SISTEMA · ATIVO CFG · 2026.1 / ANATOPO / U-DIPTERA
Parasitologia Médica · Aula 2026-05-18

Dípteros de
importância médica moscas, mosquitos & miíases — painel high-yield

Dois pares de asas em modos opostos: as funcionais no mesotórax voam, as halteres no metatórax equilibram. Daí em diante: vetores mecânicos, larvas em tecido, e duas espécies que sempre cobram em prova.

150k+
espécies
no mundo
~9k
espécies
só no Brasil
2+2
asas funcionais
+ halteres
braquíceros nematóceros miíase obrigatória forense vetor mecânico
01

Ordem Diptera · assinatura

checklist · prova
/mesotórax

Asas funcionais

Duas asas membranosas e transparentes, inseridas no segmento médio do tórax. São os motores do voo.

/metatórax

Halteres (balancins)

Asas modificadas, pequenas. Servem para equilibrar o voo, não para voar.

MES-2 · META-2

MESotórax leva as 2 grandes (asas funcionais). METAtórax leva os 2 pequenos (halteres). Inverter na prova = errar.

!
Pegadinha de prova
Para "ganhar" o nome de díptero, é obrigatório asas grandes no mesotórax + halteres no metatórax. Olhos compostos altamente desenvolvidos respondem a movimento — daí a dificuldade de matar.
/asa Veia (nervura) — taxonomia

O padrão das veias da asa é critério taxonômico-chave. Dentro de cada veia há: um vaso com hemolinfa e uma traqueia (conduz ar). A hemolinfa preenche o espaço entre eles.

i
Correção da revisão
A circulação dos insetos é ABERTA — o coração tubular bombeia, mas o líquido sai dos vasos e mistura-se ao líquido tecidual. (O termo "fechada" no áudio original foi corrigido.)
02

Holometabolia · ciclo completo

temperatura ⇄ tempo
/seq Metamorfose completa
OVO
eclode em horas
LARVA
L1·L2·L3 · 3–7 d
PUPA
~3 d · imóvel
ADULTO
~30 d (mosca dom.)

Eclosão = a larva sai do ovo. Emergência = o adulto sai da pupa. Não confunda em prova.

eL-ó · eM-ge

eLosão = sai a Larva. eMergência = sai o adulto Maduro.

T°
High-yield termodinâmico
↑ Temperatura → ciclo acelerado. ↓ Temperatura → ciclo retarda. Mosca doméstica vive em média 30 dias, não 1 dia — o "mito do filme" é falso.
"Não sei por que criou-se um livro que mosca só vive um dia. A culpa é do filme." — professor · 2026-05-18
03

Larva & pupa · mosca × mosquito

comparativo morfo
MOSCAbraquícero
×
MOSQUITOnematócero
Vermiforme
Forma
Segmentada
Não destacada
Cabeça larva
Destacada
Imóvel/passiva
Mov. larva
Ativa
Solo · matéria org.
Habitat
Água
Imóvel · "casulo"
Pupa
Móvel na água
Mastigador
Bucal larva
Mastigador
+
Espiráculo posterior
Tem desenho próprio por espécie — permite identificação específica, mas é difícil. Na prática se espera a larva virar adulto e identifica-se pelo adulto. Espiráculos são apenas os orifícios externos; quem leva o ar até as células são as traqueias.
VIPaT · vermes na terra

Larva de mosca = Vermiforme · Imóvel · sem cabeça (sem-Partes destacadas) · a nteriormente afilada · Terrestre. Pense em "verme passivo no chão".

04

Antenas · critério-chave

cobra muito
MOSQUITOlonga · ≥6 segm.
×
MOSCAcurta · 3 segm.
Longa, ≥ 6 artigos
Comprimento
Curta, sempre 3
♂ plumosas · ♀ filosas
Dimorfismo
Não tão marcado
—
3º segmento
Anelado ou com arista
PLUMA-CHO · FIO-FÊ

Em mosquito: PLUMAs = maCHO (é ele que zumbe para chamar a fêmea). FIO filiforme curto = FÊmea. Vale para muriçoca, Aedes, Anopheles.

!
Sub-grupos de mosca
No 3º segmento: anelado → grupos como mutuca/tabanídeo. Arista (pelo) → mosca propriamente dita (ex.: Musca domestica).
05

Cinco vias de importância médica

overview
/01 hematofagia

Picada dolorosa

Risco de infecção bacteriana secundária + transmissão mecânica via alimentações interrompidas.

/02 mecânica

Vetor não hematófago

Pelos, patas e regurgitação transportam patógenos sem precisar picar.

/03 miíase

Infestação por larvas

Tecido vivo (obrigatória), morto (facultativa) ou acidental (pseudomiíase).

