Atlas Noturno
2026.1 Aula 01 07·05
Anatomia Topográfica Aula prática · cadáver Procedimento clínico

Membro Superior
& Acesso Venoso Central

Revisão prática em peça anatômica — músculos, artérias, veias e plexo braquial — finalizando com punção de subclávia pela técnica de Seldinger.

4blocos da peça
1·2·3ramos por porção da axilar
C5–T1plexo braquial
23pontos para prova
§ 01
Abertura

Considerações iniciais

1.1Perda de referenciais anatômicos

A peça da artéria axilar e suas porções foi compartimentada (tronco rebatido). Antes era íntegra; agora alguns referenciais clássicos não estão mais visualizáveis:

Quando foi compartimentada, primeiro eu perdi o referencial anatômico, segundo que foi tolhado um rumo de coisa.

1.2Minicurso de sutura

Antes do fim da disciplina, haverá minicurso de prática cirúrgica (ponto cirúrgico), com foco prático.

Material do alunoPorta-agulhas + pinçaPode ser Wizard. Os fios e o restante do material são fornecidos.
LogísticaTurma única ou divididaSe a turma for muito grande, será dividida em duas — uma manhã inteira por turma.

1.3Sobre a prova

Ainda não há definição se será objetiva ou subjetiva. O conteúdo é o mesmo já dado em sala, podendo haver pequena pincelada de aplicação clínica.

Não vai sair daquilo que vocês já estudaram, que foi dado em sala.
§ 02
Bloco 1 da peça

Músculos do ombro & braço

2.1Toracoapendiculares anteriores

Conjunto da parede torácica e ombro — formalmente denominados músculos toracoapendiculares anteriores (ou fixadores do membro superior).

superficial · anteriorPeitoral maiorInserção bem visível. Referencial topográfico: o mamilo.
profundoPeitoral menorGeralmente solto na peça; divide a artéria axilar em três porções.
ombroDeltoideRecobre a articulação glenoumeral.
infraclavicularSubclávio"Um fiapo" abaixo da clavícula. Difícil de marcar em prova quando a peça está sem clavícula.
lateral · "grande dentado"Serrátil anteriorVisto por trás do peitoral. As digitações na parede torácica deram o nome de "grande dentado".

2.2Compartimento anterior do braço

Quatro músculos formam o compartimento flexor do braço:

  1. Bíceps braquial — cabeça longa · lateral, insere no tubérculo supraglenoidal
  2. Bíceps braquial — cabeça curta · medial, insere no processo coracoide
  3. Coracobraquial · perfurado pelo nervo musculocutâneo
  4. Braquial · profundo, abaixo dos dois feixes do bíceps
Mnemônico · pegadinha do bíceps
LL = Longa Lateral
A cabeça longa do bíceps fica do lado lateral e tem a inserção mais alta — no tubérculo supraglenoidal. A cabeça curta, do lado medial, insere no processo coracoide. "Bíceps é LL: longa lateral."
▲ atenção — prova · correção do material oficial

O professor disse em aula que "a cabeça curta parece ser só a cabeça curta, mas é o maior". Pelo material da disciplina, o correto é: a cabeça curta apenas aparenta ser maior nas peças anatômicas. Na realidade ela é menor; é a cabeça longa que possui maior comprimento por ter inserção mais superior (tubérculo supraglenoidal).

2.3Coracobraquial & nervo musculocutâneo

O coracobraquial é identificado de forma inequívoca pelo nervo musculocutâneo, que perfura o seu ventre muscular.

Não tem como errar — está passando o nervo aqui dentro.
⟶ fluxo de identificação

Nervo musculocutâneo perfura o ventre → coracobraquial → braquial está logo abaixo dele.

O músculo braquial tem dupla inervação: nervo musculocutâneo + ramo do nervo radial.

