.

Quando isso acontecer e você não tiver certeza, primeiro só fure o paciente depois de fazer um estudo ali na superfície do pescoço dele.

Conduta correta: palpar o pescoço, identificar as cabeças do ECM, localizar o ápice do trígono → puncionar.

○
Acesso jugular externo · alto e baixo

O outro X

A veia jugular externa cruza a face lateral do ECM em X com o músculo. O cruzamento divide o acesso em duas variantes:

A jugular pode ser puncionada em qualquer ponto do trajeto, desde que se conheça a anatomia.

Mnemônico — hierarquia eletiva

J · J · S · S · F

Jugular D → Jugular E → Subclávia D → Subclávia E → Femoral. Em urgência, a F vai para a frente.

IIIcapítulo três · musculatura da face

Mímica, parótida & o sanduíche do facial

A face é um circuito de pequenos músculos cutâneos com um nervo central — e ele atravessa uma glândula.

μ
Músculo epicrânio

Dois ventres, uma aponeurose

~
Mímicos pequenos

Os músculos da expressão

CorrugadoresAproximam sobrancelhas
PróceroAproxima sobrancelhas
Orbicular do olhoFecha o olho
Orbicular da bocaMovimento de sucção
RadicularesPuxam a boca → sorriso
VII
Glândula parótida e nervo facial

O sanduíche entre os lobos

O nervo facial fica em sanduíche entre os dois lobos da parótida.
Complemento oficial · 5 ramos terminais

Dentro/saindo da parótida o VII se divide nos cinco ramos: temporais, zigomáticos, bucais, marginal da mandíbula e cervical.

Mnemônico — 5 ramos do facial

"To Zanzibar By Motor Car"

IVcapítulo quatro · paralisia facial

Central × Periférica — só a boca, ou tudo?

Tema clássico da prova. A pista está na testa e na pálpebra superior.

AVCParalisia central

TipoIncompleta
AcometeApenas a boca (assimetria)
Pálpebra sup.Normal · preservada
SobrancelhaSobe normalmente
Apelido"Face do fumador de cachimbo"
OutrosHemiparesia ipsilateral (braço, perna)
CausaLesão central · cérebro

Bell · parótida · fraturaParalisia periférica

TipoCompleta
AcometeToda hemiface (testa, olho, boca)
Pálpebra sup.Caída
SobrancelhaNão sobe
ApelidoRosto "derretido", flácido
OutrosIsolada à face
CausaLesão de nervo facial periférico
Critério-chave de prova

Se a testa enruga e a sobrancelha sobe do lado paralisado, é central. Se a hemiface inteira está flácida, é periférica. A inervação dupla da parte superior do rosto é o que poupa a testa no AVC.

b
Causas de periférica

Quando suspeitar de cada uma

◐
Sinal de Bell

O olho que vira para a lateral

Paciente fecha o olho com força → o olho do lado paralisado vira para a lateral em vez de fechar.

Decorre da irritação do nervo oculomotor associada à lesão facial. Sempre testar piscando com força ao avaliar paralisia periférica.

℞
Tratamento da Bell

Janela curta

Importante para prova

Tratamento tardio (> 10 dias) → paralisia facial definitiva, com rosto flácido residual ("derretido") permanente. A janela é curta e o ônus é sequela vitalícia.

Vcapítulo cinco · via aérea difícil

Da Mallampati à membrana cricotireoidea

Quando a boca não abre, a anatomia do pescoço resolve.

Pré-tentativaClassificação preditiva

FácilQualquer médico (ou "porteiro") consegue intubar.
DifícilIntubadores experientes intubam, com dificuldade.
ImpossívelNinguém conseguiu — definição retrospectiva.

Causas comunsPor que difícil

InflamaçãoEdema de via aérea
AnatomiaLíngua grande, deformidade pós-cirurgia oncológica
BocaPoucos dentes, ferida, sangramento
TrismoTravamento mandibular (ketamina, tétano, neurolépticos)
Definição retrospectiva

"A definição de impossível é bem simples, é aquela que ninguém conseguiu." Escalas como Mallampati e formato anatômico tentam prever antes — mas só se confirma no momento da tentativa.

