Membro Superior
& Acesso Venoso Central
Revisão prática em peça anatômica — músculos, artérias, veias e plexo braquial — finalizando com punção de subclávia pela técnica de Seldinger.
Considerações iniciais
1.1Perda de referenciais anatômicos
A peça da artéria axilar e suas porções foi compartimentada (tronco rebatido). Antes era íntegra; agora alguns referenciais clássicos não estão mais visualizáveis:
- clavícula
- tronco tireocervical
- artéria torácica interna
Quando foi compartimentada, primeiro eu perdi o referencial anatômico, segundo que foi tolhado um rumo de coisa.
1.2Minicurso de sutura
Antes do fim da disciplina, haverá minicurso de prática cirúrgica (ponto cirúrgico), com foco prático.
1.3Sobre a prova
Ainda não há definição se será objetiva ou subjetiva. O conteúdo é o mesmo já dado em sala, podendo haver pequena pincelada de aplicação clínica.
Não vai sair daquilo que vocês já estudaram, que foi dado em sala.
Músculos do ombro & braço
2.1Toracoapendiculares anteriores
Conjunto da parede torácica e ombro — formalmente denominados músculos toracoapendiculares anteriores (ou fixadores do membro superior).
2.2Compartimento anterior do braço
Quatro músculos formam o compartimento flexor do braço:
- Bíceps braquial — cabeça longa · lateral, insere no tubérculo supraglenoidal
- Bíceps braquial — cabeça curta · medial, insere no processo coracoide
- Coracobraquial · perfurado pelo nervo musculocutâneo
- Braquial · profundo, abaixo dos dois feixes do bíceps
O professor disse em aula que "a cabeça curta parece ser só a cabeça curta, mas é o maior". Pelo material da disciplina, o correto é: a cabeça curta apenas aparenta ser maior nas peças anatômicas. Na realidade ela é menor; é a cabeça longa que possui maior comprimento por ter inserção mais superior (tubérculo supraglenoidal).
2.3Coracobraquial & nervo musculocutâneo
O coracobraquial é identificado de forma inequívoca pelo nervo musculocutâneo, que perfura o seu ventre muscular.
Não tem como errar — está passando o nervo aqui dentro.
Nervo musculocutâneo perfura o ventre → coracobraquial → braquial está logo abaixo dele.
O músculo braquial tem dupla inervação: nervo musculocutâneo + ramo do nervo radial.
2.4Manguito rotador
Quatro músculos da escápula que estabilizam a cabeça do úmero na cavidade glenoide durante abdução, adução e rotação:
2.5Compartimento posterior do braço — tríceps
Três cabeças, inervadas pelo nervo radial, responsáveis pela extensão do cotovelo:
- Cabeça lateral — superior e externa
- Cabeça longa — posterior, mais central
- Cabeça medial — mais profunda
A medial é muito difícil de marcar, porque geralmente não está bem dissecada. A gente sempre entende que ela está aqui.
Músculos do antebraço
3.1Princípio organizador
Tudo que está na parte da frente, anterior, é flexor. Tudo que está posterior é extensor.
3.2Braquiorradial — pegadinha de classificação
O material oficial da disciplina classifica o braquiorradial de forma inequívoca como pertencente à camada superficial do compartimento POSTERIOR do antebraço, com inervação pelo nervo radial. Funcionalmente, porém, ele atua como flexor do cotovelo — daí a confusão recorrente sobre a sua categoria.
3.3Extensores do antebraço · face posterior
Identificação em ordem laterolateral. Todos inervados pelo nervo radial (ou seu ramo profundo, o interósseo posterior).
- Braquiorradial · camada superficial
- Extensor radial longo do carpo · mais lateral
- Extensor radial curto do carpo · abaixo do longo
- Extensor dos dedos · ao puxar, distende todos os dedos juntos
- Extensor do dedo mínimo · tendão exclusivo para o V dedo
- Extensor ulnar do carpo
- Extensor do indicador · cruza por baixo, exclusivo para o II dedo · camada profunda
3.4Tabaqueira anatômica
Depressão dorsal no punho que se forma ao colocar a mão como se fosse pegar uma pitada de fumo — daí o nome. Suas paredes:
Na chave de resposta, a estrutura dentro da tabaqueira anatômica é a artéria radial — é onde se palpa o pulso radial.