/04 forense

Entomologia forense

Estimativa do PMI (intervalo pós-morte) e sinal de cadáver movido.

/05 terapia

Terapia larval

Larvas estéreis controladas para desbridamento de feridas (UFES, UFRN).

06

Vetores mecânicos clássicos

sinantropia
/lambe Mosca dos olhos (lambe-lambe)

Aparelho bucal lambedor, não perfurador. Atraída por secreções — oculares, vaginais, anais. Vai da secreção animal para o olho humano.

  • Possível transmissora de vírus de conjuntivite
  • Vetor reconhecido de Chlamydia trachomatis → tracoma (doença negligenciada, pode cegar)
  • Transporte mecânico via pelos e patinhas
LAMBE · LACRIMEJA · CEGA

A mosca LAMBE secreção → o olho LACRIMEJA → sem tratamento, CEGA (tracoma por Chlamydia trachomatis).

/musca Musca domestica

Vetor mecânico clássico. Sinantrópica: trafega entre matéria orgânica em decomposição (postura) e dentro de casa (descanso/alimentação tranquila).

/01

Adesão

Pelos e patas — "chuteira na lama" a cada pouso.

/02

Regurgitação

Sobre alimentos — sempre, mesmo parada.

/03

Carga

Vírus · bactérias · cistos · ovos de helmintos.

!
Conduta preventiva
Manter alimentos cobertos; pratos e copos limpos e protegidos. Vale para casa, lanchonete, hospital.
μ
Microbioma · estudo internacional
Análise em Brasil, EUA e Singapura encontrou Staphylococcus, Bacillus, Streptococcus, Enterococcus, enterobactérias — e principalmente Helicobacter pylori como possível carga mecânica.
/id Identificação morfológica
  • Tórax cinza com 4 listras pretas longitudinais
  • Abdome amarelado com listras
  • Antenas curtas (3 segm.) com arista
  • Sem aparelho perfurador → não hematófaga
07

Miíases · classificação parasitológica

3 tipos
∎
Definição
Miíase = infestação por larvas de moscas. Use "infestação", não "infecção" (é ectoparasita). "Bicheira" é pejorativo — não usar.
/obrigatória

Biontófaga

Tecido vivo. A larva só sobrevive nele. Sempre causa miíase. Apenas 2 espécies de importância médica.

/facultativa

Necrobiontófaga

Tecido morto. Decompositoras na natureza, aproveitam tecido necrótico (pé diabético, câncer ulcerado).

/acidental

Pseudomiíase

Ingestão acidental (larva em fruta). Quase sempre passa nas fezes; nunca vira adulto no humano.

OFA · obrigatória / facultativa / acidental

BiONtófaga = come tecido VIVO (lembre: "tem ON, está LIGADO, está VIVO"). NECrobiontófaga = come tecido NECRótico. PSEUDOmiíase = não é nem parasita real, é por acidente.

08

Pseudomiíase · ingestão acidental

prevenção > diagnóstico

Larva ingerida com alimento. Pode escapar da mastigação e do ácido gástrico. Frequentemente passa nas fezes (L3, pronta para virar pupa) — mas pode permanecer no intestino e causar irritação/inflamação.

A larva NUNCA vira adulto no humano (a pupa é imóvel e seria expulsa). Diagnóstico é praticamente impossível, depende de acaso.

!
Prevenção real
Corte frutas antes de dar para crianças. Mosquinha tipo Drosophila pode ter colocado ovos por dentro. Substratos comuns: abóbora, maracujá, goiaba, maçã.
"Aquelas coisas que a gente não vai diagnosticar — a gente vai prevenir."— professor
09

Miíase facultativa · necrótico

decompositoras

Larvas que na natureza comem tecido morto e se aproveitam de lesões necróticas: pé diabético, câncer ulcerado, feridas crônicas. Várias posturas ocorrem ao longo do tempo.

⊘
NÃO é autolimitada
Outras posturas continuam acontecendo enquanto o atrativo persistir. Nunca trate como problema que "vai passar sozinho". Risco principal: infecção secundária trazida pelas próprias moscas.
/conduta Manejo clínico
  • Retirada individual das larvas
  • Limpeza e desinfecção rigorosa
  • Considerar antibiótico oral se sinais de infecção
  • Verificar larvas remanescentes
/espécies Causadoras
  • Varejeiras — brilho metálico, decompositoras na natureza
  • Sarcofagídeos — parecem a doméstica, mas maiores, sem abdome amarelo, com manchas em xadrez
/caso Senhor de 72 anos · câncer ulcerado

Lesão na cabeça cheia de larvas — surpreendentemente sem infecção bacteriana grave. Conecta-se à observação de feridas de soldados na 2ª Guerra: certas larvas comem só tecido morto, estimulam vasos, secretam compostos cicatrizantes.