⌖
Cricotireoidostomia · landmarks

Pomo de Adão → membrana → cricoide

De cima para baixo, a sequência é:

Cartilagem tireóidea
"Pomo de Adão" / proeminência laríngea
▶ Membrana cricotireoidea
PONTO DA INCISÃO
▶ Cartilagem cricoide
arco completo · único anel
⌥
Técnica resumida

Os 8 passos

  1. Localizar o pomo de Adão → descer ao próximo arco maior (cricoide) → entre eles está a membrana.
  2. Incisão de pele de ~2 cm, vertical ou horizontal.
  3. Dissecar com tesoura, afastando os músculos infra-hióideos com pinça.
  4. Visualizar a membrana cricotireoidea.
  5. Furar com bisturi → sai gás (confirmação da traqueia).
  6. Introduzir tesoura, abrir a abertura.
  7. Inserir cânula de traqueostomia com balonete.
  8. Sem traqueostomo? Tubo orotraqueal padrão com balonete insuflado.
★
Caso clínico · primeira crico

O paciente com COVID e trismo

Eu fiz mais umas coisas. Na hora que eu pedi um bolo de gás, pedi bisturi, pedi a pinça, simplesmente eu estava fazendo assim, anestesiado.
Quando indicar

"Se o médico atender, ele não se sente pronto a fazer, em momento nenhum, esse procedimento está indicado." Princípio: primum non nocere. Idealmente — chamar operador experiente que antes consegue intubar.

Mnemônico — landmarks da crico

PMC ↓

Quem não tem proeminência fácil de palpar (mulheres, obesos): use a cricoide como ponto de partida e suba.

VIcapítulo seis · indicações de IOT

Os três pilares — & o tipo de IRpA que entuba sem dessaturar

Cobre 100% dos casos. A pegadinha mora no tipo 2.

III
Indicações fundamentais

Os três pilares

Pilar 01

Rebaixamento irreversível

Glasgow ≤ 8. Ex.: TCE grave, coma neurológico. Saturação geralmente normal — pulmão está bem.

Pilar 02

Instabilidade hemodinâmica

Bradi ou taquiarritmia grave (cardioversão), hipotensão refratária com altas doses de DVA. Antecipa PCR — "deixar entubado".

Pilar 03

Insuficiência respiratória

Maioria dos casos. Subdivide-se em tipo 1 (pulmão doente) e tipo 2 (bomba).

Falha de trocaIRpA tipo 1

OrigemComprometimento do parênquima pulmonar
SaturaçãoBaixa
MecanismoFalha de troca gasosa → hipoxemia
ExemplosEAP, pneumonia, TB cavitária, TEP

Falha da bombaIRpA tipo 2

OrigemComprometimento da musculatura/estímulo
SaturaçãoNormal ou pouco alterada
MecanismoHipoventilação alveolar / hiperventilação compensatória
ExemplosAcidose grave (sepse, CAD), Guillain-Barré, ELA
2
IRpA tipo 2 · subtipos

Metabólica × Neurológica

Pegadinha — Guillain-Barré

3 semanas após infecção (Campylobacter, IVAS, infecção de pele) → mimetismo molecular → inflamação dos funículos motores anteriores da medula → paralisia ascendente em horas → cansaço respiratório por paralisia muscular → IRpA tipo 2 neurológica. O paciente não dessatura; ele cansa.

Medicina é cara e crachá. Tudo que possa ser observado no paciente já foi catalogado.
VIIcapítulo sete · pescoço profundo

Platisma, escalenos, occipital & sinais meníngeos

A camada superficial cutânea, o assoalho do esvaziamento e o canal que estica.

⊝
Platisma

Único músculo cutâneo verdadeiro

≡
Pré-vertebrais & escalenos

Camadas profundas

Grupo pré-vertebral (flexores anteriores e profundos):

Escalenos (3 de cada lado): anterior, médio e posterior.

Anterior1ª costela
Médio1ª costela
Posterior2ª costela
Pegadinha clássica

"Qual escaleno se insere na 2ª costela?" → escaleno posterior. Os outros dois (anterior e médio) vão para a 1ª. Clinicamente, escalenos são o assoalho dos esvaziamentos cervicais.

⌬
Trapézio & nuca

Posterior do pescoço

C₂
Plexo cervical & nervos occipitais

Quem inerva o quê

⛓
Sinais meníngeos · mecanismo

O canal que estica a meninge

A dura-máter craniana tem continuidade com o saco dural dentro do canal vertebral — meninge única e contínua. O canal medular é móvel ("sanfona"). Em meningite, o líquor inflamado deixa as meninges sensíveis a tração.