3.5Demais músculos da mão
Não serão cobrados em detalhe nesta prova: interósseos (1º a 4º), músculos da palma e lumbricais.
Vasos arteriais
4.1Origem da circulação arterial
4.2Artéria axilar — divisão em três porções
Começa na margem da 1ª costela e termina na margem inferior do redondo maior (a partir daí, passa a se chamar braquial). A divisão em porções é dada pelo peitoral menor.
4.3Detalhes dos ramos
A circunflexa anterior do úmero parece um fio de cabelo. Ela é tão pequena.
4.4Braquial & divisão na fossa cubital
4.5Artéria radial
- Mais lateral.
- Desce no antebraço — palpável no pulso radial.
- Termina passando na tabaqueira anatômica.
- Trajeto direto, sem grandes ramos importantes para esta aula.
4.6Artéria ulnar — mais calibrosa
A interóssea posterior atravessa a membrana interóssea para irrigar os músculos extensores do antebraço (compartimento posterior).
4.7Arcos palmares
Na mão, as artérias radial e ulnar formam dois arcos por anastomose:
4.8Síntese — trajeto arterial completo
Vasos venosos
5.1Princípio organizador — sistema duplo
5.2Veias superficiais
5.3Drenagem para a axilar
5.4Veias profundas
- Veia radial · acompanha a artéria radial.
- Veia ulnar · acompanha a artéria ulnar.
- Veia braquial · acompanha a artéria braquial. Não está bem visualizada na peça.
Sintopia neurovascular: se tem artéria, tem veia.
Plexo braquial
6.1Organização geral
Origem: ramos ventrais (anteriores) dos nervos espinais de C5 a T1.
6.2O que se vê & o que não se vê na peça
6.3Fascículos & ramos
6.4Lesões dos nervos terminais — sinais clínicos
Tipo de questão clássica: descrição clínica de trauma → identificar qual nervo foi lesado pela apresentação postural da mão.
É de "águia" caída? Não. Caída é radial.
6.5Identificação prática dos nervos na peça
- Mediano — tem duas raízes (lateral + medial) que formam o "M" característico junto à artéria axilar.
- Radial — bem grosso, segue para posterior.
- Axilar — posterior ao úmero, junto com a circunflexa posterior do úmero (espaço quadrangular).
Acesso venoso central
7.1Tipos & indicações
Droga vasoativa NÃO se administra em acesso periférico. Drogas vasoativas, nutrição parenteral e diálise → SEMPRE acesso central.
Droga vasoativa NÃO se administra em acesso periférico. Droga vasoativa é acesso central. Nutrição parenteral, acesso central. Diálise, acesso central.
7.2Sítios possíveis para acesso central
7.3Passo a passo · subclávia
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1Preparo
Degermação ampla. Paramentação completa: gorro, máscara, capote, luvas estéreis. Posicionar campo cirúrgico sobre a região subclávia. Auxiliar abre o kit estéril.
Não é cirurgia — mas tem alto risco de contaminação por proximidade a órgãos vitais.
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2Anestesia local — lidocaína SEM vasoconstritor
Aspirar lidocaína. Sempre aspirar antes de injetar — sangue na aspiração indica posição intravascular indesejada. Anestesiar em leque subcutâneo até o periósteo da clavícula.
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▲Por que SEM vasoconstritor — prova
O paciente já está hipotenso, com hipoperfusão tecidual e baixo retorno venoso. Adicionar vasoconstrição local agravaria o quadro.
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3Referencial anatômico
Dividir a clavícula mentalmente em três terços. A punção é feita entre o 2º e o 3º terço (transição médio/lateral), 1 a 2 cm abaixo da borda inferior da clavícula. A agulha aponta para o manúbrio do esterno (fúrcula esternal).
Por quê? A veia subclávia passa logo abaixo da clavícula, antes da 1ª costela — depois dela já é veia axilar.