★
Terapia larval (maggot therapy)
Larvas estéreis em ambiente controlado — UFES e UFRN no Brasil. Larvas espontâneas em ferida NÃO são tratamento: retire-as e limpe. Lesão natural traz várias espécies; nem todas são terapêuticas.
10

Miíase obrigatória · só 2 espécies

bate em prova
COCHLIOMYIAhominivorax
vs
DERMATOBIAhominis · berne
Espalhada · destrutiva
Lesão
Pontual · furúnculo
Múltiplas
Nº larvas
Uma ou poucas
Móvel · destrói até osso
Comportamento
Fixa · cresce no ponto
Cheiros fortes · ferida prévia
Atrativo
Via forese (não atacante)
Ampla
Distribuição
Todo o Brasil
C-coletiva · D-discreta

Cochliomyia = Caos, Coletivo, Consome o tecido todo. Dermatobia = Discreto, uma Dúnica lesão, "Dedinho" para fora.

11

Cochliomyia hominivorax

a "clássica" bicheira
/morfo Identificação do adulto
  • Cabeça amarela, olhos vermelhos
  • Tórax com até 4 listras de identificação
  • Atraída por cheiros fortes
/clínica Locais de ataque · exemplos
/01

Câncer ulcerado

15 larvas, todas C. hominivorax — atacaram também o tecido saudável.

/02

Pós-cirúrgico

Politraumatizado · secreção e odor atraíram a mosca.

/03

Cavidade oral

Criança com deficiência · boca semiaberta + odor.

/04

Cavidade vaginal

Idosa de asilo · larvas em tecidos profundos.

/05

Couro cabeludo

Clássico em paciente com piolho — picadas viram porta de entrada.

/06

Globo ocular

Lesão prévia → destruição ativa do tecido vivo.

⚠
Populações vulneráveis
Idosos, crianças com deficiência, acamados, moradores de rua — quem depende do cuidado de outros. Não há limite para a destruição: vai de tecido mole até osso. NÃO é autolimitada — moscas continuam chegando.
"Se você deixar, ela destrói tudo."— professor
/conduta Manejo
  • Retirada cirúrgica/manual de todas as larvas
  • Limpeza e desinfecção
  • Antibioticoterapia se sinais de infecção
  • Inspeção contínua à procura de remanescentes
12

Dermatobia hominis · o berne

forese · espinhos · asfixia

Adulto raríssimo de se ver — vive pouco como adulto (a larva já comeu tecido "de alta qualidade"). Coloração metálica brilhante, bonita, não cinza.

/forese Mecanismo de postura — cobra na prova
1
Dermatobia hominis adulta captura um inseto hematófago (mosquito, Stomoxys, Musca domestica).
2
Cola os ovos na barriga do inseto-vetor.
3
O inseto-vetor pousa em hospedeiro de sangue quente para se alimentar.
4
O calor do corpo derrete a cola; os ovos caem sobre a pele.
5
A larva entra pelo orifício da picada deixado pelo hematófago.

→ Por isso a lesão é geralmente única.

BERNE pega CARONA

O BERNE não pousa em você — ele cola ovos no "táxi" hematófago. O calor da sua pele derrete a cola. A larva entra pelo furinho deixado pela picada do táxi.

/larva Morfologia fixada
  • Posição "de boca para baixo" no tecido
  • Orifício na pele sempre presente — a larva precisa respirar
  • Corpo com espinhos em 3 anéis; mais estreito anterior, alarga posteriormente
  • Cresce e os espinhos prendem no canal — puxar = errado
✋
Nunca puxe a larva viva
Quanto mais você puxa, mais ela se fixa com os espinhos.
/conduta Tratamento do berne
1
Matar a larva primeiro · método clássico = asfixia.
2
Asfixia caseira: pedaço de carne sobre o orifício (ou outro oclusivo) — bloqueia o ar.
3
Depois de morta → retirar com pinça.
4
Pode ampliar levemente a abertura se necessário.
5
Limpar e fechar; cuidados antissépticos.
A·C·R — Asfixia · Carne · Retira

Conduta do berne na ponta da língua: Asfixiar (1º) · oclusão com Carne · só então Retirar com pinça. Inverter a ordem = falha.

i
Casos extremos & distribuição
Larva em canal lacrimal → tamanho considerável, dor intensa. Presente em todos os estados, mais comum em outras regiões. Sem notificação obrigatória. Acomete humanos e animais igualmente.
13

Entomologia forense · PMI

sucessão

Cada espécie tem ciclo com tempo definido. As larvas em cadáveres permitem estimar o intervalo pós-morte (PMI).

