Anatomia Topográfica · Aula 1 · 2026.1

// painel de estudo · sistema abdominal

Anatomia do Abdômen
Parede & Região Inguinal

Mapa de campo da parede anterolateral à região inguinal: camadas, bainha do reto, áreas de fraqueza, hérnias, inervação e vascularização — com os pontos onde a prova costuma atacar.

Parede anterior Região inguinal 20 pontos-chave Cenários de prova

Eixo da aula

A hora de construir a base anatômica é agora.

A parede do abdômen muda completamente conforme o nível anatômico. Entender essa organização é o que permite definir incisões, reconhecer áreas de fraqueza e explicar as hérnias — o fio condutor de toda a aula.

01

Por que isso importa

Introdução & Contexto

A proposta da professora é agregar a vivência prática ao que já está no livro: a inserção de cada músculo e a inervação de cada estrutura também estão na literatura — mas o momento de se debruçar sobre a base de anatomia e histologia é agora, por mais simples que o conteúdo pareça.

Esse conhecimento será sempre útil para entender correlações, fisiopatologias e raciocínios clínicos. Quanto mais dedicação agora, mais fácil lá na frente.

O recorte de hoje

O abdômen é um tema amplo, dividido em várias aulas. Hoje:

Foco principalParede anterior do abdômen
ComplementarParede posterior e região inguinal
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02

O que delimita a região

Definição & Limites do Abdômen

O abdômen é a região situada entre o tórax e a pelve. Abriga as principais vísceras (fígado, baço, intestino…) e os principais vasos do corpo humano.

Limites por referências externas

Conceito da aula: boa parte dos limites não é definida por uma "folha" anatômica que separe fisicamente cada região — usam-se referências externas.

SuperiormenteDiafragma, esqueleto torácico e as últimas costelas (protegem a porção superior)
LateralmenteParedes musculoaponeuróticas; as fibras se entrelaçam — não dá para separar exatamente parede lateral de anterior
InferiormenteMusculatura pélvica, tendo o membro inferior como referência
Correção / pegadinha

O limite superior possui, sim, uma separação física bem definida: o músculo diafragma, que separa o abdômen do tórax. A ausência de separação física vale para a transição inferior com a pelve (formando a cavidade abdominopélvica).

fonte: Anatomia do Tórax — UERN
Correção / pegadinha

A musculatura pélvica (diafragma pélvico) forma o assoalho da pelve, não o assoalho do abdômen. E a referência que separa a parede abdominal do membro inferior é a região inguinal (ligamento inguinal), não a musculatura pélvica.

fonte: review Anatomia da Pelve
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03

Topografia clínica

As Nove Regiões

O abdômen foi dividido em nove regiões. No início se decora; com o tempo, vira natural. A localização de uma dor, de um achado ou de uma queixa permite formular hipóteses diagnósticas, escrever corretamente o prontuário e comunicar-se com colegas.

Importante para prova

Essa divisão guia o exame físico e toda a semiologia do abdômen — "uma das coisas mais importantes que vocês vão levar para a vida".

Correção / pegadinha

Chamar de "nove quadrantes" é erro: quadrante implica divisão em quatro. O correto é 4 quadrantes (planos mediano + transumbilical) ou 9 regiões (planos hemiclaviculares, subcostal e transtubercular).

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão

Mapa das nove regiões

Hipocôndrio DFígado · vesícula · flexura hepática
EpigástrioEstômago (dor) · lobo E fígado · cólon transverso
Hipocôndrio EEstômago (maior parte) · baço
Flanco DCólon ascendente
Mesogástrio / UmbilicalTrato GI (inespecífico)
Flanco ECólon descendente · jejuno
Fossa ilíaca D / InguinalCeco · apêndice · anexos (♀)
HipogástrioBexiga · ureter · reto
Fossa ilíaca ESigmoide · anexos (♀)

Lado do paciente: a direita do paciente aparece à sua esquerda na figura.

