Ficha Editorial · Anatomia Topográfica Vol. 04 / 2026.1
⚕ Aula 15·MAI·2026 Pelve · Períneo Vascularização

Pelve:
o funil
muscular
e seus
segredos clínicos. Diafragma · Períneo · Ureter × Uterina · Pudendo

Região de transição entre abdome e membros inferiores que aloja três sistemas viscerais vizinhos — urinário, digestivo terminal e reprodutivo. Esta ficha disseca o assoalho pélvico em forma de funil, o losango perineal, a vascularização pela ilíaca interna e as relações fatais que decidem a prova — e a iatrogenia.

Aula Anatomia da Pelve
Foco Diafragma · Períneo
Pegadinha Mestra Água ↓ Sangue
Pontos para prova 25 essenciais
§ 01

Pelve: transição entre dois mundos

Anatomia · Visão geral

A pelve é zona de fronteira entre abdome e membros inferiores, no esqueleto apendicular inferior. Concentra um arsenal de estruturas ósseas, musculares e viscerais com peso clínico e cirúrgico desproporcional ao seu volume.

Então, a região é extremamente rica em termos de estruturas. — observação da aula

1.1 · Ossos da pelve

Ossos do quadril Coxal

Três componentes fundidos em um só osso: ílio, ísquio e púbis.

Anterior
União pela sínfise púbica
Posterior
União pelo sacro
Sacro Axial

Terminalização da coluna — 5 vértebras sacrais consolidadas.

Cóccix Vestígio

Osso rudimentar logo após o sacro, em geral com 3 (às vezes 4) vértebras rudimentares, sem estrutura geral de uma vértebra.

Articulações sacroilíacas Articulação

Conectam o sacro aos ossos do quadril, em arquitetura de carga.

1.2 · Três sistemas viscerais — vizinhos, isolados

3 · 2 Orifícios pélvicos
  • ♀3 orifícios — uretra, vagina, ânus
  • ♂2 orifícios — uretra, ânus
Por que importa Mais orifícios = mais brechas no diafragma pélvico = mulher é estruturalmente mais vulnerável a prolapsos.
§ 02

Diafragma pélvico: o funil muscular

Anatomia muscular

Estrutura muscular em forma de funil (larga na entrada, afunilando inferiormente) que fecha a pelve por baixo e sustenta as vísceras. O principal componente é o músculo levantador do ânus — um único músculo com três porções fundidas.

Eles são fundidos, eles formam um músculo só, porém com três componentes separados.

2.1 · Inserção — arco tendíneo

O levantador do ânus se insere numa fáscia condensada chamada arco tendíneo do músculo levantador do ânus. Este arco é, na verdade, a fáscia condensada do músculo obturador interno, que ocupa o forame obturado. Cada hemimetade do levantador insere-se nesse arco.

2.2 · As três porções do levantador do ânus

Pubococcígeo Maior

Vai do púbis ao cóccix, em forma de leque expandindo-se para a região coccígea. Forma os esfíncteres internos da uretra, vagina e ânus.

Função-chave
Esfíncteres internos viscerais
Risco
Mais lesado no parto (proximidade vaginal)
Puborretal Alça

Faz uma alça em torno do reto, criando uma flexura/angulação no canal anal — fundamental para a continência retal.

Geometria
Sling muscular ao redor do reto
Função
Continência fecal
Iliococcígeo Menor

Porção mais lateralizada — origina-se no ílio e termina no cóccix. Fecha a porção mais lateral do diafragma pélvico.

!
Pegadinha de prova

O puborretal forma uma alça (flexura) ao redor do reto, criando a angulação que é essencial para a continência retal. Se perguntarem "qual porção mantém a continência fecal?" — é o puborretal.

PIP 3 porções do levantador do ânus
  • PPubococcígeo — o maior, faz esfíncteres internos
  • IIliococcígeo — o menor, lateraliza
  • PPuborretal — alça do reto, continência fecal
Truque adicional "PR puxa o reto" — Puborretal forma a alça em torno do reto. Se a alça falha, vaza fezes.

