Atlas Topográfico · Prancha de estudo

Anatomia do Abdome

Parede abdominal, vísceras e vascularização — da peça cadavérica à prova prática.

Anatomia Topográfica Aula 1 · 2026.1 13 · jun · 2026
⚠
AtençãoPega de prova
✎
Não caiaCorreção
+
Vai alémAprofunda
★
MemóriaMnemônico

Aula prática em peças cadavéricas: combina a parte muscular (menor) com a parte de vísceras (maior) — estômago, intestinos, fígado, vesícula, pâncreas, baço e rim — e termina na vascularização arteriovenosa e nas correlações clínico-cirúrgicas.

"A gente não consegue ver nada disso, é tudo imaginário. Mas existe — está lá."Na bancada, sobre os planos musculares
01

Prancha 01 · Estrutura de contenção

Parede abdominal

Músculos da parede

Três músculos planos em camadas + o músculo vertical central:

Oblíquo externo
O mais superficial.
Oblíquo interno
Camada intermediária.
Transverso
O mais profundo; fibras realmente transversas.
Retos abdominais
Verticais, no meio. (Há ainda o piramidal, pequeno e inconstante.)
🧅
De dentro para fora, na peça a sequência de profundidade é transverso → oblíquo interno → oblíquo externo — como descascar uma cebola por camadas.

Linha alba & linha arqueada

Acima da linha arqueada ~6 lâminas
As aponeuroses do oblíquo externo, interno e transverso abraçam o reto pela frente e por trás → bainha completa (lâmina anterior + posterior).
Abaixo da linha arqueada ~3 lâminas
Todas as aponeuroses passam só por cima (anteriores ao reto). Atrás resta contato direto: fáscia transversal, gordura pré-peritoneal e peritônio parietal.
"Imagine que antes vocês tinham seis aponeuroses abraçando o músculo. A partir de agora, são três."
⚠Pega de prova

Pela redução de lâminas, a região abaixo da linha arqueada é um ponto de fragilidade da parede abdominal.

🤗
Acima = abraço por todos os lados. Abaixo = só um cobertor por cima, as costas ficam descobertas.

Fragilidade & hérnias

Os pontos de fragilidade explicam os tipos de hérnia (umbilical, inguinal etc.).

⚠Pega de prova

Hérnia que encarcera = urgência → entra para cirurgia (risco de estrangulamento).

Diástase dos retos

Separação dos músculos retos na linha média: o contato passa a ser só pela aponeurose/fáscia, sem reforço muscular. A pressão abdominal empurra a parede e o conteúdo "escapa" para frente.

✎Correção · diástase ≠ hérnia

Na diástase não há defeito/anel aponeurótico nem saco herniário — apenas esgarçamento da linha alba. Por isso não encarcera. Já a hérnia tem orifício fascial verdadeiro.

"O fato de a mulher ter feito uma cesárea não significa que ela não possa ter um segundo filho de parto normal. As coisas não se excluem."

Trígono de Hesselbach & hérnia inguinal

Delimitado por três bordas:

Borda lateral do reto abdominal — medial Ligamento inguinal — inferior Vasos epigástricos inferiores — lateral
Mnemônico ★Limites do Hesselbach
R·I·E

Reto (medial) · Inguinal, ligamento (inferior) · Epigástricos inferiores (lateral).

Hérnia direta
Passa no meio do trígono, medial aos vasos epigástricos inferiores.
Hérnia indireta
Segue o canal inguinal, lateral aos vasos epigástricos inferiores.
⚠Pega de prova

A aula privilegia o trígono de Hesselbach sobre o de Petit ("não vamos ligar para o de Petit"). O trígono femoral (de Scarpa) fica abaixo do ligamento inguinal.

Vasos epigástricos & anastomose

Desce
Epigástrica superior — ramo da artéria torácica interna (= mamária).
↓ ⟷ ↑
Sobe
Epigástrica inferior — ramo da artéria ilíaca externa.
↓
Encontro
Anastomose dentro da bainha do reto — irriga a parede anterior/mediana.
✎Correção · origem & território

A epigástrica inferior é ramo da artéria ilíaca externa (a aula falou "interna"). E a anastomose ocorre dentro da bainha do reto, irrigando a porção anterior/mediana — não o abdome lateral.

