Dípteros de
importância médica
moscas, mosquitos & miíases — painel high-yield
Dois pares de asas em modos opostos: as funcionais no mesotórax voam, as halteres no metatórax equilibram. Daí em diante: vetores mecânicos, larvas em tecido, e duas espécies que sempre cobram em prova.
no mundo
só no Brasil
+ halteres
Ordem Diptera · assinatura
Asas funcionais
Duas asas membranosas e transparentes, inseridas no segmento médio do tórax. São os motores do voo.
Halteres (balancins)
Asas modificadas, pequenas. Servem para equilibrar o voo, não para voar.
MESotórax leva as 2 grandes (asas funcionais). METAtórax leva os 2 pequenos (halteres). Inverter na prova = errar.
O padrão das veias da asa é critério taxonômico-chave. Dentro de cada veia há: um vaso com hemolinfa e uma traqueia (conduz ar). A hemolinfa preenche o espaço entre eles.
Holometabolia · ciclo completo
Eclosão = a larva sai do ovo. Emergência = o adulto sai da pupa. Não confunda em prova.
eLosão = sai a Larva. eMergência = sai o adulto Maduro.
Larva & pupa · mosca × mosquito
Larva de mosca = Vermiforme · Imóvel · sem cabeça (sem-Partes destacadas) · a nteriormente afilada · Terrestre. Pense em "verme passivo no chão".
Antenas · critério-chave
Em mosquito: PLUMAs = maCHO (é ele que zumbe para chamar a fêmea). FIO filiforme curto = FÊmea. Vale para muriçoca, Aedes, Anopheles.
Cinco vias de importância médica
Picada dolorosa
Risco de infecção bacteriana secundária + transmissão mecânica via alimentações interrompidas.
Vetor não hematófago
Pelos, patas e regurgitação transportam patógenos sem precisar picar.
Infestação por larvas
Tecido vivo (obrigatória), morto (facultativa) ou acidental (pseudomiíase).
Entomologia forense
Estimativa do PMI (intervalo pós-morte) e sinal de cadáver movido.
Terapia larval
Larvas estéreis controladas para desbridamento de feridas (UFES, UFRN).
Vetores mecânicos clássicos
Aparelho bucal lambedor, não perfurador. Atraída por secreções — oculares, vaginais, anais. Vai da secreção animal para o olho humano.
- Possível transmissora de vírus de conjuntivite
- Vetor reconhecido de Chlamydia trachomatis → tracoma (doença negligenciada, pode cegar)
- Transporte mecânico via pelos e patinhas
A mosca LAMBE secreção → o olho LACRIMEJA → sem tratamento, CEGA (tracoma por Chlamydia trachomatis).
Vetor mecânico clássico. Sinantrópica: trafega entre matéria orgânica em decomposição (postura) e dentro de casa (descanso/alimentação tranquila).
Adesão
Pelos e patas — "chuteira na lama" a cada pouso.
Regurgitação
Sobre alimentos — sempre, mesmo parada.
Carga
Vírus · bactérias · cistos · ovos de helmintos.
- Tórax cinza com 4 listras pretas longitudinais
- Abdome amarelado com listras
- Antenas curtas (3 segm.) com arista
- Sem aparelho perfurador → não hematófaga
Miíases · classificação parasitológica
Biontófaga
Tecido vivo. A larva só sobrevive nele. Sempre causa miíase. Apenas 2 espécies de importância médica.
Necrobiontófaga
Tecido morto. Decompositoras na natureza, aproveitam tecido necrótico (pé diabético, câncer ulcerado).
Pseudomiíase
Ingestão acidental (larva em fruta). Quase sempre passa nas fezes; nunca vira adulto no humano.
BiONtófaga = come tecido VIVO (lembre: "tem ON, está LIGADO, está VIVO"). NECrobiontófaga = come tecido NECRótico. PSEUDOmiíase = não é nem parasita real, é por acidente.
Pseudomiíase · ingestão acidental
Larva ingerida com alimento. Pode escapar da mastigação e do ácido gástrico. Frequentemente passa nas fezes (L3, pronta para virar pupa) — mas pode permanecer no intestino e causar irritação/inflamação.
A larva NUNCA vira adulto no humano (a pupa é imóvel e seria expulsa). Diagnóstico é praticamente impossível, depende de acaso.