  • Saber quais espécies ocorrem na região
  • Conhecer o tempo de cada estágio larval até pupa
  • Sucessão de insetos: alguns colonizam logo, outros depois — padrão indica idade do cadáver
  • Pode-se estimar a quantidade e identificar se o cadáver foi movido (insetos ligados a habitats específicos)
  • Complementa rigor mortis, livor etc. (que são mais espaçados)
14

DIJC · cenários prováveis de prova

decifre · julgue
Caso 01

Lesão única, "furúnculo" com orifício respiratório, em paciente que retornou do interior

Qual a espécie? Qual a conduta correta?
Dermatobia hominis · asfixiar (carne) → retirar com pinça → limpar
Caso 02

Idosa acamada de asilo com lesão genital infestada por múltiplas larvas móveis e destrutivas

Espécie? É autolimitada?
C. hominivorax · NÃO é autolimitada · retirada de todas + ATB + inspeção
Caso 03

Diabético com úlcera necrótica em pé encontra larvas brancas no curativo

Tipo de miíase? Pode deixar como terapia?
Facultativa · NÃO é terapia (só se estéril/controlada) · remover + limpar
Caso 04

Criança apresenta larva em exame parasitológico de fezes, em estágio L3

Diagnóstico? Conduta preventiva?
Pseudomiíase (Sarcofagídea L3) · cortar frutas antes de oferecer
Caso 05

Conjuntivite recorrente em região onde há criação de animais e mosca atraída por olhos

Vetor? Doença grave a vigiar?
Mosca lambe-lambe · Chlamydia trachomatis · risco de tracoma/cegueira
Caso 06

Cadáver encontrado com larvas em três estágios diferentes e moscas-pupas vazias

Para que serve essa informação?
PMI · entomologia forense · pode indicar tempo de morte e deslocamento
15

Prevenção & controle

saneamento
"Onde tem muita mosca, é porque tem muito alimento para elas."— princípio epidemiológico
!
Indicador epidemiológico
Excesso de moscas = condições precárias de saneamento. Mais calor → mais moscas (ciclo acelerado).
/lixo

Manejo do lixo

Fechar corretamente · separação cuidadosa · descartar carne perto do horário da coleta.

/ralos

Higiene doméstica

Limpar ralos com água quente · não deixar comida de animal no chão · armadilhas luminosas em locais com alimentos.

/foco

Pacientes vulneráveis

Higiene rigorosa · feridas cobertas e limpas · atenção a odores e secreções.

/varejeiras

Cuidado especial

Atraídas por carne — ao descartar, manter totalmente fechado.

16

27 pontos-chave para prova

resumo final
01
Dípteros = 2 asas funcionais (mesotórax) + 2 halteres (metatórax).
02
Halteres servem para equilíbrio, não para voar.
03
Ciclo holometábolo: ovo → larva → pupa → adulto.
04
Temperatura acelera o ciclo; frio retarda.
05
Mosca doméstica vive ~30 dias — não 1 dia.
06
Larva de mosca: vermiforme, sem cabeça destacada, imóvel, terrestre.
07
Larva de mosquito: cabeça destacada, móvel, aquática.
08
Pupa de mosca = imóvel; pupa de mosquito = móvel (na água).
09
Eclosão = larva sai do ovo; emergência = adulto sai da pupa.
10
Antenas mosquito: longas (≥6), plumosas ♂ / filosas ♀.
11
Antenas mosca: 3 segmentos, anelada ou arista.
12
Lambe-lambe → Chlamydia trachomatis → tracoma → cegueira.
13
Mosca doméstica: adesão · regurgitação · sinantropia.
14
H. pylori pode ser transportada mecanicamente pela mosca doméstica.
15
Miíase = infestação por larvas; "bicheira" é pejorativo.
16
3 tipos: obrigatória · facultativa · acidental.
17
Pseudomiíase: larva não vira adulto no humano; prevenir cortando frutas.
18
Facultativa NÃO é autolimitada.
19
Obrigatórias: apenas C. hominivorax e D. hominis.
20
Dermatobia hominis usa forese: cola ovos em hematófago.
21
Berne: asfixiar → retirar com pinça → limpar. Nunca puxar viva.
22
Conduta geral: retirada total + limpeza + ATB se infecção + reinspeção.
23
Terapia larval só em ambiente controlado com larvas estéreis.
24
Forense: sucessão + ciclo → estima PMI e deslocamento de cadáver.
25
Vulneráveis: idosos, deficientes, acamados, moradores de rua, feridas crônicas.
26
Prevenção: lixo fechado · ralos com água quente · alimentos cobertos · luzes.
27
Excesso de moscas = indicador de saneamento precário.