Úraco & cicatriz umbilical

Camadas da parede & a cesárea

Laparoscopia = por vídeo Laparotomia = abertura "de verdade"

A cesárea não é cirurgia simples: atravessa cerca de sete camadas até a criança.

+Aprofunda

Entre o músculo e o peritônio parietal há ainda a fáscia transversal e a gordura pré-peritoneal (extraperitoneal), frequentemente omitidas na contagem.

"Cesárea não é uma cirurgia 'caseira'. É muita coisa — realmente complicada."
02

Prancha 02 · Os véus da cavidade

Omento & peritônio

Omento maior & menor

Omento maior
Origina-se na curvatura maior do estômago e duodeno proximal; pende sobre as alças como um avental. Ajuda na sustentação e no peristaltismo.
Omento menor
Prega dupla da curvatura menor + duodeno proximal até o fígado (ligamentos hepatogástrico + hepatoduodenal).
✎Correção · "tutuando"

O omento maior não fica entre estômago e diafragma (isso é o ligamento gastrofrênico). Ele pende como um avental sobre as alças. O omento menor não recobre vísceras inferiores: ele sobe da curvatura menor ao fígado.

🧣
Omento maior = avental pendurado na frente das alças; omento menor = lenço curto que liga estômago ao fígado.

Peritoniais × retroperitoniais

Intraperitoniais
Ficam à frente, revestidos pelo peritônio. Vísceras móveis (cólon transverso, sigmoide).
Retroperitoniais
Ficam atrás do peritônio. Rim, ureter (2/3 superiores), partes do duodeno, cólon asc./desc. (secundários).
⚠Pega clássica · intestino grosso

Cólon ascendente e descendente = secundariamente retroperitoneais (fixos à parede posterior, sem mesocólon). Ureter ≈ 2/3 superiores retroperitoneais. Rim retroperitonial. Lembre das variações anatômicas.

✎Correção · mesocólon

O mesocólon não é um órgão retroperitoneal. É uma prega peritoneal (dupla lâmina) que fixa porções intraperitoneais do intestino grosso à parede posterior.

"Na minha época isso era cobrado em prova — quais são os órgãos retroperitoniais. São poucos, dá para decorar de boa."
Mnemônico ★Quem fica atrás (retro)
Rim · Ureter · Duodeno + Cólons laterais

RUD + os Cólons ascendente/descendente. Tudo o que está "preso nas costas" da cavidade.

03

Prancha 03 · Tubo digestório · I

Estômago

Sequência: esôfago → estômago. Regiões, da entrada à saída:

Entrada
Cárdia — junção esofagogástrica, marcação difícil.
↓
Fundo → Corpo
↓
Antro — o estômago vai afunilando em direção ao piloro.
↓
Saída
Piloro — junção com o duodeno.
Mnemônico ★Regiões do estômago
Cada Fome Chega Ao Piloro

Cárdia · Fundo · Corpo · Antro · Piloro — na ordem do trajeto.

Esfíncter do piloro

Piloro
Marcação em anel, ao redor (círculo).
Esfíncter do piloro
Marcação de um ponto sobre a fibra muscular mais espessa.

Pregas gástricas & linha Z

+Aprofunda · esfíncteres

O piloro é esfíncter anatômico verdadeiro (espessamento muscular). A cárdia não tem esfíncter anatômico — atua como esfíncter fisiológico (funcional) antirrefluxo.

04

Prancha 04 · Tubo digestório · II

Intestino delgado

Duodeno Jejuno Íleo

Duodeno & ângulo de Treitz

🔤
O duodeno tem forma de "C" abraçando a cabeça do pâncreas — modelado pela fixação retroperitoneal; o Treitz "segura" só a ponta final (flexura duodenojejunal).
✎Correção · o que o Treitz faz

A forma em "C" do duodeno vem da firme fixação retroperitoneal; o ligamento de Treitz sustenta apenas a flexura duodenojejunal. Nomenclatura oficial: músculo suspensor do duodeno (até o pilar direito do diafragma).