2.3 · Músculo isquiococcígeo (coccígeo)

i
Não confundir

O isquiococcígeo (ou simplesmente "coccígeo") NÃO faz parte do levantador do ânus — é um músculo separado, menor. Vai do túber isquiático (porção óssea palpável ao sentar) até o cóccix. Junto com o levantador, fecha todo o assoalho pélvico.

§ 03

Funções, esfíncteres & prolapsos

Fisiologia · Patologia

3.1 · Continência visceral — duplo selo

Os orifícios viscerais que atravessam o diafragma pélvico são guardados por esfíncteres em dupla camada:

Esfíncter interno Profundo

Formado pelo pubococcígeo — parte do levantador do ânus.

Esfíncter externo Superficial

Formado pela musculatura perineal — camada mais externa.

3.2 · Sustentação contra pressão intra-abdominal

O diafragma pélvico atua sinergicamente com a musculatura abdominal anterior e perineal para resistir a aumentos de pressão.

Tosse excessiva Vômito Defecação Parto
!
Pegadinha de prova

Se a musculatura do assoalho pélvico não estiver efetiva, as vísceras pélvicas tendem a prolapsar através dos orifícios.

3.3 · Vulnerabilidade feminina — três prolapsos clássicos

Pelo parto, sedentarismo e obesidade, as fibras musculares sofrem avulsão (alargamento) e a continência colapsa.

Prolapso genital Útero

Útero desce e exterioriza-se pelo canal vaginal.

Cistocele Bexiga

Bexiga projeta-se pela parede anterior da vagina.

Retocele Reto

Parede anterior do reto projeta-se no canal vaginal.

A parede anterior da vagina é a parede da uretra feminina.
Frente · Cima · Atrás Topografia dos prolapsos femininos
  • ↑Útero desce do alto — prolapso genital
  • ◀Cisto na frente — Cistocele, parede anterior
  • ▶Reto atrás — Retocele, parede posterior (sentido vaginal)
Como aplicar Bexiga vive na frente da vagina → cistocele empurra a parede anterior. Reto vive atrás → retocele empurra do outro lado. Útero está no topo → desce.
♂
Por que homem não prolapsa

Mesmo a próstata (análoga ao útero) não prolapsa, porque o compartimento muscular masculino tem menos orifícios e é mais fechado.

§ 04

Períneo: losango de dois triângulos

Topografia · Camadas musculares

O períneo está logo abaixo do diafragma pélvico, fechando a saída da pelve. Tem forma de losango, dividido em dois triângulos por uma linha imaginária entre os túberes isquiáticos.

4.1 · Os dois trígonos

Trígono urogenital Anterior

Contém a uretra e (na mulher) a vagina.

Trígono anal Posterior

Contém o canal anal.

Limites laterais: túberes isquiáticos (direito e esquerdo).

4.2 · Corpo perineal — o nó central

No centro do losango, entre o trígono urogenital e o anal, há uma massa muscular e musculotendínea extremamente densa. Junta a camada profunda (logo abaixo do diafragma pélvico) e a camada superficial (mais externa) dos músculos perineais.

4.3 · Camadas musculares

Camada superficial — eréteis

Isquiocavernoso Superficial

Mais lateralizado, na região isquiática; envolve o corpo cavernoso.

Bulboesponjoso Superficial

Envolve estruturas eréteis — corpo esponjoso no homem; bulbos do vestíbulo na mulher (forma de ferradura envolvendo uretra, canal vaginal e clitóris).

Camada profunda — transversos

Transverso profundo Profundo

Logo após o diafragma pélvico.

Transverso superficial Profundo

Abaixo do profundo, na mesma região perineal.

IB · TT Camadas musculares do períneo
  • IBSuperficial — Isquiocavernoso + Bulboesponjoso (eréteis)
  • TTProfunda — Transverso profundo + Transverso superficial
Analogia espacial "IB para fora, TT para dentro" — eréteis ficam por fora (visíveis ao sexo), os transversos sustentam por dentro.