2.4Manguito rotador

Quatro músculos da escápula que estabilizam a cabeça do úmero na cavidade glenoide durante abdução, adução e rotação:

acima da espinhaSupraespinalPequeno, "patinho". Acima da espinha da escápula.
abaixo da espinhaInfraespinalMais largo. Abaixo da espinha da escápula.
posterior · lateralRedondo menorLogo abaixo do infraespinal.
face anterior da escápulaSubescapularMúsculo grandão, todo na frente da escápula.
Gatilho de memória · espinha como horizonte
A espinha divide · supra ↑ · infra ↓
A espinha da escápula é a linha do horizonte: o que está acima é o supraespinal, o que está abaixo é o infraespinal. Atenção: o redondo MAIOR fica abaixo do redondo menor, mas NÃO faz parte do manguito rotador.

2.5Compartimento posterior do braço — tríceps

Três cabeças, inervadas pelo nervo radial, responsáveis pela extensão do cotovelo:

A medial é muito difícil de marcar, porque geralmente não está bem dissecada. A gente sempre entende que ela está aqui.
§ 03
Bloco 2 da peça

Músculos do antebraço

3.1Princípio organizador

AnteriorFlexoresTudo que está na parte da frente. Posição mais palmar.
PosteriorExtensoresTudo que está atrás. Posição mais dorsal. Inervação pelo nervo radial (e seu ramo profundo, interósseo posterior).
Tudo que está na parte da frente, anterior, é flexor. Tudo que está posterior é extensor.

3.2Braquiorradial — pegadinha de classificação

▲ atenção — prova

O material oficial da disciplina classifica o braquiorradial de forma inequívoca como pertencente à camada superficial do compartimento POSTERIOR do antebraço, com inervação pelo nervo radial. Funcionalmente, porém, ele atua como flexor do cotovelo — daí a confusão recorrente sobre a sua categoria.

3.3Extensores do antebraço · face posterior

Identificação em ordem laterolateral. Todos inervados pelo nervo radial (ou seu ramo profundo, o interósseo posterior).

II · indicadorTendão exclusivoExtensor do indicador (camada profunda).
III · IVSem tendão exclusivoApenas o extensor dos dedos.
V · mínimoTendão exclusivoExtensor do dedo mínimo.

3.4Tabaqueira anatômica

Depressão dorsal no punho que se forma ao colocar a mão como se fosse pegar uma pitada de fumo — daí o nome. Suas paredes:

parede lateralAbdutor longo do polegar
parede lateralExtensor curto do polegar
parede medialExtensor longo do polegarVem "lá de dentro" — trajeto realmente longo.
▲ atenção — prova · conteúdo da tabaqueira

Na chave de resposta, a estrutura dentro da tabaqueira anatômica é a artéria radial — é onde se palpa o pulso radial.

3.5Demais músculos da mão

Não serão cobrados em detalhe nesta prova: interósseos (1º a 4º), músculos da palma e lumbricais.

§ 04
Bloco 3 · vasos

Vasos arteriais

4.1Origem da circulação arterial

Coração→arco da aorta
Tronco braquiocefálico→carótida + subclávia
1º ramo da subclávia: vertebral
seguintes (cortados na peça): tronco tireocervical, torácica interna
Lateralidade · correçãoO fluxo Aorta → tronco braquiocefálico → carótida + subclávia aplica-se ao lado direito. À esquerda, a carótida comum esquerda e a subclávia esquerda nascem diretamente do arco da aorta, sem passar pelo tronco braquiocefálico.

4.2Artéria axilar — divisão em três porções

Começa na margem da 1ª costela e termina na margem inferior do redondo maior (a partir daí, passa a se chamar braquial). A divisão em porções é dada pelo peitoral menor.

