NUTRI · UNIDADE 01
BPM 72 05.MAI.2026
Nutrição e Saúde · 2026.1 Aula 01 Foco de prova

Obesidade,
Desnutrição
& Avaliação Nutricional

Painel clínico unificado: epidemiologia, fisiopatologia, terapêutica, fases do jejum, espectros marasmo–kwashiorkor e ferramentas de diagnóstico nutricional para internado e ambulatorial.

56,9%Excesso peso · adultos BR
1 biObesos no mundo · OMS
48,1%Desnutrição hospitalar · IBRANUTRI
735 miPessoas em fome global
01 / EPI
Sinal de base · População

Panorama epidemiológico

1.1Cenário no Brasil

O excesso de peso é estrutural na população brasileira: somando sobrepeso e obesidade, mais da metade da população adulta se enquadra em risco. A obesidade isolada já passa de 26%, justificando políticas públicas robustas de prevenção.

Se eu previno, é menos sofrimento para essa pessoa, é menos sofrimento para essa família.
⚠ Ponto de prova

O cuidado deve vir antes do tratamento. Quando se chega à intervenção cirúrgica, raramente é possível retroceder apenas com mudança de hábitos.

📚 Dado oficial

PNS/IBGE: 56,9% dos adultos com excesso de peso. Obesidade diagnosticada: 16,8% dos homens e 24,4% das mulheres.

1.2Obesidade infantil — Brasil

📚 Aprofundamento

Inquéritos do IBGE mostram aumento de 2,4% em processados e 25,5% em ultraprocessados, com associação direta ao aumento da prevalência de excesso de peso no Brasil.

1.3Cenário mundial

1.4Vulnerabilidade social & dupla carga

A obesidade não está restrita às classes mais altas: pessoas em vulnerabilidade social também desenvolvem o quadro, alimentando-se de ultraprocessados acessíveis. Em países em desenvolvimento, convivem obesidade e desnutrição simultaneamente — a chamada dupla carga nutricional.

Não adianta você ter comida, comida, comida — tem que ter comida de verdade.
📚 Dupla carga intra-domiciliar

Cerca de 60% das residências de classes menos favorecidas que possuem alguém com baixo peso também têm um membro com sobrepeso.

02 / ETI
Causalidade · Energia

Etiologia & balanço energético

2.1Fatores genéticos

📚 Pegadinha

Mutações de leptina são raríssimas em humanos. Em 90–95% dos obesos ocorre o oposto: hiperleptinemia com resistência hipotalâmica.

2.2Ambiente obesogênico

2.3Balanço energético — três componentes

TMB
Taxa metabólica basal

Energia mínima para manter funções vitais. Relativamente fixa.

Atividade física
Movimento voluntário

Componente altamente variável entre indivíduos.

ETA · ~10%
Efeito térmico dos alimentos

Energia gasta em digestão, absorção, transporte, metabolismo e armazenamento. Maior após proteínas que após lipídios.

⚠ Adaptação metabólica

Dietas muito restritivas reduzem a TMB para sobreviver — em parte pela perda de massa muscular (principal determinante do metabolismo de repouso). Por isso a perda rápida não se sustenta.

03 / SNC
Hipotálamo · Hormônios

Regulação central do apetite

O hipotálamo, no núcleo arqueado, integra sinais hormonais via duas populações de neurônios:

↑ Fome
Neurônios orexígenos

Coexpressam NPY/AgRP. Ativam a via da fome. Estimulados pela grelina (estômago).

↓ Fome · Saciedade
Neurônios anorexígenos

Coexpressam POMC/CART. Via catabólica. Respondem à leptina, insulina, GLP-1.

Hormônios envolvidos

Grelina · Estômago▲ Orexígeno
Leptina · Adipócitos▼ Saciedade
Insulina · Pâncreas▼ Saciedade central
GLP-1 · Intestino▼ Saciedade · retarda esvaziamento

Resistência à leptina — o ciclo vicioso

01Obeso tem muitos adipócitos → produz muita leptina.
02Cérebro não reconhece o sinal — resistência hipotalâmica.
03Resultado: mais fome + ↓ metabolismo.
04Círculo vicioso da obesidade se fecha.
📚 Indutores da resistência

A falha cerebral de leptina não vem só do excesso do hormônio. Também é induzida por resistência periférica à insulina, endocanabinoides elevados e altos níveis de ácidos graxos livres (dietas hiperlipídicas).