Sobre o estômago: boa parte está no hipocôndrio esquerdo, mas há porção no epigástrio — por isso uma dor epigástrica pode ser úlcera perfurada ou outra patologia gástrica.

Correlações diagnósticas imediatas

Hipocôndrio D
pensar em colecistite
Fossa ilíaca D
pensar em apendicite (apêndice na transição)
Região inguinal
pensar em hérnia inguinal
Fossa ilíaca E
pensar em diverticulite (sigmoide é o local mais comum); DD com apendicite
Importante para prova

O diagnóstico diferencial da dor em fossa ilíaca direita na mulher é muito mais amplo que no homem — por causa dos anexos e de todas as patologias ginecológicas.

Correção + complemento

A nomenclatura padrão da disciplina é apêndice vermiforme (não "apêndice cecal"). A apendicite pode irritar o psoas maior adjacente → fundamenta o sinal do psoas (dor à extensão da coxa), que pode faltar se o apêndice for retrocecal.

fonte: review Introdução · Conhecimento Anatômico Padrão

Aplicação no trauma

Região do impacto / do hematoma
Suspeita do tipo de lesão (vaso? fígado?)
Conduta: dá para conservar? tomografia? ultrassom?
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04

Da pele ao músculo

Composição da Parede

A parede se organiza de forma muito diferente conforme o nível. Entender isso é essencial para a cirurgia: definir onde e como incisar e corrigir problemas anatômicos.

1ª camada: pele & subcutâneo (Camper e Scarpa)

Principalmente abaixo da cicatriz umbilical, o tecido subcutâneo se diferencia em duas fáscias:

Fáscia de Camper
Mais superficial (em cima) · mais gordurosa
Fáscia de Scarpa
Mais profunda (embaixo) · mais membranosa, esbranquiçada
Mnemônico

C vem antes de S

Camper em Cima (gordurosa) → Scarpa embaixo (membranosa).

Plano muscular

A separação entre os músculos não é só pela orientação das fibras, mas também por relações aponeuróticas.

Reto abdominal
Único com fibras longitudinais ("em pézinho"), central; os demais ficam mais lateralmente.
Oblíquo externo
Vem da parede lateral; à frente as fibras vão em leque, inferomedialmente. Gesto da professora: colocar a mão no bolso.
Oblíquo interno
Logo abaixo do externo; mais inferiormente as fibras mudam e vão para cima (superomedial). Gesto: tirar a mão do bolso.
Transverso do abdômen
Fibras mais paralelas (horizontais), sem mudança acentuada de direção.
Mnemônico dos oblíquos

Mão no bolso ↘  ·  Tira a mão ↗

Externo = mão entra no bolso (fibras descem, inferomediais). Interno = tira a mão do bolso (fibras sobem). Funcionam como dois ventres com fibras em sentidos inversos → contração mais potente para mobilizar o tronco.

Correção / pegadinha

A analogia correta da literatura é com um músculo digástrico (dois ventres + tendão/aponeurose central): oblíquo externo de um lado age em sinergia com o oblíquo interno do lado oposto — não com o "gastrocnêmio". Além do reto, o pequeno músculo piramidal também tem fibras longitudinais (inconstante).

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão

Reto abdominal, linha semilunar & linha alba

Linha semilunarTransição do fim do reto para a aponeurose que se conecta aos oblíquos (vertical, lateral)
Linha albaSepara os dois ventres (D e E); formada pelo encontro das aponeuroses na linha média
Importante para prova

A linha alba é o principal local de incisão na laparotomia exploradora. Ao fechar (síntese), costura-se na aponeurose, não no músculo — por isso é preciso ter a linha alba bem delimitada.

Correção / pegadinha

Logo abaixo da linha alba não está o peritônio de imediato: a incisão ainda atravessa a fáscia transversal e o tecido adiposo extraperitoneal antes de chegar ao peritônio parietal. E os "gominhos" do reto vêm das interseções tendíneas (horizontais), não da linha alba/semilunar (verticais).