Jejuno & íleo

Não há limite macroscópico nítido entre jejuno e íleo ("não dá para saber onde acaba um e começa o outro"). Tudo é reconhecido como intestino delgado.

"O que dá para ver mesmo é quando começa a virar intestino grosso — aí sim daria para marcar na prova."
05

Prancha 05 · Tubo digestório · III

Intestino grosso

Ceco, apêndice & junção íleo-cecal

✎Correção · junção ≠ válvula

A junção ileocecal é a transição topográfica externa. A válvula ileocecal (papila ileal) é a estrutura interna no óstio ileal (lábios e frênulos). Não são a mesma coisa.

Variações do apêndice

⚠Pega de prova

O apêndice tem grande variação de posição — pode chegar ao hipocôndrio direito e, raramente, ao lado esquerdo. Por isso, ao marcar "apêndice" não se pede lado direito/esquerdo ("só tem um").

Segmentos do cólon

Ceco → Ascendente → Transverso → Descendente → Sigmoide → Reto

Na prova, é fácil quando o segmento está em posição reconhecível; "jogado" e desorganizado, fica difícil diferenciar ascendente de descendente.

+Aprofunda · final do trajeto

Após a ampola retal, o intestino grosso se encerra no canal anal (também faz parte do intestino grosso).

Flexuras & tênias

Flexura hepática (direita)
Curvatura do cólon junto ao fígado. Oficial: flexura cólica direita.
Flexura esplênica (esquerda)
Curvatura junto ao baço. Oficial: flexura cólica esquerda.
⚠Pega · tênias nesta peça

As tênias do cólon (faixas musculares longitudinais) não são visíveis nesta peça → não devem ser cobradas. Aprofundamento: são três (livre, mesocólica, omental), da base do apêndice à junção retossigmóidea.

06

Prancha 06 · Fim do trajeto

Reto & ânus

🛑
As válvulas de Houston funcionam como "freios" do conteúdo fecal, auxiliando a continência da porção final.
07

Prancha 07 · Glândula mista

Pâncreas

Partes

Cabeça Colo Corpo Cauda Processo uncinado
✎Correção · divisão oficial

São quatro partes primárias: cabeça, colo, corpo e cauda. O processo uncinado (a "foicezinha") não substitui o colo — é um prolongamento da porção inferior da cabeça.

Ducto & sulco

✎Correção · quem mora no sulco

O ducto pancreático principal transita no interior do parênquima (centralmente), não num sulco superficial. Quem se aloja no sulco da face posterior da cabeça é o ducto colédoco.

08

Prancha 08 · A grande víscera

Fígado

Lobos

Direito Esquerdo Caudado Quadrado (inferior)
+Aprofunda · anatômico × funcional

A divisão funcional/cirúrgica usa a linha de Cantlie (fossa da vesícula → veia cava). Por isso os lobos caudado e quadrado, embora pareçam do lado direito, pertencem ao lobo funcional esquerdo.

Ligamentos

Falciforme
Separa lobos direito e esquerdo; liga o fígado à parede anterior (peritônio).
Redondo
Resquício da veia umbilical, na borda livre do falciforme.
Triangular esquerdo
Fixa o lobo esquerdo ao diafragma.
Triangular direito
Fixa o lobo direito ao diafragma (pouco visível na peça).
Coronário
Une o fígado ao diafragma, em continuidade com os triangulares.
⚓
Coronário + triangulares = âncoras do fígado no diafragma. Falciforme = divisor + ligação com a parede anterior.
"O ligamento falciforme liga o fígado à parede anterior e divide o fígado em dois lados; é só isso."

Cápsula de Glisson

✎Correção · natureza da cápsula

A cápsula de Glisson não é peritoneal: é uma cápsula fibrosa (tecido conjuntivo), profunda ao peritônio visceral, que acompanha a tríade portal para dentro do órgão. A cápsula reveste; os ligamentos são pregas de fixação.