4.4 · Esfíncteres externos

Sobrepondo-se aos esfíncteres internos, encontram-se o esfíncter externo da uretra e o esfíncter externo do ânus. Ambos pertencem à musculatura perineal.

§ 05

Lesões perineais no parto

Obstetrícia · Trauma

Hoje não se faz mais a episiotomia de rotina (cortezinho médio ou lateral antes feito para facilitar a passagem do feto). Em situações extremas ainda se opta por fazê-la, mas predominam as lacerações espontâneas.

É possível chegar essa lesão até o diafragma pélvico? A possibilidade é menos comum, não é corriqueira.
!
Pegadinha de prova

Quando há lesão do diafragma pélvico no parto, o componente mais frequentemente lesado é o pubococcígeo — por estar mais próximo do lábio vaginal e do canal vaginal.

5.1 · Consequências pós-parto

§ 06

Espaços anatômicos — cavernas da pelve

Topografia · Cirurgia

6.1 · Espaço retropúbico (de Retzius)

Espaço de Retzius Anterior

Atrás da sínfise púbica, anteriormente à bexiga urinária.

Conteúdo
Gordura ("coxinho gorduroso") + plexos venosos vesicais que drenam para a veia ilíaca interna
Risco
Espaço potencial para encontrar varizes (tortuosidade venosa anormal)

6.2 · Fossa isquioanal (espaço isquiorretal)

Fossa isquioanal Lateral

Lateralmente ao canal anal. Repleta de gordura — permite a acomodação da ampola retal durante a defecação (ela alarga, depois volta). Contém o canal pudendo.

!
Alta potencialidade patológica

Fossa isquioanal pode conter abscessos, fístulas (ex.: fístula perianal/retoperineal — abre-se na mucosa retal e fezes começam a entrar no espaço) e tumores, inclusive tumores neurais (pela presença do nervo pudendo).

Um espaço infrarretal ou isquiorretal é um espaço realmente de potencialidade para situações patológicas.

6.3 · Canal pudendo (canal de Alcock)

Localizado na fossa isquioanal. Contém o feixe vasculonervoso pudendo:

Artéria pudenda interna Arterial

Artéria mais importante da região perineal.

Nervo pudendo Nervo

Inervação da musculatura, principalmente levantador do ânus e região perineal.

Veia pudenda interna Venoso

Drenagem venosa do períneo.

i
Nomenclatura preferida

A professora prefere "canal do pudendo" em vez do epônimo "canal de Alcock" — prefere o nome anatômico ao epônimo.

A · V · N Feixe pudendo no canal de Alcock
  • AArtéria pudenda interna — irriga perineo e genitália externa
  • VVeia pudenda interna — drena
  • NNervo pudendo — principal nervo sensitivo da pelve
Por que importa Compressão do feixe = dor pélvica crônica. Abscesso isquiorretal = risco neural. Cirurgia perineal exige conhecimento exato do trajeto.
§ 07

Sustentação ativa × passiva dos órgãos femininos

Ginecologia anatômica

O posicionamento das estruturas femininas é mantido por dois mecanismos complementares:

Dinâmico · Ativo Muscular

Musculatura — principalmente o levantador do ânus.

Função
Sustentação muscular ativa do útero e anexos
Passivo Fáscias

Fáscias e ligamentos — sem contração, apenas fixação.

Função
Fixação posicional

7.1 · Útero anteversofletido

Na maioria das mulheres, o útero é anteversofletido — "se flete" sobre a bexiga, angulado em relação ao canal vaginal. Possui mobilidade (não é completamente fixo, pois precisa subir durante a gestação). Está fixo principalmente pelo colo (cérvix).

7.2 · Ligamentos do útero — sustentação passiva

A gônada feminina (ovário) "cai na pelve" — diferente da gônada masculina, que está na bolsa escrotal. Por isso a sustentação feminina é mais complexa.