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão
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05

A virada da bainha

Bainha do Reto & Linha Arqueada

Na visão por dentro da parede anterior observam-se a linha arqueada e a cicatriz umbilical. A linha arqueada marca uma mudança no arranjo das aponeuroses da bainha do reto.

Correção / pegadinha

A linha arqueada (de Douglas) marca a mudança apenas no arranjo das aponeuroses da bainha: é onde a lâmina posterior termina e todas as aponeuroses passam a transitar anteriormente ao reto — não uma mudança nas fibras musculares em si.

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão

Acima da linha arqueada

O reto é envolvido à frente e atrás. O detalhe-chave: só o oblíquo interno se divide em dois folhetos (anterior e posterior).

Gatilho de memória

Só o INTERNO racha

Acima da arqueada, apenas a aponeurose do oblíquo interno se desdobra em folheto anterior + posterior, abraçando o reto.

Acima × Abaixo da linha arqueada

↑ Acima

Folheto anterior: aponeurose do oblíquo externo + folheto anterior do interno.

Folheto posterior: folheto posterior do interno + aponeurose do transverso.

Resultado → maior suporte.

↓ Abaixo

Anterior: aponeuroses dos três músculos passam à frente do reto.

Posterior: apenas fáscia transversal + peritônio.

Resultado → área de fraqueza.

Importante para prova

Abaixo da linha arqueada (e do umbigo) a parede fica muito mais frágil → mais sujeita à protrusão de estruturas intra-abdominais com o aumento da pressão.

Complemento

Além da fáscia transversal e do peritônio parietal, o tecido adiposo extraperitoneal (gordura pré-peritoneal) também compõe a estratificação posterior nessa região, interposto entre os dois.

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão
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06

Estratos & sustentação

Camadas Profundas & Piramidal

Da superfície à profundidade

1Pelerevestimento externo
2Tecido subcutâneofáscias de Camper (gordurosa) e Scarpa (membranosa)
3Plano muscularoblíquos externo/interno, transverso e reto abdominal
4Fáscia transversalfáscia profunda de revestimento do transverso
5Tecido extraperitonealgordura pré-peritoneal — varia com o IMC do paciente
6Peritôniomembrana fina e brilhosa que recobre o conteúdo
Correção / pegadinha

O estrato mais profundo da parede é o peritônio parietal (reveste a face interna da cavidade). A lâmina que recobre as vísceras é o peritônio visceral — não confundir.

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão

Músculo piramidal

Pequeno músculo na porção inferior (região do púbis) que dá sustentação à linha alba — justamente onde confluem as aponeuroses e se fazem as incisões/suturas. Tem pouca estrutura ao redor, mas é preciso saber que ele existe.

Complemento

O piramidal é um músculo inconstante: pode estar ausente em ~20% da população.

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão
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O que a parede faz

Funções da Musculatura

Complemento

Além de ajudar a posicionar a cúpula diafragmática, a contração ativa da musculatura abdominal (que empurra o diafragma para cima) é o principal motor da expiração forçada.

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão
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08

Onde a parede cede

Hérnias da Parede

As áreas de fraqueza dão origem às hérnias. Hérnia é uma protrusão / abaulamento de conteúdo abdominal.

Umbilical
A mais comum ("um bico para fora", reduz para dentro). Por fechamento incompleto após a ligadura do cordão; também adquirida (peso, tabagismo, fraqueza da parede).
Epigástrica
Na linha alba, entre o processo xifoide e o umbigo. Independe de cirurgia prévia.
Spiegel
Na linha semilunar; geralmente > 40 anos e associada à obesidade.
Incisional
Sobre local de corte cirúrgico prévio. Diferencia-se da epigástrica pela história do paciente.
Correção / pegadinha

A hérnia de Spiegel é interparietal: o saco atravessa as aponeuroses do transverso e do oblíquo interno, mas na maioria dos casos fica contido pela aponeurose do oblíquo externo (além de pele e subcutâneo) — não é recoberto "apenas por pele e subcutâneo".

fonte: Conhecimento Anatômico Padrão
Importante para prova

A obesidade é fator de risco porque aumenta a pressão intra-abdominal, favorecendo a protrusão de conteúdo pelos pontos de fraqueza.