3.1Adipocinas inflamatórias

O tecido adiposo, sobretudo o visceral, é metabolicamente ativo e libera adipocinas pró-inflamatórias:

↑ Pró-inflamação
TNF-α · IL-6

Resistência à insulina periférica e inflamação sistêmica. Soma-se resistina, angiotensina I e PAI-1 (disfunção endotelial).

↓ na obesidade
Adiponectina

Sensibilizadora à insulina, protetora — porém cai na obesidade visceral.

→ Inflamação crônica + resistência à insulina + disfunção endotelial = base de toda fisiopatologia das complicações.

04 / CMP
Sistema cardiovascular & metabólico

Complicações da obesidade

4.1Diabetes Mellitus tipo 2

01Obesidade visceral → ácidos graxos livres + adipocinas inflamatórias.
02Resistência periférica à insulina.
03Pâncreas hipertrofia células beta → hiperinsulinemia compensatória.
04Exaustão das células beta → DM2.
📚 Lipotoxicidade

Falência beta também ocorre por lipotoxicidade crônica: ácidos graxos livres (palmítico) reduzem secreção e induzem apoptose nas ilhotas.

4.2Síndrome metabólica

⚠ Critérios diagnósticos · prova

Presença de 3 ou mais dos 5:

  1. Circunferência abdominal aumentada
  2. Triglicerídeos aumentados
  3. HDL baixo
  4. Pressão arterial elevada
  5. Glicemia de jejum elevada
📚 Atualização IDF

O consenso atual da International Diabetes Federation faz da circunferência abdominal aumentada um critério obrigatório, acompanhado de pelo menos 2 dos 4 restantes.

4.3Hipertensão arterial sistêmica

HAS é a principal complicação da obesidade — mecanismo multifatorial:

A hipertensão arterial não é uma coincidência com a obesidade. Ela é uma consequência fisiopatológica direta dela.
📚 Força da associação

70% dos casos de HAS em homens e 61% em mulheres podem ser atribuídos à obesidade. Cada 1 kg ganho na vida adulta eleva a sistólica em ~1 mmHg.

4.4Dislipidemia aterogênica

LDL "ruim"▲
Triglicerídeos▲
HDL "bom"▼

→ Ambiente pró-aterosclerótico: LDL oxidado + inflamação endotelial + estresse oxidativo → placas progridem mais rápido.

📚 Pegadinha qualitativa

O LDL quantitativo total no obeso muitas vezes é normal. A alteração clássica é qualitativa: aumento das partículas pequenas e densas de LDL, mais aterogênicas e não detectadas em rotina.

Disfunção endotelial

4.5Eventos cardiovasculares agudos

⚠ Causas de morte no obeso

IAM por ruptura de placa coronariana · AVC por trombose em artéria cerebral (ex.: lentículo-estriadas).

4.6Esteatose hepática (DHGNA)

01Lipólise visceral → AGL em excesso pela veia porta.
02Fígado não metaboliza tudo → acúmulo nos hepatócitos.
03Inflamação + esteatose → EHNA ("two hits": esteatose + estresse oxidativo).
04Pode progredir para cirrose.

4.7Apneia obstrutiva do sono

Consequências

📚 Mecanismo não é "puramente" mecânico

Além da gordura cervical, contam anomalias craniofaciais, hipertrofia de amígdalas/adenoides, obstrução nasal e endocrinopatias (hipotireoidismo, acromegalia).

4.8Osteoartrite

Mecânico
Sobrecarga articular

Cada quilo extra sobrecarrega joelhos e quadris → degradação precoce.

Inflamatório
TNF-α · IL-6

Citocinas atacam a cartilagem articular.

⚠ Círculo vicioso

Dor + limitação → menos atividade física → perpetuação da obesidade.

4.9Neoplasias

Cânceres mais associados à obesidade: mama, cólon, próstata, endométrio. A literatura amplia para esôfago, pâncreas, vesícula biliar e rins.