Manobras que tracionam o canal (flexão de pescoço, flexão de pernas, Valsalva) → estiram a dura-máter inflamada → dor + travamento (rigidez nucal).

Detalhe técnico

É a flexão (não a rotação lateral) que mais alonga o canal. Por isso a flexão é a manobra mais sensível.

Manobra ativaRigidez de nuca

ComoExaminador flete passivamente o pescoço (queixo no peito).
AchadoResistência + dor; paciente flexiona joelhos/agarra a barriga para encurtar o canal.

Manobra do membroKernig

ComoDecúbito dorsal, flexão da coxa e tentativa de extensão do joelho.
AchadoDor / impossibilidade de estender.
B

Brudzinski

♥
Grandes vasos & fúrcula

Sinal de Naud Frog

VIIIcapítulo oito · nervos cranianos

Os XII pares & a anestesia da face

Reto lateral pelo VI, oblíquo superior pelo IV — o resto pelo III. E uma linha de três forames bloqueia a hemiface.

XII
Tabela canônica

Os doze pares cranianos

IOlfatório
IIÓptico
IIIOculomotor
IVTroclear
VTrigêmeo
VIAbducente
VIIFacial
VIIIVestibulococlear
IXGlossofaríngeo
XVago
XIAcessório
XIIHipoglosso
VI
Abducente · estrabismo convergente

Reto lateral preservado puxa pra fora

III
Oculomotor · estrabismo divergente

Maioria da musculatura extrínseca

IV
Troclear

Único músculo

Inerva o oblíquo superior.

Mnemônico — inervação ocular extrínseca

LR6 · SO4

X
Vago · laríngeos recorrentes

Por que descem e sobem

V
Trigêmeo · sensibilidade da face

Três ramos, três forames

Os três ramos (V1, V2, V3) emergem em forames distintos da base e correspondem aos três níveis da linha facial anestésica. Lesão pode dar dor crônica e parestesias — "água espalhada por dentro do rosto".

⊕
Anestesia facial · vasoconstritor

Onde nunca usar

Pegadinha de prova

O candidato lembra de "dedo" mas esquece que nariz, pálpebras e lábios são extremidades. Bochecha e queixo são tecnicamente permitidos — mas a malha nervosa densa pode simular AVC e gerar pânico familiar.

▓
Linha facial anestésica

Três forames, uma linha

Três forames alinhados verticalmente, em uma única linha em cada hemiface:

Supraorbital
V1
▼ Infraorbital
V2
▼ Mentual
V3
Mnemônico — linha de 3 forames

SUP · INF · MEN

Em linha vertical na hemiface: supraorbital (V1) → infraorbital (V2) → mentual (V3). Anestesia bloqueia hemiface; compressão faz hemostasia em sutura.

IXcapítulo nove · laringe, ATM & glândulas

O caminho do laringoscópio & a articulação que estala

Valécula, glote e o tubo a 22-23 cm. Côndilo, tubérculo e o som que vai pro ouvido.

L
Laringoscopia · landmarks

Tonsila → Valécula → Epiglote → Glote

L1

Tonsila lingual

Posterior na base da língua.

L2

Valécula

Espaço entre a base da língua e a epiglote — local de encaixe da lâmina do laringoscópio.

L3

Epiglote

Tampa que cobre a glote.

L4

Glote

Abertura da laringe — entrada da via aérea.

22
Tubo orotraqueal

Posicionamento & confirmação

→
Intubação seletiva

Por que sempre cai à direita

Não dá para saber [na hora]. A gente primeiro diagnostica que houve uma intubação seletiva e corrige.
⌒
ATM

Côndilo, tubérculo & DTM

G
Glândulas salivares

Três grandes & menores

ParótidaAnterior à orelha · lobos sup./prof.
SubmandibularAbaixo do assoalho da boca
SublingualDentro do assoalho · sob a língua

Há também as glândulas salivares menores distribuídas pela mucosa oral.

⏚
Palato e cavidade oral

Mapa do fundo da boca

A
Anel de Zinn

Origem dos extrínsecos do olho

Anel fibroso entre as fissuras orbitais — origem dos 6 músculos extrínsecos do olho.