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Nervos da parede

Inervação Anterolateral

A inervação acompanha bem os dermátomos. É feita pelos nervos toracoabdominais, que inervam a musculatura anterolateral e a pele sobrejacente.

Ramos cutâneos laterais
Torácicos → parede do hipocôndrio direito e esquerdo.
Nervo subcostal
Ramo anterior de T12; inerva o oblíquo externo.
Nervo ílio-hipogástrico
Ramo de L1; pele da região inguinal superior e hipogástrica + oblíquos externo/interno e transverso.
Nervo ílio-inguinal
Ramo de L1; vai à região inguinal interna/externa, inerva escroto/grande lábio (face medial) e a porção inferior do oblíquo interno e transverso.
Mnemônico

T12 subcostal · L1 = os dois "ílio"

Subcostal vem de T12. Os dois nervos ílio (ílio-hipogástrico + ílio-inguinal) vêm de L1.

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Suprimento sanguíneo

Vascularização

A vascularização vem de diversos vasos; os mais importantes são os epigástricos.

SUP Epigástrico superior

Ramo da torácica interna.

INF Epigástrico inferior

Ramo da ilíaca externa.

Os dois se anastomosam entre si. Da ilíaca externa também saem o epigástrico superficial e a circunflexa superficial. Contribuem ainda os intercostais posteriores (na transição) e os circunflexos.

Mnemônico

SUPerior vem de cima · INFerior vem de baixo

Epigástrico superior = torácica interna (vem de cima/tórax). Epigástrico inferior = ilíaca externa (vem de baixo/pelve). Eles se encontram e anastomosam.

Importante para prova

Os epigástricos são superficiais → muito cuidado em cirurgias e lipoaspiração para não lesioná-los.

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A parede por dentro

Visão Laparoscópica

A visão "de dentro" da parede é a que o cirurgião tem na videolaparoscopia (cirurgia com vídeo, sem abrir a barriga). Por isso é imprescindível reconhecer os vasos ilíacos e os vasos epigástricos inferiores.

Da teoria à prática

No livro tudo é artéria vermelha e veia azul; na cirurgia, para dissecar, é tudo rosa.

Reconhecer estruturas pela posição anatômica — e não só pela cor — é o que diferencia a anatomia real da figura do livro.

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O acabamento de trás

Parede Posterior

Inervação posteriorDerivada principalmente do plexo lombar (psoas)
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Da parede à virilha

Região Inguinal & Ligamentos

Estende-se da espinha ilíaca ântero-superior até o tubérculo púbico.

Ligamento inguinal

FormaçãoAponeurose do oblíquo externo, a parte final que se dobra sobre si mesma
InserçãoA maioria das fibras vai ao tubérculo púbico
Importante para prova

O ligamento inguinal é um grande referencial palpável ("um cordão que desce logo após a espinha") — reparo anatômico e referência no estudo das hérnias.

Reforços e extensões

Trato iliopúbico
Faixas fibrosas espessas, inferolaterais; margem inferior espessa da fáscia transversal. Segue paralelo e posterior ao ligamento inguinal e reforça a parede posterior/assoalho do canal.
Ligamento lacunar
Fibras que seguem posteriormente, conectadas ao pécten do púbis.
Ligamento pectíneo (de Cooper)
Fibras laterais que passam pela linha pectínea.
Aplicação cirúrgica

Ligamentos lacunar, de Cooper e o trato iliopúbico são pontos de fixação de tela: quando há fraqueza da parede, a tela é ancorada justamente neles para dar melhor suporte.

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A fraqueza inata

Orifício de Fruchaud

Há uma área de fraqueza inata, normal a todos: o orifício miopectíneo de Fruchaud.