Mecanismos

  1. Inflamação crônica como promotor tumoral → ROS → dano ao DNA.
  2. Hiperinsulinemia com efeito mitogênico (receptores de fatores de crescimento) — sinergismo com IGF-1.

4.10Complicações psicossociais

⚠ Ponto de prova

Pacientes obesos têm 2 a 3× mais risco de depressão e ansiedade.

O componente psicológico é causa e consequência da obesidade.
Causa
Psicológico → obesidade
  • Estresse → ↑ cortisol → gordura visceral.
  • Depressão → ↓ exercício; consumo emocional de hiperpalatáveis.
  • TCAP (compulsão alimentar) — sem comportamento purgativo (diferencia da bulimia).
Consequência
Obesidade → psicológico
  • Estigma social, discriminação.
  • Baixa autoestima e isolamento → reforça depressão e ansiedade → fecha o ciclo.

→ Tratamento da obesidade é integrativo: nutrição + exercício + psicologia (obrigatória).

05 / RX
Terapêutica · Decisão clínica

Pirâmide terapêutica da obesidade

Princípio: cada nível superior só faz sentido sobre a base do nível inferior.

3
Cirurgia bariátrica
IMC ≥ 40 · ou IMC ≥ 35 com comorbidade
2
Tratamento farmacológico
IMC ≥ 30 · ou IMC ≥ 25 com adiposidade central/comorbidade após falha não-farmacológica
1
Mudança de estilo de vida
Dieta · exercício · terapia comportamental — para todos

5.1Dietoterapia — quatro princípios

  1. Déficit calórico de 500–1.000 kcal/dia → perda de 0,5–1 kg/semana (mais rápido = perda de massa magra).
  2. Qualidade: comida de verdade (in natura) sobre ultraprocessados.
  3. Proteína preservada — 15–20% do VET, ≥ 0,8 g/kg de peso desejável/dia. 1,2–1,5 g/kg/dia reservado a pós-bariátrica, idosos e pacientes críticos.
  4. Meta: perda de 5–10% do peso em 6 meses — limiar para melhoras metabólicas (PA, glicemia, perfil lipídico). Manter é o desafio.

5.2Exercício físico

150 min/sem
Aeróbico

Melhora cardiovascular, queima calórica.

2–3×/sem
Resistido

↑ TMB, preserva massa magra.

Misto
Combinação

Melhora sensibilidade à insulina.

5.3Tratamento farmacológico

⚠ Princípio

O medicamento nunca substitui a mudança de estilo de vida — é sempre adjuvante.

Sibutramina
↑ Saciedade central

Inibe recaptação de serotonina e noradrenalina no SNC.

Contraindicação

HAS e doença cardiovascular — noradrenalina ativa o simpático e eleva PA.

Orlistate
↓ Absorção de gordura

Inibe reversivelmente lipases gastrintestinais (gástrica e pancreática) — reduz até 30% da absorção de gordura.

⚠ Efeito adverso: esteatorreia.

Análogos de GLP-1
Semaglutida · Liraglutida

Estimulam saciedade hipotalâmica, retardam esvaziamento gástrico, aumentam secreção de insulina dependente da glicose e suprimem glucagon.

Perda de até 15% do peso, com controle glicêmico.

5.4Cirurgia bariátrica

📚 Critério CFM

Pré-requisito: IMC e comorbidades nas faixas indicadas por ≥ 2 anos contínuos, com falha de tratamento clínico documentada. Exceção: superobesos (IMC > 50) e doenças progressivas/de risco elevado.

⚠ Avaliação multidisciplinar obrigatória

Nutricionista · psicólogo · endocrinologista.

06 / PED
Pediatria · Prevenção

Obesidade infantil

⚠ Ponto de prova

80% de chance de criança obesa virar adulto obeso — quando ambos os pais têm excesso de peso. Cai para 40% com 1 progenitor; <10% sem nenhum.

6.1Fatores que perpetuam

6.2Prevenção

  1. Aleitamento materno exclusivo até 6 meses — fator protetor comprovado, com efeito dose-dependente (até 87% de redução de risco com amamentação por ≥ 24 meses).
  2. Evitar açúcar e ultraprocessados até os 2 anos.
  3. Estímulo ao movimento e à brincadeira — pular corda, correr, brincar já bastam.
07 / DSN
Diagnóstico · Etiologia

Desnutrição & critérios GLIM

7.1Definição (revisão de 2004)

Desequilíbrio entre crescimento/degradação de tecidos e a reserva corporal, com alterações na composição e na função do corpo.

