Pulgas adultas são hematófagas; larvas não são — comem matéria orgânica/fezes do adulto. Parasito temporário = visita o hospedeiro só para se alimentar (não é definido pela fase do ciclo). Tunga penetrans é exceção (parasito permanente).
Pulgas são holometábolas (ovo → larva → casulo+pupa → adulto), com fases muito distintas — entender isso é a base do controle ambiental.
Controle de infestação por pulgas exige quebrar o ciclo no ambiente; atacar só os adultos não resolve.
Pulex irritans → “pulga do ser humano”, generalista, hoje doença negligenciada; transmite peste mas não é a melhor transmissora; é hospedeira intermediária de Dipylidium e Hymenolepis nana.
Ctenocephalides sp. → cão/gato; ctenídios genal e pronotal fixam ao pelo; não fixa no humano; importante na Dipylidium caninum; pesquisas com PCR sugerem papel mecânico em leishmaniose visceral canina.
Xenopsylla cheopis → ratos sinantrópicos; vetor da peste no ciclo urbano; sem ctenídios; sutura mesopleural vertical; espermateca fortemente pigmentada.
A peste existe no Brasil: focos no Nordeste e residuais no Sudeste (norte de MG, serra do RJ); reservatórios = ratos silvestres; vetor silvestre = Polygenis spp.; último caso humano: 2005, Ceará.
Tunga penetrans (bicho-de-pé): só a fêmea fecundada penetra; lesão típica é pérola com ponto negro central; prevenção pelo uso de calçados; risco de tétano, gangrena gasosa, sepse, autoamputação.
Diferenciação morfológica das pulgas: presença/ausência de ctenídios + sutura mesopleural + espermateca. Pulex sem ctenídios; Ctenocephalides com ctenídios genal+pronotal; Xenopsylla sem ctenídios mas com sutura mesopleural.
Piolho da cabeça (P. h. capitis) NÃO é falta de higiene — afeta principalmente escolares (e pré-escolares no BR).
Piolho do corpo (P. h. corporis) SIM está associado a más condições de higiene; vive nas roupas; vetor de tifo epidêmico (pela fezes) e febre recorrente (pelo esmagamento).
Lêndea próxima ao couro cabeludo = infestação ativa; lêndea acima de ~0,7 cm da raiz é provavelmente morta/vazia (e não “1 cm” da regra popular).
Tratamento de pediculose da cabeça hoje prioriza pente fino + sufocamento (creme/óleo); pediculicidas só em casos selecionados — risco de resistência e intoxicação.
Pthirus pubis (“chato”): transmissão predominantemente sexual; em cílios/sobrancelhas de criança, suspeita obrigatória de abuso sexual infantil.
Picada da pulga é mais irritante que a do mosquito; pápulas/nódulos ~1 cm. Em quadros muito exagerados em criança, suspeitar mais de pulga.
Diferentemente das pulgas, não se desenvolve tolerância à saliva dos piolhos; prurido permanece intenso ao longo da vida.
O termo correto é infestação (não “infecção”) para ectoparasitos.
Em perícia / corpo de delito com lesões pruriginosas, examinar as roupas — o piolho-do-corpo está fixado nas fibras, não na pele.