Importante para prova

Todas as hérnias da região — femorais, inguinais diretas e indiretas — ocorrem nessa grande área de fraqueza.

ligamento inguinal vasos epigástricos INDIRETA lateral · acima DIRETA medial · acima FEMORAL abaixo do ligamento

Ligamento inguinal divide acima × abaixo · vasos epigástricos dividem medial × lateral

Mnemônico das hérnias

Linha divide ↕ · Vasos dividem ↔

Ligamento inguinal: acima = inguinais; abaixo = femorais.

Vasos epigástricos: Medial = Direta; Lateral = Indireta.

Os trígonos (visão posterior)

Trígono da hérnia direta

Área da hérnia inguinal direta.

Trígono da hérnia indireta

Área da hérnia inguinal indireta.

Trígono da hérnia femoral

Área da hérnia femoral.

☠ Trígono da MORTE

Passam os vasos ilíacos → lesão = hemorragia grave.

⚡ Trígono da DOR

Passa a inervação (ílio-hipogástrico e ílio-inguinal) → lesão = dor.

Gatilho de memória

MORTE sangra · DOR enerva

Trígono da morte = vasos ilíacos (sangra). Trígono da dor = nervos (dói). "Isso é impressionante como cai em prova."

Importante para prova — limites de Fruchaud

Superior: arco aponeurótico do transverso (e do oblíquo interno).

Inferior: ligamento pectíneo (de Cooper).

Medial: borda lateral do reto abdominal.

Lateral: músculo iliopsoas.

Moldura de Fruchaud

Teto · Piso · 2 paredes

Teto = Transverso · Piso = Pectíneo (Cooper) · parede medial = Reto · parede lateral = iliopsoas.

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O túnel da virilha

Canal Inguinal

Pode ser sentido no exame físico, principalmente nos homens e com o tempo. Possui aberturas (anéis) nas extremidades.

Anéis inguinais

Anel interno (profundo)
Formado pela invaginação da fáscia transversal. É o que se palpa principalmente no exame.
Anel externo (superficial)
Formado pela divisão das fibras da aponeurose do oblíquo externo, superolateral ao tubérculo púbico.

No homem passam os elementos do cordão espermático; na mulher, o ligamento redondo. Em condições normais o anel é estreito; com esforço (ou ar), ele dilata consideravelmente.

Paredes, assoalho & conteúdo

Parede anterior
Aponeurose do oblíquo externo.
Parede posterior
Fáscia transversal.
Assoalho
Lateral: trato iliopúbico · Central: sulco do ligamento inguinal · Medial: ligamento lacunar.
Conteúdo ♂ / ♀
Cordão espermático (♂) ou ligamento redondo (♀); + vasos e ramo do nervo ílio-inguinal.
Importante para prova

Uma das principais complicações da cirurgia de hérnia é a DOR: o nervo ílio-inguinal atravessa a região e não há como não manipulá-lo — pode ficar irritado por um tempo após a cirurgia.

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Direta × indireta

Hérnias Inguinais

IND Indireta

Passa pelo anel inguinal interno → uma alça percorre o canal inguinal por um caminho que não deveria existir para ela.

Lateral aos vasos epigástricos.

DIR Direta

Protrusão em área de fragilidade: o triângulo de Hesselbach.

Medial: delimitada pela borda lateral do reto abdominal.

Hérnia mista: pode ocorrer, principalmente quando há destruição da parede posterior do canal, tornando direta e indireta "uma coisa só".

Diferenciação pela palpação

Ponta do dedo → Indireta
A hérnia desce pelo canal inguinal e toca a ponta do dedo (fundo do canal).
Polpa do dedo → Direta
Protrai diretamente pela parede (Hesselbach) contra a polpa do dedo.
Mnemônico da palpação

PoNta → iNdireta · Polpa → direta

A indireta vem de longe, pelo canal, e bate na ponta do dedo. A direta empurra de frente, contra a polpa.

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Discussão clínica

Colostomia & Corpo Estranho

Pergunta de aluno: paciente com hérnia em colostomia após cirurgia de câncer de cólon, mantida exteriorizada por meses sem reposicionar.