Reto sup.III
Reto inf.III
Reto medialIII
Oblíq. inf.III
Reto lateralVI
Oblíq. sup.IV

Musculatura intrínseca (íris): esfíncter da pupila → parassimpático (III); dilatador da pupila → simpático (cadeia vertebral).

Xcapítulo dez · esqueleto da cabeça

Neurocrânio & viscerocrânio — 22 ossos

Oito + catorze. Um esfenoide articula com tudo. E há os pneumáticos que adoecem.

Calota / calvária · 8 ossosNeurocrânio

FrontalOriginalmente par; sutura metópica funde até ~2 anos
ParietaisPar
TemporaisPar · mais resistente
OccipitalForame magno, côndilos
EsfenoideArticula com todos os ossos do crânio
EtmoideSepto nasal, conchas sup./méd.

Face · 14 ossosViscerocrânio

FunçãoMastigação, respiração, visão
VômerSepto nasal inferior/posterior
LacrimalMenor osso da face
NasaisPar; segundo menor
Concha inf.Osso individual (um dos menores)
Estrutura óssea · díploe

Os ossos planos do crânio têm díploe: dupla camada de osso compacto com osso esponjoso intercalado entre elas. Isso explica como mantêm leveza com proteção.

F
Frontal · pegadinha

Fratura sem trauma facial visível

Botox em supercílio

Aplicação no supercílio sem respeitar o pedículo supraorbital → embolia para a artéria oftálmica → cegueira monocular + necrose cutânea do supercílio.

O
Occipital

O forame magno e seus vizinhos

T
Temporal

O mais resistente

✦
Esfenoide

O osso "borboleta"

N
Septo nasal & conchas

Etmoide + vômer + cartilagem

㊞
Ossos pneumáticos

Por que dão sinusite

Possuem cavidades aeradas → leveza da cabeça.

Frontal Maxilar Etmoidal Esfenoidal

Sinusite = inflamação da mucosa interna desses seios → preenchimento por secreção pós-IVAS.

3
Curiosidades dos menores

Lacrimal, nasais e ossículos

XIcapítulo onze · neurocirurgia aplicada

Anisocoria, hematomas, suturas & derivações

Por que AVC não dá anisocoria — e por que, quando dá, é sinal de complicação.

◑
Anisocoria

Lesão do III, não do córtex

AVC não dá anisocoria... porque a anisocoria é uma lesão de tronco.
Quando o AVC cursa com anisocoria

Não pelo AVC em si, mas pela complicação: hematoma/edema → herniação → compressão do III contra a borda da tenda do cerebelo → midríase ipsilateral. Anisocoria como sinal de complicação, não de diagnóstico inicial.

M
AVC maligno da ACM

Quando virar craniectomia

H
Hematomas intracranianos

Quatro tipos · quatro caras

Arterial · rápido

Extradural (Epidural)

Espaço: entre osso e dura. Vaso: artéria meníngea média. Trauma: alta intensidade. TC: lente biconvexa. Frequentemente letal.

Venoso · lento

Subdural agudo

Espaço: entre dura e aracnoide. Vaso: veias-ponte. Trauma: baixa intensidade (idoso, queda). TC: meia-lua (côncavo).

Crônico

Subdural crônico (HSC)

Atrofia cortical + anticoagulante. Quedas repetidas → recuperação → "apaga". TC com múltiplas densidades.

Súbito

Subaracnoide

Espaço subaracnoide. Ruptura de aneurisma. Cefaleia "pior da vida". Sangue nas cisternas/sulcos.

Por que extradural é o pior agudo

Sangramento arterial → enchimento rápido → desvio de linha média e herniação em poucas horas.

Mnemônico — hematomas na TC

Lente × Lua

⊞
Suturas e pontos craniométricos

Bregma é o cruzamento que vale

Aplicação cirúrgica · trepanação

1 cm anterior ao coronal + 1 cm lateral ao sagital a partir do bregma → ponto da trepanação para alívio de pressão.

FuroTrepanação

ComoFuro no crânio
FerramentaTréfino (furadeira)

CorteCraniotomia

ComoCorte/remoção de fragmento ósseo
FerramentaCraniótomo
DV
Derivações ventriculares

Hidrocefalia & o cateter certo

Indicação principal: hidrocefalia (hiperprodução, hipodrenagem ou bloqueio).