7.3 · Cirurgia de Wertheim

W
Câncer ginecológico

Cirurgia ampla: retira ovários, útero, terço proximal da vagina, anexos (e até paramétrios). Fecha a vagina ao final. Não traz distopias porque tudo fica fechado — a vulnerabilidade para distopias aparece nas relações dos orifícios, quando os esfíncteres ficam débeis.

§ 08

Vascularização: ilíaca interna

Vasos pélvicos

A artéria ilíaca comum divide-se em:

8.1 · Tronco posterior · Parietal

Irrigação predominantemente parietal.

Glútea superior Maior

Maior componente — irriga a região glútea. Emerge pelo hiato suprapiriforme (entre glúteo mínimo e piriforme).

Iliolombar (lombar) Parietal

Ascende para a região lombar.

Sacral lateral Parietal

Acompanha a face sacral.

GIS Tronco posterior · Parietal
  • GGlútea superior — maior, suprapiriforme
  • IIliolombar — sobe
  • SSacral lateral — desce no sacro
Truque "GIS rega as paredes" — paredes = músculos parietais (glúteos, lombar, sacro).

8.2 · Tronco anterior · Visceral

Contém a maior quantidade de artérias e irriga principalmente as vísceras pélvicas. Ramos importantes:

Umbilical Visceral

Dela emerge a artéria vesical superior.

Vesical inferior Visceral

No homem; análoga à artéria vaginal na mulher.

Uterina ♀

Cruza por cima do ureter — pegadinha clássica de prova.

Vaginal ♀

Análoga à vesical inferior masculina.

Retal média Visceral

Para a porção média do reto.

Pudenda interna Maior finalização

Dá a retal inferior e irriga a genitália externa. Transita pelo hiato infrapiriforme.

Obturatória Mista

Atravessa o forame obturado.

Glútea inferior Mista

Hiato infrapiriforme (entre piriforme e gêmeo superior).

UV · UV · ROP · OG Tronco anterior · Visceral
  • UVUmbilical → Vesical superior
  • UVUterina + Vaginal (♀) / Vesical inferior (♂)
  • RRetal média
  • PPudenda interna (→ retal inferior)
  • OObturatória
  • GGlútea inferior
Truque de hiato "Glútea SUPerior pelo SUPrapiriforme; pudenda + glútea INFerior + ciático pelo INFrapiriforme".

8.3 · Artéria sacral mediana — a exceção

i
Não vem da ilíaca interna

A sacral mediana é "o rabinho da aorta" — fica na parte posterior da aorta e entra na região pélvica posteriormente. NÃO deriva da ilíaca interna.

§ 09

Ureter × Uterina: a relação fatal

Pegadinha mestra · Iatrogenia cirúrgica

Esta é uma das relações anatômicas mais importantes da pelve feminina — cai em prova e na sala de cirurgia.

⚕ A máxima clássica

"A água passa
por baixo
do sangue."

Água = urina (ureter) · Sangue = artéria uterina.
O ureter passa INFERIORMENTE à artéria uterina, próximo ao colo do útero, a ~0,5 cm (alguns livros citam 1–2 cm).

9.1 · Fluxo da relação

Artéria uterina → cruza por CIMA → do ureter → próximo ao colo do útero → ureter então faz uma curva para cima e entra na bexiga.

Água ↓ Sangue ↑ Relação ureter × uterina
  • ↑Artéria uterina (sangue) — por cima
  • ↓Ureter (água/urina) — por baixo
Analogia visual Pense em uma ponte: a uterina é a ponte sobre o rio do ureter. Na "última pegada" da histerectomia, quem cega o cirurgião pinça a ponte e arrebenta o rio.

9.2 · Importância cirúrgica — histerectomia

!
Pegadinha de prova

Durante a histerectomia, o ureter pode ser inadvertidamente seccionado ou pinçado, especialmente na "última pegada" (ligadura da artéria uterina próxima ao colo do útero).

Consequências da secção

9.3 · Teste cirúrgico de integridade

♪
Corda de violão

Após a cirurgia, identifica-se o ureter no peritônio posterior. "Toca-se" como corda de violão e observa-se a peristalse. Se há peristalse → ureter íntegro, "vai dormir bem". Se não há → ureter seccionado.