📚 Etiologia inflamatória atual

A desnutrição moderna se classifica conforme inflamação: relacionada à inanição (sem inflamação), a doenças crônicas (inflamação leve/moderada) e a lesão/doença aguda (resposta inflamatória acentuada).

7.2Critérios GLIM

Para diagnóstico: 1 fenotípico + 1 etiológico.

Fenotípicos · ≥ 1
O que se vê / mede
  • Perda de peso involuntária
  • Baixo IMC
  • Redução de massa muscular
Etiológicos · ≥ 1
O que causa
  • ↓ ingestão / má absorção
  • Doença ou inflamação aguda/crônica

7.3Etiologias possíveis

Inflamatória
↑ gasto energético

Sepse, doenças inflamatórias, parasitoses.

Mal absortiva
↓ absorção

Doença de Crohn, parasitoses.

Por privação
Falta de acesso

Pobreza, insegurança alimentar.

Iatrogênica · hospitalar
Sistema de saúde

Jejuns prolongados e restrições mal indicadas.

08 / IBR
Estudo seminal · Brasil

Desnutrição hospitalar — IBRANUTRI

Contexto histórico (até início dos 90): a terapia nutricional era negligenciada e não financiada no Brasil. Dr. Waitzberg conduziu um estudo seminal:

Amostra
4.000 pacientes

45,4% SUS · 26,1% hospitais-escola · 14,5% conveniados · 14,1% filantrópicos.

Método
Avaliação Subjetiva Global (ASG)

Anamnese + exame físico padronizados.

Resultados

Algum grau de desnutrição48,1%
Desnutrição grave12,6%
Prontuários com info nutricionalapenas 18%
Receberam terapia nutricionalapenas 7%
⚠ Marco para prova

O IBRANUTRI expôs a falha sistêmica e levou o governo a financiar a terapia nutricional no Brasil.

📚 Tempo de internação piora

31,8% de desnutridos nas primeiras 48h da admissão. Após >15 dias internados → 61%.

📚 Impacto clínico-financeiro

Complicações: 27% (desnutridos) vs 16,8% (nutridos). Mortalidade: 12,4% vs 4,7%. Custos hospitalares: +60,5%.

09 / JEJ
Bioquímica · Adaptação

Fisiologia do jejum

9.1Fases

0–12h
Inicial

Pós-refeição → uma noite de sono.

12–48h
Intermediário

Pular refeições por mais tempo.

> 72h
Prolongado

Atualização: jejum prolongado se estabelece após 72h; o que o define é a adaptação cerebral a corpos cetônicos, não só a cetogênese.

9.2Quadro hormonal

Insulina▼ glicose cai
Glucagon▲ glicogenólise + gliconeogênese
Leptina▼ ↑ fome
Cortisol▲ gliconeogênese
GH▲ lipólise
Catecolaminas▲ mobilização energética

9.3Jejum inicial · 0–12h

📚 Esgotamento do glicogênio

Estoques hepáticos esgotam-se em 12–24h (~15h). Daí em diante, manter glicemia depende da gliconeogênese.

9.4Jejum intermediário · 12–48h

9.5Jejum prolongado · > 72h

⚠ O que define o jejum prolongado

Não é só a cetogênese (já presente no agudo). É a capacidade do cérebro de captar corpos cetônicos como combustível principal — só assim a proteólise é poupada.

Combustível por tecido — jejum prolongado

CérebroCorpos cetônicos (60–70%) + glicose
HemáciasGlicose única opção — sem mitocôndrias, anaeróbias
MúsculoÁcidos graxos / corpos cetônicos

→ A glicose fica reservada para cérebro e hemácias.

10 / SPC
Espectros clínicos

Marasmo · Kwashiorkor · Mista

Crônica · balanceada
Marasmo

Deficiência balanceada de calorias e proteínas. Processo lento — corpo se adapta (↓ TMB, ↓ insulina, ↑ lipólise; QR ~ 0,75).