DVEExterna. Aguda/temporária — UTI.
DVPPeritoneal. Crônica · cavidade peritoneal.
DVA / DVJAtrial / Jugular. Pouco usada.

Causas comuns de hidrocefalia: tumor de plexo coroide (hiperprodução), bloqueio de granulações aracnoides (hipodrenagem), tumor obstruindo forames de Monro (não-comunicante).

XIIcapítulo doze · fontículos & base do crânio

Moleiras, sinostoses & os forames que importam

A moleira como termômetro de hidratação. A base como mapa dos pares cranianos.

6
Fontículos (moleiras)

Seis aberturas, dois grandes

Membrana fibrosa ao nascimento → permite o crescimento rápido do encéfalo até ~2 anos.

AnteriorFrontal-parietais · 1
PosteriorParietais-occipital · 1
EsfenoidaisAnterolaterais · 2
MastóideosPosterolaterais · 2
Sinal clínico clássico

Moleiras pulsam ao toque — o cérebro pulsa. Moleira funda = sinal de desidratação no lactente: o cérebro é >75% água; quando murcha, a moleira afunda.

∞
Sinostose

O que funde, o que ainda separa

⊙
Forames importantes da base

Quem passa onde

MagnoBulbo, medula, tonsilas cerebelares, XI, artérias vertebrais
OvalRamo mandibular do V (V3)
RedondoRamo maxilar do V (V2)
EspinhosoArtéria meníngea média
LaceradoEm vida fechado por cartilagem
Canal ópticoII + artéria oftálmica
HipoglossoXII (logo abaixo dos côndilos)
EstilomastóideoSaída do VII (nervo facial)
PalatinosVasos e nervos palatinos
SupraorbitalPedículo supraorbital (V1)
InfraorbitalPedículo infraorbital (V2)
MentualPedículo mentual (V3)
Mnemônico — V no esfenoide

"O V3 é Oval, V2 é Redondo"

⇩
Síndromes do forame magno

Arnold-Chiari & AVC vertebro-basilar

★
Pontos de referência faciais aplicados

Os 10 críticos da prova

  1. Pomo de Adão (cartilagem tireóidea) → desce até a cricoide.
  2. Cartilagem cricoide → único anel completo da via aérea.
  3. Membrana cricotireoidea → ponto da cricotireoidostomia.
  4. Trígono de Sedillot → ápice = punção jugular interna.
  5. Forames supra-/infra-/mentual → linha facial anestésica e hemostasia.
  6. Bregma → referência para trepanações neurocirúrgicas.
  7. Fúrcula esternal → projeção da crossa da aorta.
  8. Fontículo anterior → avaliação de hidratação no lactente.
  9. Forame magno → estruturas vitais; herniações.
  10. Linha nucal superior → inserção do trapézio.
★ ☙ ★
Cenários de prova · DIJC

Casos que misturam tudo

Diagnóstico, Investigação, Justificativa & Conduta — encadeados nas pegadinhas da aula.

1

Punção jugular interna sem sucesso na UTI

D
DiagnósticoTentativas laterais ao ECM — fora do trígono de Sedillot, fora da veia.
I
InvestigaçãoPalpar as duas cabeças do ECM, identificar o ápice do X com a jugular.
J
JustificativaA veia cruza por baixo do ECM no ápice do trígono — único ponto seguro às cegas.
C
CondutaReorientar o sítio. Em obeso/anatomia difícil, indicar acesso guiado por ultrassom.
2

Boca caída com hemiparesia ipsilateral em emergência

D
DiagnósticoParalisia facial central (AVC) — testa enruga, sobrancelha sobe.
I
InvestigaçãoAvaliar Glasgow, déficit focal, TC de crânio sem contraste.
J
JustificativaInervação dupla da parte superior da face poupa testa/sobrancelha em lesão central.
C
CondutaProtocolo de AVC. Anisocoria, se aparecer, sugere herniação por complicação — não AVC isolado.
3