Mnemônico · regra de ouro
Porção 1·2·3 = 1·2·3 ramos
A 1ª porção tem 1 ramo, a 2ª tem 2 ramos, a 3ª tem 3 ramos. Posição relativa ao peitoral menor.
1ªacima
acima do peitoral menor · 1 ramo
Torácica superior
2ªatrás
por trás do peitoral menor · 2 ramos
Toracoacromial · Torácica lateral
3ªabaixo
abaixo do peitoral menor · 3 ramos
Subescapular · Circunflexa anterior do úmero · Circunflexa posterior do úmero

4.3Detalhes dos ramos

3ª porção · maior calibreSubescapularReconhecida pelos vários ramos que penetram no músculo subescapular. É a mais grossa entre os ramos da terceira porção.
circunflexa anterior"Fio de cabelo"Muito fina, sangra muito; difícil de marcar.
circunflexa posteriorMais grossaMais facilmente identificável. Acompanha o nervo axilar no espaço quadrangular.
aplicação clínicaFraturas do úmeroFraturas da cabeça ou corpo do úmero podem lesar as circunflexas — complicação clínica grave.
A circunflexa anterior do úmero parece um fio de cabelo. Ela é tão pequena.

4.4Braquial & divisão na fossa cubital

Axilar→ margem inferior do redondo maior
Braquial (com ramo braquial profunda, acompanha o nervo radial)
na fossa cubital divide-se em: radial + ulnar

4.5Artéria radial

4.6Artéria ulnar — mais calibrosa

Ulnar→ramo recorrente ulnar
emite a artéria interóssea comum
divide-se em: interóssea anterior + interóssea posterior
segue como ulnar até a mão
▲ atenção — prova

A interóssea posterior atravessa a membrana interóssea para irrigar os músculos extensores do antebraço (compartimento posterior).

4.7Arcos palmares

Na mão, as artérias radial e ulnar formam dois arcos por anastomose:

arcoPalmar superficial
arcoPalmar profundo
Arcos palmares→artérias digitais comuns
→artérias digitais próprias · laterais dos dedos

4.8Síntese — trajeto arterial completo

Aorta→ tronco braquiocefálico
→Subclávia→Axilar (3 porções · 1·2·3 ramos)
→Braquial (+ braquial profunda)
→ fossa cubital · divisão
Radial→ tabaqueira
Ulnar→ interóssea comum→ ant. + post.
→Arcos palmares (superficial + profundo)
→ digitais comuns→ digitais próprias
§ 05
Bloco 3 · vasos

Vasos venosos

5.1Princípio organizador — sistema duplo

Sistema 1Veias superficiaisCefálica · basílica · intermédia do cotovelo · mediana do antebraço · rede venosa dorsal da mão.
Sistema 2Veias profundasAcompanham as artérias homônimas: radial, ulnar, braquial.

5.2Veias superficiais

lateral · do polegarVeia cefálicaTrajeto lateral. Mantém o nome cefálica até o braço.
medial · do mínimoVeia basílicaTrajeto medial. Mantém o nome basílica até o braço.
fossa cubitalIntermédia do cotoveloAnastomose entre cefálica e basílica. Sítio clássico de acesso venoso periférico.
Gatilho de memória · lateralidade
Cefálica = polegar lateral
"Cefálica" lembra cabeça/topo — fica do lado do polegar, lateral. A basílica, por exclusão, é medial (do lado do dedo mínimo).

5.3Drenagem para a axilar

Basílica + Braquial→ formam a veia axilar
Cefálica→ drena diretamente na veia axilar
Axilar→Subclávia→Braquiocefálica→Cava superior→ coração
Correção · sequência venosa centralA sequência completa do retorno venoso passa pelas veias braquiocefálicas antes da cava superior: subclávia → braquiocefálica → cava superior. Não é direto da subclávia para a cava.

5.4Veias profundas

Sintopia neurovascular: se tem artéria, tem veia.
Correção terminológicaO termo correto para a relação de proximidade constante entre artéria, veia e nervo correspondentes é sintopia neurovascular. Sintopia visceral (mencionado em aula) refere-se à relação anatômica entre órgãos diferentes.
§ 06
Bloco 4 da peça

Plexo braquial

6.1Organização geral

▲ atenção — prova

Origem: ramos ventrais (anteriores) dos nervos espinais de C5 a T1.