Cronicidade
Crônica
Edema
Ausente
Albumina
Normal
Aparência
"Pele e osso" · face de velho (perda da bola de Bichat)
Hepatomegalia
Ausente
Aguda · proteica
Kwashiorkor

Deficiência predominante de proteína com calorias relativamente preservadas. Nome de origem africana — "doença que a criança mais velha desenvolve quando o novo bebê nasce".

Cronicidade
Aguda
Edema
Bilateral (sinal do cacifo +)
Albumina
Baixa → causa do edema
Aparência
"Gordinha" enganosa · face de lua cheia
Fígado
Hepatomegalia (esteatose por falha de VLDL + ↑ lipogênese hepática)
Cabelo
Fino, quebradiço, despigmentado avermelhado; "sinal de bandeira"
Pele
Dermatose cosmética descamativa (flaky paint)
Imunidade
Imunodeficiência → infecções oportunistas
Mortalidade
~ 19,5%
Combinada
Marasmo–Kwashiorkor

Desnutrido crônico que sofre insulto agudo (infecção, trauma, cirurgia) → soma o edema do kwashiorkor à emaciação do marasmo.

Cronicidade
Crônica + agudização
Edema
Presente
Albumina
Baixa
Aparência
Mista
Mortalidade
~ 35%
⚠ Pegadinha do edema

No Kwashiorkor o edema pode mascarar a desnutrição — a criança parece "gordinha" mas está gravemente desnutrida.

📚 Nomenclatura clínica atual

Hoje se prefere desnutrição aguda (em substituição a kwashiorkor) e desnutrição crônica (em substituição a marasmo).

11 / AVN
Ferramentas · Triagem

Avaliação nutricional

11.1Antropométrica

⚠ Cuidado

A CB isolada pode ser enganosa — braço grosso por gordura. A circunferência muscular do braço é mais específica.

11.2Bioquímica

Meia-vida ~21 dias
Albumina

Reflete estado crônico. Pouco específica — varia com inflamação, hidratação, função hepática.

Meia-vida ~2 dias
Pré-albumina (transtirretina)

Mais sensível a alterações agudas — preferida para monitoramento imediato.

11.3Clínica

11.4Avaliação Subjetiva Global (ASG)

Método consagrado no Brasil pelo IBRANUTRI. Combina anamnese (peso, ingestão, sintomas, capacidade funcional) + exame físico (perda de gordura, perda muscular, edema).

📚 ASG vs TNS

A ASG é método de diagnóstico nutricional (identifica grau). Para uso como triagem (apenas risco), usa-se a Triagem Nutricional Subjetiva (TNS).

11.5Reflexões finais — comportamento

Eu vou almoçar, eu quero comida de verdade.
12 / DJC
DIJC · Cenários prováveis

DIJC para prova

Direito ao próximo júri clínico — cenários estilo prova com gabarito direto. Toque mental antes de ler a resposta.