Hemiface flácida e olho que vira na lateral

D
DiagnósticoParalisia facial periférica com sinal de Bell positivo.
I
InvestigaçãoExcluir tumor de parótida, otorragia (fratura de temporal), otite/labirintite.
J
JustificativaLesão do VII abaixo do núcleo afeta a hemiface inteira; sinal de Bell por irritação do oculomotor.
C
CondutaSe Bell idiopática → corticoide ≤ 10 dias. Tardio = sequela definitiva.
4

Trismo após indução com ketamina, paciente desaturando

D
DiagnósticoVia aérea impossível aguda — boca não abre.
I
InvestigaçãoReconhecer falha; passar imediatamente ao plano cirúrgico de via aérea.
J
JustificativaSem oxigenação, PCR é iminente; janela é em minutos.
C
CondutaCricotireoidostomia na membrana cricotireoidea. Sem traqueostomo? Tubo orotraqueal pelo pescoço.
5

CAD com pH 7,0 e saturação normal

D
DiagnósticoIRpA tipo 2 metabólica (hiperventilação compensatória esgotando-se).
I
InvestigaçãoGasometria seriada; avaliar fadiga muscular, FR e trabalho respiratório.
J
JustificativaO paciente não dessatura — entuba por cansaço da bomba ventilatória.
C
CondutaIOT preventiva quando o paciente perde a capacidade de manter ventilação compensatória.
6

Idoso anticoagulado, queda da própria altura, "apaga" 3 semanas depois

D
DiagnósticoHematoma subdural crônico (HSC).
I
InvestigaçãoTC de crânio — múltiplas densidades; revisar anticoagulante (warfarina).
J
JustificativaAtrofia cortical expõe veias-ponte; trauma leve basta para rompê-las.
C
CondutaAvaliação neurocirúrgica para drenagem; suspensão/reversão da anticoagulação.
7

Cirurgia de cisto sebáceo da bochecha com lidocaína + vasoconstritor

D
DiagnósticoBloqueio acidental de ramo do facial — boca caída transitória.
I
InvestigaçãoConfirmar resolução em horas; descartar AVC se houver fator de risco.
J
JustificativaMalha nervosa facial densa — anestésico difunde e paralisa ramos.
C
CondutaTranquilizar paciente/família; preferir anestesia sem vasoconstritor em sítios faciais densos.
8

Murmúrio reduzido à esquerda imediatamente após IOT

D
DiagnósticoIntubação seletiva, mais comum à direita (brônquio principal direito vertical).
I
InvestigaçãoAusculta comparativa; confirmação por radiografia de tórax.
J
JustificativaAnatomia brônquica direciona o tubo para o brônquio direito.
C
CondutaTracionar o tubo ~2 cm e reauscultar.
☞ chave
Súmula final

25 pontos-chave para a prova

Cola condensada da aula inteira em frases verificáveis.