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4Punção & localização da veia
Introduzir a agulha calibrosa em direção ao manúbrio, sempre aspirando. Sangue venoso = chegou à veia. Em dúvida: injetar pequena quantidade de soro e reaspirar — se voltar avermelhado, confirma posição intravascular.
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5Técnica de Seldinger — fio-guia
Agulha encontra a veia → introduzir fio-guia pela agulha → retirar a agulha (mantendo o fio) → passar dilatador sobre o fio (alarga o trajeto subcutâneo) → retirar dilatador → introduzir cateter sobre o fio → retirar fio-guia → fixar.
Nunca soltar a extremidade do fio-guia — risco de migração intravascular.
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6Fixação
Convencional: usa o "manelzinho" próprio do kit; passa por dentro, puxa, faz nó cirúrgico.
"Bailarino": cruzamento em "X" como o laço da sapatilha de balé — ponto cirúrgico cruzado, sem prender o cateter, permitindo mais mobilidade do paciente.
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7Teste do acesso
Conectar seringa com soro/ABD em cada lúmen. Testar fluxo e refluxo — se entra soro e volta sangue facilmente, o acesso está pérvio e funcionante.
7.4Riscos & complicações
7.5Aplicações imediatas após acesso confirmado
- Droga vasoativa em bomba de infusão (noradrenalina e similares).
- Adenosina em bolus se taquicardia ventricular: "paciente com TV, precisa de adenosina na hora — injeta".
- Nutrição parenteral total, antibióticos irritantes, soluções hiperosmolares.
Dúvidas inteligentes & pegadinhas
Paciente cai de bicicleta e fica com a mão "caindo" — não consegue estender o punho. Qual nervo foi lesado?
Avaliar a postura típica da mão e relacionar com o trajeto do nervo.
Paciente em choque hipotensor precisa de noradrenalina. O técnico pergunta se pode passar em acesso periférico. Você responde?
Razão fisiológica e regra de prova.
Por que NÃO usar lidocaína com vasoconstritor na anestesia local da punção subclávia?
Pensar no estado hemodinâmico do paciente.
Você precisa identificar o coracobraquial em uma peça anatômica. Qual é o "selo de identidade" desse músculo?
Pensar em uma estrutura que perfura o ventre.
Na tabaqueira anatômica, qual é a estrutura vascular que se palpa?
Localização precisa.
Qual a regra mnemônica para o número de ramos de cada porção da artéria axilar?
Posição em relação ao peitoral menor.
Por que se prefere a veia subclávia DIREITA para acesso venoso central?
Risco anatômico exclusivo do lado esquerdo.
"Olhando a peça, a cabeça curta do bíceps parece maior que a longa." Verdadeiro ou falso?
Aparência ≠ realidade anatômica.
Pontos-chave para prova
Bíceps braquial — LL. Longa é Lateral, Curta é medial. A cabeça curta aparenta ser maior nas peças, mas é a longa que tem maior comprimento total (inserção alta no tubérculo supraglenoidal).
Coracobraquial = nervo musculocutâneo que o perfura. Selo de identidade.
Manguito rotador = SItS: Supraespinal + Infraespinal + redondo menor + Subescapular. A espinha da escápula divide supra (acima) e infra (abaixo). Redondo MAIOR não pertence ao manguito.
Antebraço: anterior = flexores; posterior = extensores. Braquiorradial é classificado oficialmente como posterior (camada superficial), com inervação radial — apesar de funcionar como flexor.
Tabaqueira anatômica formada por 3 músculos: abdutor longo do polegar, extensor curto do polegar, extensor longo do polegar. Conteúdo principal: artéria radial.
Axilar 1·2·3: 1ª (acima do peitoral menor) → torácica superior. 2ª (atrás) → toracoacromial + torácica lateral. 3ª (abaixo) → subescapular + circunflexa anterior + circunflexa posterior do úmero.
Subescapular = ramo mais calibroso da 3ª porção. Circunflexa anterior é "fio de cabelo"; posterior é mais grossa. Ambas abraçam o úmero.
Limites topográficos: subclávia → axilar (margem da 1ª costela até margem inferior do redondo maior) → braquial → radial + ulnar (na fossa cubital).
Da ulnar nasce a interóssea comum → divide-se em interóssea anterior + posterior. A posterior atravessa a membrana interóssea para irrigar os extensores.