A gente toca como se fosse uma corda de violão e você vê a peristalse dele. Aí você diz: joia, ureter salve. Todos tranquilos.

9.4 · Laqueadura — o equívoco comum

i
Não é o cenário de risco

Na laqueadura a região manipulada é a tuba uterina, que é móvel e fica afastada da artéria uterina. A anastomose da artéria uterina com a tubária é distante do ureter.

Eu vou ser bem franca: eu já vi muita laqueadura e nunca peguei uma artéria uterina.

9.5 · Histerectomia subtotal na cesárea

↯
Cirurgia de emergência

Histerectomia + cesárea é cirurgia de emergência (ex.: paciente com atonia uterina e sangramento incontrolável). Para evitar lesão do ureter, faz-se histerectomia subtotal: corta-se acima da região cervical, antes da emergência da artéria uterina, deixando o colo do útero in situ.

9.6 · Cúpula aberta × cúpula fechada

Cúpula fechada Cega

Duas pinças, fecha-se e corta-se em cima — nem se vê a vagina.

Cúpula aberta Visualizada

Abre-se a vagina e tira-se o colo vendo o que está sendo feito.

Histerectomia vaginal Via baixa

Feita "de baixo para cima" (do colo para cima), removendo o útero por dentro do canal vaginal.

§ 10

Dor pélvica crônica: cíclica × não-cíclica

Diagnóstico diferencial

O canal do pudendo envolve o feixe (nervo, artéria e veia pudendos internos). Pode haver compressão neural ("engargalamento") no canal — causa de dor pélvica crônica, semelhante a uma hérnia discal.

Dor pélvica, pessoal, é o capítulo da ginecologia.
Dor cíclica Menstrual

Relacionada ao período menstrual → suspeitar de endometriose.

Conduta
Ressonância → buscar focos de endometriose
Dor não-cíclica Crônica

Intermitente, crônica, NÃO relacionada ao ciclo → considerar encarceramento do nervo pudendo ou compressão de nervos perineais.

Pista
Refratária a tratamento ginecológico convencional
!
Pegadinha de prova

A compressão do nervo pudendo é um diagnóstico diferencial frequentemente esquecido em pacientes com dor pélvica crônica refratária. O nervo pudendo é o principal nervo sensitivo da região pélvica — quando encarcerado, causa dor contínua e crônica.

10.1 · Nervo perineal

Sai do nervo pudendo. A compressão pode acontecer no próprio canal do pudendo e trazer dores não relacionadas ao período menstrual.

CICLO · CANAL Bússola da dor pélvica
  • CCICLO menstrual envolvido → endometriose (RNM)
  • CCANAL do pudendo → encarceramento neural
Atalho clínico Pergunte primeiro: "a dor piora no período menstrual?". Sim → ginecológica. Não → suspeite do pudendo.
§ 11

Gestação na adolescência

Saúde reprodutiva

Os principais problemas da gravidez precoce não são vasculares, mas sim de imaturidade do corpo materno.

Pelve angustiada Mecânico

Pelve ainda em desenvolvimento, não atingiu a complexão total — dificulta o parto.

Restrição de crescimento fetal Nutricional

Nutrientes divididos entre o desenvolvimento da mãe (que ainda cresce) e o feto.

Crescimento materno comprometido Desenvolvimento

Mãe interrompe sua própria fase de desenvolvimento estatural.

Sequelas emocionais Psicossocial

Para a mãe adolescente.

Por isso que nós orientamos a gravidez a partir dos 18 anos, porque aí essa parte do desenvolvimento estatural já tem se concluído.

A pelve da mulher conclui seu desenvolvimento mais cedo que a do homem.

§ 12

DIJC · cenários de prova

Diagnóstico Imediato Justificado de Casos
⚕ CASOS COMENTADOS

Pensa na pelve, raciocina rápido.