Mnemônico · sequência (decorar a ordem)
Raízes → Troncos → Divisões → Fascículos → Nervos
Cinco etapas, da medula ao músculo. Importante: as "raízes" aqui são, formalmente, os ramos ventrais dos nervos espinais — não confundir com as raízes anteriores e posteriores que saem da medula.

6.2O que se vê & o que não se vê na peça

não visíveisRaízes & troncosAtorados na peça (superior, médio, inferior). O aluno deve saber que existem.
visíveisFascículosLateral · medial (mais calibroso) · posterior. Posição em relação aos vasos axilares.

6.3Fascículos & ramos

lateral aos vasos axilares Fascículo lateral Origina o nervo musculocutâneo (perfura o coracobraquial), o nervo peitoral lateral, e contribui para a formação do nervo mediano.
medial · mais calibroso Fascículo medial Origina o nervo ulnar, peitoral medial, cutâneo medial do braço, cutâneo medial do antebraço, e contribui para o nervo mediano.
posterior · profundo Fascículo posterior Origina os nervos radial e axilar (entre outros).

6.4Lesões dos nervos terminais — sinais clínicos

Tipo de questão clássica: descrição clínica de trauma → identificar qual nervo foi lesado pela apresentação postural da mão.

N. radial · fascículo posterior
Mão caída
Incapacidade de extensão do punho. Cenário típico: queda de bicicleta com fratura do úmero (sulco do nervo radial).
▸ Mnemônico: Radial = caída
N. ulnar · fascículo medial
Mão em garra
Hiperextensão das metacarpofalângicas e flexão das interfalângicas dos dedos IV e V.
▸ Mnemônico: Ulnar = garra
N. mediano · contribuição lat. + med.
Mão de bênção
Ao tentar fechar o punho, os dedos II e III não fletem — fica o gesto da bênção.
▸ Mnemônico: Mediano = bênção
N. axilar · fascículo posterior
Comprometimento do deltoide
Dificuldade de abdução do braço. Trafega no espaço quadrangular junto à artéria circunflexa posterior do úmero.
N. musculocutâneo · fascículo lateral
Perfura o coracobraquial
Único nervo do membro superior que perfura o ventre de um músculo — referência topográfica do coracobraquial.
É de "águia" caída? Não. Caída é radial.

6.5Identificação prática dos nervos na peça

§ 07
Aplicação clínica

Acesso venoso central

7.1Tipos & indicações

acesso periféricoUso geralSoros, antibióticos comuns.
acesso CENTRALDrogas vasoativas · NPT · diáliseCateter cuja ponta fica em veia cava ou átrio direito.
acesso intraósseoEmergênciaQuando os outros falham.
▲ atenção — prova

Droga vasoativa NÃO se administra em acesso periférico. Drogas vasoativas, nutrição parenteral e diálise → SEMPRE acesso central.

Droga vasoativa NÃO se administra em acesso periférico. Droga vasoativa é acesso central. Nutrição parenteral, acesso central. Diálise, acesso central.

7.2Sítios possíveis para acesso central

preferencialVeia subclávia · direitaLado direito é preferido. À esquerda há risco de lesão do ducto torácico → quilotórax.
cervicalVeia jugular internaNão confundir com a carótida — esta é artéria; sua punção é complicação acidental (hematoma cervical).
inguinalVeia femoralSítio alternativo para diálise.
cenário típicoPaciente hipotensoDessaturando, precisando de droga vasoativa imediatamente.
Correção anatômicaEm aula, o sítio cervical foi citado como "jugular interna (carótida)". A carótida é artéria e não é sítio de acesso venoso central — sua punção durante o procedimento constitui complicação (hematoma cervical). O sítio correto é a veia jugular interna.