Colostomia = comunicação do cólon (intestino grosso) com o meio externo. Quando certas patologias/cirurgias impedem a defecação pelo ânus, desvia-se o trânsito para a colostomia.

Complicações e conduta

Pode ocorrer herniação ou, mais precisamente, prolapso da colostomia (existem hérnia paracolostomia e prolapso da colostomia). É mais comum na colostomia de cólon transverso, por ser mais móvel.

Sem sinal de obstrução (colostomia funcionando)
Mantém-se como está — a chance de reduzir e voltar a sair é grande
Só se intervém na reconstrução do trânsito intestinal
Princípio do corpo estranho

"Quando há um corpo estranho dentro do abdômen, o corpo acha um jeito de voltar pra fora — começa a exteriorizar."

Por isso compressas/gazes não são retiradas cirurgicamente depois: o organismo tende a exteriorizá-las. Há relato de gaze retida em que a pele não foi fechada (só a aponeurose) e o paciente chegou com "pele, alça e pele". Aventou-se também fragilidade da parede após o fechamento da colostomia para o abaulamento róseo, redutível e sem saída de fezes do caso.

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Dá it just clicked · cenários

DIJC — Cenários de Prova

Cenário 01

Paciente vai à laparotomia exploradora. Onde se faz a incisão e onde se costura ao fechar?

Resposta

Incisão na linha alba (poupa a musculatura); na síntese, costura-se na aponeurose, nunca no músculo. Por isso a linha alba precisa estar bem delimitada.

Cenário 02

Abaulamento abaixo do umbigo com o esforço. Por que essa região hernia mais?

Resposta

Abaixo da linha arqueada, as três aponeuroses passam à frente do reto e atrás sobra só fáscia transversal + peritônio → área de fraqueza, sujeita à protrusão com o aumento da pressão.

Cenário 03

Hérnia inguinal: como diferenciar direta de indireta na palpação e pela anatomia?

Resposta

Indireta: pelo anel interno, percorre o canal, sentida na ponta do dedo, lateral aos vasos epigástricos. Direta: pelo triângulo de Hesselbach, contra a polpa, medial aos vasos.

Cenário 04

Durante reparo laparoscópico, quais áreas o cirurgião deve evitar e por quê?

Resposta

Trígono da morte (vasos ilíacos → hemorragia) e trígono da dor (nervos ílio-hipogástrico/ílio-inguinal → dor pós-operatória). Toda hérnia da região nasce no orifício de Fruchaud.

Cenário 05

Paciente queixa-se de dor persistente após herniorrafia inguinal. Causa anatômica?

Resposta

O nervo ílio-inguinal atravessa o canal e não há como não manipulá-lo — fica irritado por um tempo. A dor é uma das principais complicações da cirurgia de hérnia.

Cenário 06

Mulher com dor em fossa ilíaca direita. Por que o raciocínio difere do homem?

Resposta

O diagnóstico diferencial é mais amplo: além de apendicite, há os anexos e toda a patologia ginecológica. Lembrar também da diverticulite (fossa ilíaca esquerda/sigmoide) como DD.