Q01Síndrome metabólica
Mulher 52a, CA 92 cm, TG 180, HDL 38, PA 138/86, glicemia 112. Tem síndrome metabólica?
Resposta · Sim. Pelos critérios clássicos: 5/5. Pela IDF, CA aumentada é obrigatória + ≥ 2 dos demais — ela preenche.
Q02Farmacologia
Hipertenso descontrolado quer perder peso. Sibutramina ou orlistate?
Resposta · Sibutramina é contraindicada em HAS e doença CV (estímulo simpático). Pensar orlistate ou GLP-1, sempre como adjuvante a estilo de vida.
Q03GLP-1
Mecanismo principal da semaglutida no controle glicêmico?
Resposta · Estimula secreção de insulina dependente da glicose nas células β, suprime glucagon, retarda esvaziamento gástrico e induz saciedade. Não "mimetiza glucagon".
Q04Dislipidemia
Obeso com LDL total normal. Pode estar protegido?
Resposta · Não. A alteração clássica é qualitativa: ↑ LDL pequeno e denso, altamente aterogênico, não detectado em rotina.
Q05Apneia do sono
Mecanismo da SAOS é puramente mecânico pelo acúmulo de gordura cervical?
Resposta · Não. Há também anormalidades craniofaciais, hipertrofia de amígdalas/adenoides, hipotireoidismo e acromegalia.
Q06DM2
Por que a célula β falha no obeso, além da exaustão por hiperinsulinemia?
Resposta · Lipotoxicidade: ácidos graxos livres (palmítico) reduzem secreção, transcrição e induzem apoptose das células β.
Q07Pediatria
"Toda criança obesa tem 80% de chance de adulto obeso." Verdadeiro?
Resposta · Falso como genérico. 80% só quando ambos os pais têm excesso de peso. 40% com 1 progenitor; <10% sem nenhum.
Q08GLIM
Quantos critérios são necessários para diagnosticar desnutrição pelo GLIM?
Resposta · 1 fenotípico (perda de peso, baixo IMC ou perda muscular) + 1 etiológico (↓ ingestão/má absorção ou doença/inflamação).
Q09IBRANUTRI
Qual achado do estudo levou ao financiamento da terapia nutricional no SUS?
Resposta · 48,1% de desnutrição hospitalar; 12,6% grave; apenas 7% recebiam terapia nutricional — exposição da falha sistêmica.
Q10Jejum
Após 72h de jejum, qual o combustível principal do cérebro?
Resposta · Corpos cetônicos (60–70%) + glicose. Hemácias seguem dependentes exclusivos de glicose (sem mitocôndrias).
Q11Marasmo × Kwashiorkor
Criança "gordinha" com edema bilateral, cabelo descolorado e hepatomegalia. Hipótese?
Resposta · Kwashiorkor (desnutrição aguda proteica). Albumina baixa explica o edema; esteatose por falha de exportação de VLDL e ↑ lipogênese.
Q12Marcador laboratorial
Qual marcador é mais útil para detectar mudança aguda no estado nutricional?
Resposta · Pré-albumina (transtirretina), meia-vida ~2 dias. Albumina (~21 dias) reflete estado crônico e sofre influência inflamatória.
Q13Bariátrica
Paciente IMC 38, DM2, falhou tratamento clínico há 18 meses. Indicação cirúrgica?
Resposta · Ainda não. CFM exige IMC e comorbidades nas faixas indicadas há ≥ 2 anos contínuos com falha clínica documentada (exceto superobesos > 50 ou doenças progressivas).
Q14Adipocinas
Quais adipocinas estão alteradas no obeso e em que sentido?
Resposta · ↑ TNF-α, IL-6, resistina, PAI-1, angiotensina I (pró-inflamação, disfunção endotelial). ↓ adiponectina (perde efeito sensibilizador à insulina).
Q15Mortalidade
Comparativo de mortalidade: marasmo, kwashiorkor e mista?
Resposta · Marasmo < Kwashiorkor (~19,5%) < Mista (~35%). A mista soma riscos da agudização sobre o desnutrido crônico.
∞ / GLO
Vocabulário-chave

Glossário

Adipocina
Substância produzida pelo tecido adiposo (leptina, adiponectina, TNF-α).
ASG
Avaliação Subjetiva Global — método clínico de diagnóstico do estado nutricional.
DHGNA
Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica.
EHNA
Esteato-hepatite Não Alcoólica.
GLIM
Global Leadership Initiative on Malnutrition — critérios consensuais.
GLP-1
Glucagon-like peptide-1 — incretina anorexígena, insulinotrópica, supressora de glucagon.
Glicogenólise
Quebra de glicogênio hepático para liberar glicose.
Gliconeogênese
Síntese de glicose a partir de precursores não-glicídicos: alanina, lactato, glicerol e glutamina (renal).
Hiperinsulinemia
Insulina cronicamente elevada — em geral por resistência periférica.
Hiperpalatável
Ultraprocessado que ativa o sistema de recompensa cerebral.
IBRANUTRI
Estudo brasileiro multicêntrico que evidenciou a desnutrição hospitalar.
Kwashiorkor
Desnutrição proteica aguda com edema; nome de origem africana.
Marasmo
Desnutrição crônica calórico-proteica balanceada, sem edema.
PNS
Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE).
Sinal do cacifo
Depressão na pele após pressão digital — sinal de edema.
TMB
Taxa Metabólica Basal.
TNF-α / IL-6
Citocinas pró-inflamatórias secretadas pelo tecido adiposo visceral.
TCAP
Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica — episódios sem comportamento purgativo.