7.3Passo a passo · subclávia

  1. 1
    Preparo

    Degermação ampla. Paramentação completa: gorro, máscara, capote, luvas estéreis. Posicionar campo cirúrgico sobre a região subclávia. Auxiliar abre o kit estéril.

    Não é cirurgia — mas tem alto risco de contaminação por proximidade a órgãos vitais.

  2. 2
    Anestesia local — lidocaína SEM vasoconstritor

    Aspirar lidocaína. Sempre aspirar antes de injetar — sangue na aspiração indica posição intravascular indesejada. Anestesiar em leque subcutâneo até o periósteo da clavícula.

  3. ▲
    Por que SEM vasoconstritor — prova

    O paciente já está hipotenso, com hipoperfusão tecidual e baixo retorno venoso. Adicionar vasoconstrição local agravaria o quadro.

  4. 3
    Referencial anatômico

    Dividir a clavícula mentalmente em três terços. A punção é feita entre o 2º e o 3º terço (transição médio/lateral), 1 a 2 cm abaixo da borda inferior da clavícula. A agulha aponta para o manúbrio do esterno (fúrcula esternal).

    Por quê? A veia subclávia passa logo abaixo da clavícula, antes da 1ª costela — depois dela já é veia axilar.

  5. 4
    Punção & localização da veia

    Introduzir a agulha calibrosa em direção ao manúbrio, sempre aspirando. Sangue venoso = chegou à veia. Em dúvida: injetar pequena quantidade de soro e reaspirar — se voltar avermelhado, confirma posição intravascular.

  6. 5
    Técnica de Seldinger — fio-guia

    Agulha encontra a veia → introduzir fio-guia pela agulha → retirar a agulha (mantendo o fio) → passar dilatador sobre o fio (alarga o trajeto subcutâneo) → retirar dilatador → introduzir cateter sobre o fio → retirar fio-guia → fixar.

    Nunca soltar a extremidade do fio-guia — risco de migração intravascular.

  7. 6
    Fixação

    Convencional: usa o "manelzinho" próprio do kit; passa por dentro, puxa, faz nó cirúrgico.

    "Bailarino": cruzamento em "X" como o laço da sapatilha de balé — ponto cirúrgico cruzado, sem prender o cateter, permitindo mais mobilidade do paciente.

  8. 7
    Teste do acesso

    Conectar seringa com soro/ABD em cada lúmen. Testar fluxo e refluxo — se entra soro e volta sangue facilmente, o acesso está pérvio e funcionante.

7.4Riscos & complicações

+ comumPneumotóraxPunção da pleura visceral durante a passagem da agulha.
vascularHemotóraxLesão de vaso intratorácico.
localHematomaLocalizado no sítio de punção.
à esquerdaQuilotóraxLesão do ducto torácico — motivo da preferência pela subclávia direita.

7.5Aplicações imediatas após acesso confirmado

§ 08
Cenários de prova · DIJC

Dúvidas inteligentes & pegadinhas

D · cenário 01 — trauma de membro

Paciente cai de bicicleta e fica com a mão "caindo" — não consegue estender o punho. Qual nervo foi lesado?

Avaliar a postura típica da mão e relacionar com o trajeto do nervo.

Resposta: nervo radial — origina-se do fascículo posterior do plexo braquial. Mão caída = radial.
D · cenário 02 — punção

Paciente em choque hipotensor precisa de noradrenalina. O técnico pergunta se pode passar em acesso periférico. Você responde?

Razão fisiológica e regra de prova.

Resposta: não. Drogas vasoativas exigem acesso CENTRAL (subclávia direita preferencialmente, jugular interna ou femoral). Em periférico, há risco de extravasamento e isquemia tecidual.
D · cenário 03 — anestesia

Por que NÃO usar lidocaína com vasoconstritor na anestesia local da punção subclávia?