Q1

Paciente em histerectomia total abdominal. Cirurgião faz a ligadura da artéria uterina próxima ao colo. Pós-op evolui com distensão abdominal, dor e febre. Imagem mostra coleção retroperitoneal. Qual a hipótese?

DX

Secção iatrogênica do ureter na "última pegada". A água passa por baixo do sangue — a ~0,5 cm do colo do útero o ureter passa sob a artéria uterina. Pinçar a uterina cegamente pode pegar junto o ureter, com extravasamento de urina e irritação peritoneal.

Q2

Multípara, 38 anos, com 4 partos vaginais. Refere perda de urina ao tossir, espirrar e gargalhar; nega urgência miccional. Qual o substrato anatômico?

DX

Incontinência urinária de esforço. Avulsão das fibras do pubococcígeo (componente do levantador do ânus mais próximo do canal vaginal) → enfraquece o esfíncter externo da uretra → pressão intra-abdominal supera a resistência uretral.

Q3

Mulher 32 anos com dor pélvica crônica há 2 anos, sem relação clara com o ciclo menstrual, refratária a AINEs e a tratamento hormonal. Sensação de "ardência em sela" ao sentar. Diagnóstico diferencial obrigatório?

DX

Encarceramento do nervo pudendo no canal de Alcock. Dor crônica sem ritmo menstrual + dor exacerbada ao sentar é clássica. Diferencial frequentemente esquecido — endometriose é a primeira hipótese mas é cíclica.

Q4

Paciente cesariana com atonia uterina e sangramento incontrolável. Decidida histerectomia de urgência. Qual técnica preserva o ureter?

DX

Histerectomia subtotal: corta-se acima da região cervical, antes da emergência da artéria uterina, preservando o ureter. Deixa-se o colo in situ.

Q5

Homem 45 anos, abscesso doloroso e flutuante lateralmente ao canal anal, com supuração para a mucosa retal. Onde está e o que pode estar envolvido?

DX

Abscesso da fossa isquioanal, com fístula perianal/retoperineal. O espaço gorduroso tem alta potencialidade patológica — risco neurológico pelo canal do pudendo (n. pudendo + a./v. pudendos internos).

Q6

Pergunta sobre prolapsos: paciente com sensação de "bola na vagina". No exame, ao Valsalva, a parede anterior da vagina protrui. Que estrutura está prolapsando?

DX

Cistocele — bexiga prolapsando pela parede anterior. Se fosse a parede posterior protraindo → retocele; se descesse o colo uterino pelo introito → prolapso genital.

Q7

No exame anatômico: qual porção do levantador do ânus forma uma alça em torno do reto e garante a continência fecal?

DX

Puborretal — sling muscular em torno do reto cria a flexura anorretal. Lesão = incontinência fecal (menos comum, mas grave).

Q8

Procedimento de laqueadura tubária. O cirurgião teme lesar a artéria uterina. Risco real?

DX

Risco baixo. A laqueadura manipula a tuba uterina (móvel), distante da artéria uterina e do ureter. Risco maior é na histerectomia, não na laqueadura.