Miíase facultativa · necrótico
Larvas que na natureza comem tecido morto e se aproveitam de lesões necróticas: pé diabético, câncer ulcerado, feridas crônicas. Várias posturas ocorrem ao longo do tempo.
- Retirada individual das larvas
- Limpeza e desinfecção rigorosa
- Considerar antibiótico oral se sinais de infecção
- Verificar larvas remanescentes
- Varejeiras — brilho metálico, decompositoras na natureza
- Sarcofagídeos — parecem a doméstica, mas maiores, sem abdome amarelo, com manchas em xadrez
Lesão na cabeça cheia de larvas — surpreendentemente sem infecção bacteriana grave. Conecta-se à observação de feridas de soldados na 2ª Guerra: certas larvas comem só tecido morto, estimulam vasos, secretam compostos cicatrizantes.
Miíase obrigatória · só 2 espécies
Cochliomyia = Caos, Coletivo, Consome o tecido todo. Dermatobia = Discreto, uma Dúnica lesão, "Dedinho" para fora.
Cochliomyia hominivorax
- Cabeça amarela, olhos vermelhos
- Tórax com até 4 listras de identificação
- Atraída por cheiros fortes
Câncer ulcerado
15 larvas, todas C. hominivorax — atacaram também o tecido saudável.
Pós-cirúrgico
Politraumatizado · secreção e odor atraíram a mosca.
Cavidade oral
Criança com deficiência · boca semiaberta + odor.
Cavidade vaginal
Idosa de asilo · larvas em tecidos profundos.
Couro cabeludo
Clássico em paciente com piolho — picadas viram porta de entrada.
Globo ocular
Lesão prévia → destruição ativa do tecido vivo.
- Retirada cirúrgica/manual de todas as larvas
- Limpeza e desinfecção
- Antibioticoterapia se sinais de infecção
- Inspeção contínua à procura de remanescentes
Dermatobia hominis · o berne
Adulto raríssimo de se ver — vive pouco como adulto (a larva já comeu tecido "de alta qualidade"). Coloração metálica brilhante, bonita, não cinza.
→ Por isso a lesão é geralmente única.
O BERNE não pousa em você — ele cola ovos no "táxi" hematófago. O calor da sua pele derrete a cola. A larva entra pelo furinho deixado pela picada do táxi.
- Posição "de boca para baixo" no tecido
- Orifício na pele sempre presente — a larva precisa respirar
- Corpo com espinhos em 3 anéis; mais estreito anterior, alarga posteriormente
- Cresce e os espinhos prendem no canal — puxar = errado
Conduta do berne na ponta da língua: Asfixiar (1º) · oclusão com Carne · só então Retirar com pinça. Inverter a ordem = falha.
Entomologia forense · PMI
Cada espécie tem ciclo com tempo definido. As larvas em cadáveres permitem estimar o intervalo pós-morte (PMI).
- Saber quais espécies ocorrem na região
- Conhecer o tempo de cada estágio larval até pupa
- Sucessão de insetos: alguns colonizam logo, outros depois — padrão indica idade do cadáver
- Pode-se estimar a quantidade e identificar se o cadáver foi movido (insetos ligados a habitats específicos)
- Complementa rigor mortis, livor etc. (que são mais espaçados)
DIJC · cenários prováveis de prova
Lesão única, "furúnculo" com orifício respiratório, em paciente que retornou do interior
Idosa acamada de asilo com lesão genital infestada por múltiplas larvas móveis e destrutivas
Diabético com úlcera necrótica em pé encontra larvas brancas no curativo
Criança apresenta larva em exame parasitológico de fezes, em estágio L3
Conjuntivite recorrente em região onde há criação de animais e mosca atraída por olhos
Cadáver encontrado com larvas em três estágios diferentes e moscas-pupas vazias
Prevenção & controle
Manejo do lixo
Fechar corretamente · separação cuidadosa · descartar carne perto do horário da coleta.
Higiene doméstica
Limpar ralos com água quente · não deixar comida de animal no chão · armadilhas luminosas em locais com alimentos.
Pacientes vulneráveis
Higiene rigorosa · feridas cobertas e limpas · atenção a odores e secreções.
Cuidado especial
Atraídas por carne — ao descartar, manter totalmente fechado.