Pensar no estado hemodinâmico do paciente.

Resposta: o paciente já está hipotenso e hipoperfundido. Vasoconstrição adicional comprometeria ainda mais o retorno venoso e a perfusão tecidual. Por isso usa-se lidocaína sem vasoconstritor.
D · cenário 04 — anatomia da peça

Você precisa identificar o coracobraquial em uma peça anatômica. Qual é o "selo de identidade" desse músculo?

Pensar em uma estrutura que perfura o ventre.

Resposta: o nervo musculocutâneo — único nervo do membro superior que perfura um ventre muscular. "Está passando o nervo aqui dentro."
D · cenário 05 — tabaqueira

Na tabaqueira anatômica, qual é a estrutura vascular que se palpa?

Localização precisa.

Resposta: a artéria radial, que termina passando dentro da tabaqueira anatômica.
D · cenário 06 — porções da axilar

Qual a regra mnemônica para o número de ramos de cada porção da artéria axilar?

Posição em relação ao peitoral menor.

Resposta: 1·2·3. 1ª porção (acima do peitoral menor) → 1 ramo (torácica superior). 2ª porção (atrás) → 2 ramos (toracoacromial + torácica lateral). 3ª porção (abaixo) → 3 ramos (subescapular + circunflexa anterior + circunflexa posterior do úmero).
D · cenário 07 — lateralidade do CVC

Por que se prefere a veia subclávia DIREITA para acesso venoso central?

Risco anatômico exclusivo do lado esquerdo.

Resposta: o ducto torácico desemboca à esquerda (junção da subclávia esquerda com a jugular interna esquerda). Punção à esquerda pode lesá-lo, causando quilotórax.
D · cenário 08 — bíceps

"Olhando a peça, a cabeça curta do bíceps parece maior que a longa." Verdadeiro ou falso?

Aparência ≠ realidade anatômica.

Resposta: aparência sim, realidade não. A cabeça curta apenas aparenta ser maior nas peças. Na realidade, a cabeça longa tem maior comprimento total porque sua inserção é mais superior (tubérculo supraglenoidal). Mnemônico: LL = Longa Lateral.
§ 09
Caderno de prova

Pontos-chave para prova

Bíceps braquial — LL. Longa é Lateral, Curta é medial. A cabeça curta aparenta ser maior nas peças, mas é a longa que tem maior comprimento total (inserção alta no tubérculo supraglenoidal).

Coracobraquial = nervo musculocutâneo que o perfura. Selo de identidade.

Manguito rotador = SItS: Supraespinal + Infraespinal + redondo menor + Subescapular. A espinha da escápula divide supra (acima) e infra (abaixo). Redondo MAIOR não pertence ao manguito.

Antebraço: anterior = flexores; posterior = extensores. Braquiorradial é classificado oficialmente como posterior (camada superficial), com inervação radial — apesar de funcionar como flexor.

Tabaqueira anatômica formada por 3 músculos: abdutor longo do polegar, extensor curto do polegar, extensor longo do polegar. Conteúdo principal: artéria radial.

Axilar 1·2·3: 1ª (acima do peitoral menor) → torácica superior. 2ª (atrás) → toracoacromial + torácica lateral. 3ª (abaixo) → subescapular + circunflexa anterior + circunflexa posterior do úmero.

Subescapular = ramo mais calibroso da 3ª porção. Circunflexa anterior é "fio de cabelo"; posterior é mais grossa. Ambas abraçam o úmero.

Limites topográficos: subclávia → axilar (margem da 1ª costela até margem inferior do redondo maior) → braquial → radial + ulnar (na fossa cubital).

Da ulnar nasce a interóssea comum → divide-se em interóssea anterior + posterior. A posterior atravessa a membrana interóssea para irrigar os extensores.

Arcos palmares: radial + ulnar formam dois arcos (superficial e profundo) → digitais comuns → digitais próprias.