§ 13

Glossário anatômico

Termos essenciais
Arco tendíneo do levantador do ânus
Fáscia condensada (do músculo obturador interno) onde se inserem as porções do levantador do ânus.
Avulsão muscular
Alargamento/distensão das fibras musculares, comprometendo a função.
Canal de Alcock (canal do pudendo)
Canal na fossa isquioanal por onde passa o feixe pudendo (artéria, veia e nervo).
Cistocele
Prolapso da bexiga pela parede anterior da vagina.
Corpo perineal
Massa musculotendínea central do períneo, entre os trígonos urogenital e anal.
Diafragma pélvico
Estrutura muscular em forma de funil que fecha a pelve inferiormente.
Distopia genital
Deslocamento anormal dos órgãos pélvicos (prolapso).
Endometriose
Tecido endometrial fora do útero — causa clássica de dor pélvica cíclica.
Episiotomia
Incisão cirúrgica no períneo (média ou lateral) para facilitar o parto — hoje não é mais de rotina.
Esfíncter interno / externo
Interno: formado pelo pubococcígeo. Externo: pela musculatura perineal.
Espaço de Retzius (retropúbico)
Espaço gorduroso atrás da sínfise púbica, anterior à bexiga.
Fossa isquioanal (espaço isquiorretal)
Espaço gorduroso lateral ao canal anal, contém o canal pudendo.
Histerectomia subtotal
Retirada do útero preservando o colo, para evitar lesão ureteral.
Levantador do ânus
Principal músculo do diafragma pélvico, com 3 porções (pubococcígeo, puborretal, iliococcígeo).
Nervo pudendo
Principal nervo sensitivo e motor da região pélvica e perineal.
POPQ
Classificação ginecológica dos estágios de prolapso de órgãos pélvicos.
Prolapso genital
Descenso do útero pelo canal vaginal.
Puborretal
Porção do levantador do ânus que forma alça em torno do reto — continência fecal.
Retocele
Prolapso da parede anterior do reto para o canal vaginal.
Túber isquiático
Porção óssea palpável ao sentar — limita lateralmente o períneo.
Trígono urogenital / anal
Triângulos anterior (uretra ± vagina) e posterior (canal anal) do períneo.
Útero anteversofletido
Posição habitual do útero — angulado e fletido sobre a bexiga.
§ 14

Pontos-chave para a prova

  1. Diafragma pélvico = funil muscular que fecha a pelve inferiormente; principal componente é o levantador do ânus.
  2. Levantador do ânus tem 3 porções: pubococcígeo (maior), puborretal, iliococcígeo (menor).
  3. Puborretal forma alça em torno do reto → fundamental para continência retal.
  4. Isquiococcígeo (coccígeo) NÃO faz parte do levantador do ânus — é músculo à parte.
  5. Esfíncteres internos = pubococcígeo. Esfíncteres externos = musculatura perineal.
  6. Mulher tem 3 orifícios (U·V·A); homem tem 2 (U·A) → mulher mais vulnerável a prolapsos.
  7. Prolapsos típicos: prolapso genital (útero), cistocele (bexiga, anterior), retocele (reto, posterior).
  8. Períneo em losango = trígono urogenital + trígono anal, com corpo perineal no centro.
  9. Camada superficial do períneo: isquiocavernoso + bulboesponjoso (estruturas eréteis).
  10. Camada profunda: transverso profundo + transverso superficial do períneo.
  11. No parto, a porção mais lesada do levantador é o pubococcígeo (proximidade vaginal).
  12. Fossa isquioanal: gordura + canal do pudendo (A·V·N); potencial para abscesso, fístula e tumor.
  13. Artéria pudenda interna = principal artéria perineal. Nervo pudendo = principal nervo sensitivo da pelve.
  14. Ilíaca interna: tronco posterior parietal e tronco anterior visceral (este último com mais ramos).
  15. "A água passa por baixo do sangue" → ureter INFERIOR à uterina, a ~0,5 cm do colo.
  16. Maior risco de lesão ureteral = histerectomia ("última pegada"), NÃO laqueadura.
  17. Histerectomia + cesárea (atonia) → fazer subtotal para preservar ureter.
  18. Teste cirúrgico do ureter = "corda de violão", observar peristalse.
  19. Sustentação dos órgãos femininos: dinâmica (levantador) + passiva (cardinal, uterossacro, redondo).
  20. Wertheim (câncer ginecológico): tira ovários, útero, ⅓ vagina, anexos; não causa distopia (tudo fechado).
  21. Dor pélvica não-cíclica → suspeitar encarceramento do n. pudendo no canal de Alcock.
  22. Dor pélvica cíclica → suspeitar endometriose.
  23. Gestação na adolescência: principais riscos = pelve angustiada + RCIU + crescimento materno interrompido (não é vascular).
  24. Incontinência urinária pós-parto: pressão intra-abdominal supera esfíncter externo da uretra débil.
  25. Útero anteversofletido: fixação principal no colo; mobilidade do corpo é essencial para a gestação.