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Revisão relâmpago

Pontos-Chave para Prova

  1. Abdômen = região entre tórax e pelve; o diafragma separa fisicamente em cima, mas a transição inferior com a pelve não tem separação física (cavidade abdominopélvica).
  2. 9 regiões (não "9 quadrantes") orientam hipóteses: colecistite (hipocôndrio D), apendicite (fossa ilíaca D), diverticulite (fossa ilíaca E/sigmoide).
  3. Dor em fossa ilíaca direita na mulher tem DD mais amplo (anexos, ginecológicas).
  4. Subcutâneo abaixo do umbigo: Camper (superficial, gordurosa) e Scarpa (profunda, membranosa) — "C antes de S".
  5. Reto = fibras longitudinais; oblíquos em direções inversas (potência); transverso com fibras paralelas.
  6. Linha alba = local da incisão na laparotomia; fechamento na aponeurose, não no músculo.
  7. Acima da linha arqueada o reto tem folheto anterior e posterior; abaixo dela, atrás sobra só fáscia transversal + peritônio → fraqueza.
  8. Camadas profundas (fora→dentro): fáscia transversal → tecido extraperitoneal (varia com o IMC) → peritônio.
  9. Hérnias da parede: umbilical (mais comum), epigástrica (linha alba, sem cirurgia prévia), Spiegel (linha semilunar, >40a, obesidade), incisional (sobre cicatriz).
  10. Obesidade é fator de risco porque aumenta a pressão intra-abdominal.
  11. Inervação: subcostal (T12), ílio-hipogástrico (L1) e ílio-inguinal (L1).
  12. Vascularização: epigástricos superior (torácica interna) e inferior (ilíaca externa) se anastomosam; são superficiais → cuidado em cirurgia/lipo.
  13. Ligamento inguinal (aponeurose do oblíquo externo) emite lacunar e Cooper (pectíneo) — pontos de fixação de tela.
  14. Orifício de Fruchaud: área única para hérnias inguinais e femorais. Limites: transverso (sup.), Cooper (inf.), reto (medial), iliopsoas (lateral).
  15. Trígono da morte = vasos ilíacos; trígono da dor = nervos ílio-hipogástrico e ílio-inguinal.
  16. Canal inguinal: anel interno (invaginação da fáscia transversal) e externo (aponeurose do oblíquo externo); conteúdo = cordão espermático (♂) / ligamento redondo (♀).
  17. Dor é a principal complicação da cirurgia de hérnia (manipulação do nervo ílio-inguinal).
  18. Indireta: anel interno, percorre o canal, ponta do dedo, lateral aos vasos. Direta: triângulo de Hesselbach, polpa do dedo, medial aos vasos.
  19. Em colostomia sem obstrução, mantém-se o prolapso/hérnia; só se intervém na reconstrução do trânsito.
  20. Princípio do corpo estranho: o organismo tende a exteriorizá-lo (por isso compressas/gazes saem sozinhas).
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Vocabulário essencial

Glossário

Aponeurose
Lâmina de tecido conjuntivo fibroso que prolonga e ancora músculos planos.
Linha alba
Confluência mediana das aponeuroses; principal local de incisão na laparotomia.
Linha semilunar
Linha de transição lateral entre o reto abdominal e suas aponeuroses.
Linha arqueada
Limite abaixo do qual muda a composição da bainha do reto.
Bainha do reto
Envoltório aponeurótico do reto abdominal (folhetos anterior e posterior).
Fáscia de Camper / Scarpa
Camadas do subcutâneo abaixo do umbigo (gordurosa / membranosa).
Fáscia transversal
Fáscia profunda que reveste o transverso; forma a parede posterior do canal inguinal.
Peritônio
Membrana serosa fina que reveste a cavidade (parietal) e as vísceras (visceral).
Ligamento inguinal
Borda inferior dobrada da aponeurose do oblíquo externo; reparo palpável.
Trato iliopúbico
Reforço fibroso posterior, paralelo ao ligamento inguinal.
Ligamento lacunar
Extensão medial do ligamento inguinal até o pécten do púbis.
Ligamento de Cooper (pectíneo)
Fibras laterais sobre a linha pectínea; ponto de fixação de tela.
Orifício de Fruchaud
Área de fraqueza única onde surgem hérnias inguinais e femorais.
Triângulo de Hesselbach
Área de fragilidade da hérnia inguinal direta.
Trígono da morte
Região onde passam os vasos ilíacos (risco de hemorragia).
Trígono da dor
Região onde passam os nervos (risco de dor pós-operatória).
Hérnia indireta
Protrusão pelo anel inguinal interno, percorrendo o canal.
Hérnia direta
Protrusão pela parede posterior (triângulo de Hesselbach).
Colostomia
Comunicação cirúrgica do cólon com o exterior para desvio do trânsito.
Videolaparoscopia
Cirurgia minimamente invasiva por vídeo; dá a visão "por dentro" do abdômen.
FIM
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