Veias superficiais: cefálica (lateral, do polegar) + basílica (medial, do mínimo) + intermédia do cotovelo (acesso periférico) + mediana do antebraço + rede venosa dorsal.

Drenagem venosa: basílica + braquial → axilar; cefálica drena diretamente na axilar; axilar → subclávia → braquiocefálica → cava superior.

Plexo braquial: C5 a T1 (ramos ventrais). Sequência: raízes → troncos → divisões → fascículos → nervos. Fascículos: lateral, medial (mais calibroso), posterior.

Lesões nervosas: radial → mão caída · ulnar → mão em garra · mediano → mão de bênção. Axilar → comprometimento do deltoide.

Indicações de CVC: drogas vasoativas, nutrição parenteral, diálise. Drogas vasoativas NUNCA em acesso periférico.

Sítios de CVC: subclávia (preferencialmente direita), jugular interna, femoral. Carótida é artéria — sua punção é complicação acidental.

Anestesia local: lidocaína SEM vasoconstritor — paciente já hipotenso/hipoperfundido.

Referencial de punção subclávia: transição entre 2º e 3º terço da clavícula, 1–2 cm abaixo da borda inferior, agulha apontada para a fúrcula esternal.

Técnica de Seldinger: agulha → fio-guia → dilatador → cateter → retirar fio-guia → fixar. Nunca soltar a extremidade do fio-guia.

Sempre aspirar antes de injetar — sangue na aspiração indica posição intravascular indesejada.

Confirmação de posição na veia: sangue venoso aspirado; em dúvida, injetar pequena quantidade de soro e reaspirar.

Teste final do CVC: fluxo e refluxo em todos os lumens com soro/ABD.

Complicação mais comum da punção subclávia: pneumotórax. Outras: hemotórax, hematoma local. À esquerda: quilotórax (lesão do ducto torácico).

§ 10
Apêndice

Glossário anatômico

Tabaqueira anatômica
Depressão dorsal no punho, formada por extensor longo do polegar (medial) e abdutor longo + extensor curto do polegar (lateral); contém a artéria radial.
Manguito rotador
Conjunto de 4 músculos (supraespinal, infraespinal, redondo menor, subescapular) que estabilizam a cabeça do úmero na cavidade glenoide durante abdução, adução e rotação.
LL (mnemônico)
Cabeça Longa do bíceps é Lateral; cabeça curta é medial.
Sintopia neurovascular
Princípio de proximidade constante entre artéria, veia e nervo correspondentes — caminham juntos. Não confundir com sintopia visceral, que se refere a relação entre órgãos.
Mão caída
Sinal clínico de lesão do nervo radial — incapacidade de extensão do punho.
Mão em garra
Sinal clínico de lesão do nervo ulnar — hiperextensão das MTC e flexão das IF dos dedos IV e V.
Mão de bênção
Sinal clínico de lesão do nervo mediano — à tentativa de fechar a mão, II e III dedos não fletem.
Espaço quadrangular
Região anatômica posterior ao úmero por onde passam o nervo axilar e a artéria circunflexa posterior do úmero.
Técnica de Seldinger
Técnica de inserção de cateter usando fio-guia: agulha → fio-guia → dilatador → cateter → retirar fio-guia → fixar.
Acesso venoso central (CVC)
Cateter cuja ponta fica em veia cava ou átrio direito.
Droga vasoativa
Medicação que altera tônus vascular (ex.: noradrenalina); requer acesso central.
Degermação
Limpeza antisséptica da pele antes de procedimento invasivo.
Anastomose
União entre dois vasos.
Fossa cubital
Região anterior do cotovelo onde a artéria braquial se bifurca em radial e ulnar.
Quilotórax
Acúmulo de linfa na cavidade pleural, geralmente por lesão do ducto torácico — risco do acesso subclávio à esquerda.
Pneumotórax
Ar na cavidade pleural — complicação mais comum da punção da veia subclávia.