  1. Anatomia é correlação clínica — o foco é em pontos de referência aplicáveis a procedimentos e exame físico.
  2. ECM se insere em três locais (esterno, clavícula, processo mastoide); suas duas cabeças formam o Trígono de Sedillot — local da punção jugular interna.
  3. Acesso jugular interno é puncionado no ápice do trígono, onde a veia cruza em X com o ECM (passa por baixo).
  4. Hierarquia eletiva: Jugular D → Jugular E → Subclávia D → Subclávia E → Femorais. Em urgência, a femoral é a primeira escolha.
  5. Riscos da subclávia: pneumotórax, hemotórax, hematoma e quilotórax (especialmente à esquerda — ducto torácico maior).
  6. Paralisia central (AVC) = só boca + sinais focais. Periférica = hemiface inteira (testa, olho, boca) flácida.
  7. Sinal de Bell (periférica): ao tentar fechar o olho, este desvia para a lateral.
  8. Tratamento da Bell: corticoide ≤ 10 dias; após esse prazo, sequela permanente.
  9. Cricotireoidostomia é feita na membrana cricotireoidea, entre a cartilagem tireóidea (Pomo de Adão) e a cricoide.
  10. Indicações de IOT: Glasgow ≤ 8, instabilidade hemodinâmica, insuficiência respiratória.
  11. IRpA tipo 1: pulmão doente, sat baixa. Tipo 2: pulmão sadio, falha de bomba — sat pode ser normal; entuba por cansaço.
  12. Guillain-Barré: paralisia ascendente pós-infecciosa (3 sem após Campylobacter, IVAS) — IRpA tipo 2 neurológica.
  13. Sinais meníngeos (rigidez, Kernig, Brudzinski) decorrem de tração da dura-máter inflamada pelo alongamento do canal vertebral.
  14. Anisocoria não é causada diretamente por AVC — quando aparece, indica complicação herniária com compressão do III. Em AVC maligno → craniectomia descompressiva.
  15. Vasoconstritor: contraindicado em dedos, nariz, pálpebras, lábios (extremidades, risco de necrose).
  16. Linha facial anestésica: forames supra- + infra- + mentual alinhados → 3 pontos bloqueiam toda a hemiface.
  17. Hematoma extradural = artéria meníngea média, lente biconvexa, evolução rápida, alta letalidade. Subdural = veias-ponte, meia-lua, idoso/anticoagulado.
  18. Esfenoide é o único osso que se articula com todos os ossos do crânio.
  19. Forame magno: bulbo, medula, tonsilas cerebelares (Arnold-Chiari), nervo XI, artérias vertebrais.
  20. Bregma = encontro coronal + sagital → referência para trepanações.
  21. Fontículo anterior afundado = sinal de desidratação no lactente (cérebro >75% água).
  22. Inervação ocular extrínseca: VI (reto lateral), IV (oblíquo superior), III (todos os demais). Mnemônico LR6 SO4.
  23. Laríngeo recorrente esquerdo dá volta na crossa da aorta; o direito na subclávia direita.
  24. Intubação seletiva é mais comum à direita (brônquio mais vertical) — diagnóstico por ausculta + RX obrigatório.
  25. Posicionamento do TOT: 22–23 cm no ângulo da boca (paciente médio) — confirmação radiográfica é mandatória.
§ glossário
Termos técnicos

Glossário consolidado

Definições rápidas para termos que aparecem ao longo do material.

ATM
Articulação temporomandibular — entre côndilo da mandíbula e fossa articular do temporal.
Trígono de Sedillot
Triângulo entre as duas cabeças do ECM. Ápice = ponto de punção jugular interna.
Anel de Zinn
Anel fibroso entre as fissuras orbitais — origem dos músculos extrínsecos do olho.
Naud Frog
Sinal de vibração da fúrcula esternal em taquiarritmia franca.
Trismo
Travamento involuntário da mandíbula. Causas: ketamina, neurolépticos, tétano.
Sinostose
Fusão das suturas cranianas após o crescimento. Metópica completa; demais parciais.
Trepanação
Furo no crânio para alívio de pressão. Ferramenta: tréfino.
Craniotomia
Corte/remoção de fragmento ósseo com craniótomo.
Síndrome de Arnold-Chiari
Descida das tonsilas cerebelares pelo forame magno — compressão.
Síndrome de Bell
Paralisia facial periférica idiopática autoimune. Tratamento: corticoide precoce.
Bregma
Encontro da sutura coronal com a sagital — referência neurocirúrgica.
Lambda
Encontro da sutura sagital com a lambdoide.
Sutura metópica
Sutura interfrontal — desaparece até ~2 anos.
Díploe
Estrutura em dupla camada de osso compacto com osso esponjoso intercalado.
Coanas
Aberturas nasais posteriores.
Valécula
Espaço entre a base da língua e a epiglote — encaixe da lâmina do laringoscópio.
Glote
Abertura da laringe.
Pedículo facial
Artéria facial + veia facial cruzando o bordo inferior da mandíbula.
HSC
Hematoma subdural crônico — idoso, anticoagulado, queda → "apaga".
EAP
Edema agudo de pulmão.
TEP
Tromboembolismo pulmonar.
TCE
Trauma cranioencefálico.
IRpA
Insuficiência respiratória aguda — tipo 1 (parênquima) ou tipo 2 (bomba).
ELA
Esclerose lateral amiotrófica — pode causar IRpA tipo 2 neurológica.
Cricotireoidostomia
Acesso à via aérea pela membrana cricotireoidea — referência informal: "acrílico".
Ambusar
Ventilar com bolsa-válvula-máscara (Ambu).
DVE
Derivação ventricular externa — aguda/temporária; mais usada na UTI.
DVP
Derivação ventricular peritoneal — crônica; cateter ventrículo → peritônio.
DVA / DVJ
Derivação ventricular atrial / jugular — crônica; pouco usada.