Arcos palmares: radial + ulnar formam dois arcos (superficial e profundo) → digitais comuns → digitais próprias.
Veias superficiais: cefálica (lateral, do polegar) + basílica (medial, do mínimo) + intermédia do cotovelo (acesso periférico) + mediana do antebraço + rede venosa dorsal.
Drenagem venosa: basílica + braquial → axilar; cefálica drena diretamente na axilar; axilar → subclávia → braquiocefálica → cava superior.
Plexo braquial: C5 a T1 (ramos ventrais). Sequência: raízes → troncos → divisões → fascículos → nervos. Fascículos: lateral, medial (mais calibroso), posterior.
Lesões nervosas: radial → mão caída · ulnar → mão em garra · mediano → mão de bênção. Axilar → comprometimento do deltoide.
Indicações de CVC: drogas vasoativas, nutrição parenteral, diálise. Drogas vasoativas NUNCA em acesso periférico.
Sítios de CVC: subclávia (preferencialmente direita), jugular interna, femoral. Carótida é artéria — sua punção é complicação acidental.
Anestesia local: lidocaína SEM vasoconstritor — paciente já hipotenso/hipoperfundido.
Referencial de punção subclávia: transição entre 2º e 3º terço da clavícula, 1–2 cm abaixo da borda inferior, agulha apontada para a fúrcula esternal.
Técnica de Seldinger: agulha → fio-guia → dilatador → cateter → retirar fio-guia → fixar. Nunca soltar a extremidade do fio-guia.
Sempre aspirar antes de injetar — sangue na aspiração indica posição intravascular indesejada.
Confirmação de posição na veia: sangue venoso aspirado; em dúvida, injetar pequena quantidade de soro e reaspirar.
Teste final do CVC: fluxo e refluxo em todos os lumens com soro/ABD.
Complicação mais comum da punção subclávia: pneumotórax. Outras: hemotórax, hematoma local. À esquerda: quilotórax (lesão do ducto torácico).
Glossário anatômico
- Tabaqueira anatômica
- Depressão dorsal no punho, formada por extensor longo do polegar (medial) e abdutor longo + extensor curto do polegar (lateral); contém a artéria radial.
- Manguito rotador
- Conjunto de 4 músculos (supraespinal, infraespinal, redondo menor, subescapular) que estabilizam a cabeça do úmero na cavidade glenoide durante abdução, adução e rotação.
- LL (mnemônico)
- Cabeça Longa do bíceps é Lateral; cabeça curta é medial.
- Sintopia neurovascular
- Princípio de proximidade constante entre artéria, veia e nervo correspondentes — caminham juntos. Não confundir com sintopia visceral, que se refere a relação entre órgãos.
- Mão caída
- Sinal clínico de lesão do nervo radial — incapacidade de extensão do punho.
- Mão em garra
- Sinal clínico de lesão do nervo ulnar — hiperextensão das MTC e flexão das IF dos dedos IV e V.
- Mão de bênção
- Sinal clínico de lesão do nervo mediano — à tentativa de fechar a mão, II e III dedos não fletem.
- Espaço quadrangular
- Região anatômica posterior ao úmero por onde passam o nervo axilar e a artéria circunflexa posterior do úmero.
- Técnica de Seldinger
- Técnica de inserção de cateter usando fio-guia: agulha → fio-guia → dilatador → cateter → retirar fio-guia → fixar.
- Acesso venoso central (CVC)
- Cateter cuja ponta fica em veia cava ou átrio direito.
- Droga vasoativa
- Medicação que altera tônus vascular (ex.: noradrenalina); requer acesso central.
- Degermação
- Limpeza antisséptica da pele antes de procedimento invasivo.
- Anastomose
- União entre dois vasos.
- Fossa cubital
- Região anterior do cotovelo onde a artéria braquial se bifurca em radial e ulnar.
- Quilotórax
- Acúmulo de linfa na cavidade pleural, geralmente por lesão do ducto torácico — risco do acesso subclávio à esquerda.
- Pneumotórax
- Ar na cavidade pleural — complicação mais comum da punção da veia subclávia.