09

Prancha 09 · Drenagem da bile

Vesícula & vias biliares

Partes da vesícula

Fundo Corpo Infundíbulo → colo → ducto cístico
+Aprofunda

Divisão oficial: fundo, corpo e colo. O infundíbulo (bolsa de Hartmann) é dilatação na região do colo onde os cálculos costumam impactar.

Formação das vias biliares

Vesícula
Ducto cístico
+
Fígado
Hepático direito + esquerdo → hepático comum
↓ formam
Ducto colédoco  (cístico + hepático comum)
+ ducto pancreático ↓
Ampola de Vater → saída pela papila duodenal maior (2ª porção do duodeno)
Mnemônico ★Confluência biliar

Cístico + Hepático comum = Colédoco.
Colédoco + Pancreático = Ampola (Vater) → Papila maior.
Dois rios viram o colédoco; o colédoco encontra o pancreático e forma a ampola.

Ampola × papila

⚠Pega de prova

Não confundir papila e ampola — a própria professora relatou ter errado essa questão no P2. Oficial: ampola = ampola hepatopancreática; ela desemboca na papila duodenal maior, na parte descendente (2ª porção) do duodeno.

10

Prancha 10 · Órgão linfoide

Baço

🔁
Regra geral do hilo: a artéria esplênica entra e a veia esplênica sai (artéria chega ao órgão, veia sai).
✎Correção · faces, não margens

O baço não tem margem "lateral/medial". Tem faces: diafragmática (lateral, convexa) e visceral (medial, côncava, com o hilo). Suas margens reais são a superior (entalhada) e a inferior.

"Para cobrar margem fica muito ruim de marcar — provavelmente não vai cair."
11

Prancha 11 · Retroperitônio

Rim

Revestimento & divisão

+Aprofunda · envoltórios

De dentro para fora: cápsula renal (fibrosa) → gordura perirrenal (cápsula adiposa) → fáscia renal.

Sistema coletor

Pirâmides renais (medula) → Papila (ápice da pirâmide, aponta para o seio)
↓
Cálices menores → cálices maiores
↓
Pelve renal (emerge pelo hilo) → afunila → ureter
✎Correção · pelve × ureter

Quem emerge no hilo é a pelve renal (funil largo). O ureter é ducto de pequeno calibre e só começa abaixo do hilo. A papila aponta centralmente para o cálice menor (não "ao lado").

⚠Pega de prova

Distinguir papila × pirâmide × ampola × papila renal — confusão clássica (a professora cita ter errado).

Pedículo: artéria, veia & ureter

Artéria renal
Parede mais espessa, calibre menor.
Veia renal
Parede mais fina.
Ureter
Visto descendo; a porção larga em funil que sai do rim é a pelve.
Mnemônico ★Hilo renal — da frente p/ trás
V · A · P

Veia (anterior) · Artéria (meio) · Pelve (posterior). E "parede grossa = artéria".

Correlação clínica · veia testicular esquerda

✚Anatomoclínica

A veia testicular (gonadal) esquerda drena na veia renal esquerda (à direita drena direto na cava). Um trombo na renal esquerda dificulta o retorno → ingurgitamento → varicocele à esquerda.

→ Varicocele esquerda inexplicada = pesquisar problema renal (trombo, síndrome nefrótica).

+Aprofunda · por que à esquerda?

A veia testicular esquerda drena em ângulo de 90° na renal esquerda (mais resistência e pressão), enquanto a direita drena obliquamente na cava — por isso a varicocele é naturalmente mais frequente à esquerda.

12

Prancha 12 · Vascularização arterial

Artérias do abdome

A aorta abdominal desce e emite, anteriormente, o tronco celíaco (visto como um "botão").

Tronco celíaco — 3 ramos

Gástrica esquerda Hepática comum Esplênica
Mnemônico ★Tronco celíaco
Gata Helena Esplêndida

Gástrica esquerda · Hepática comum · Esplênica. Um tridente de 3 pontas saindo do "botão".

Ramos hepáticos

Hepática comum → emite a gastroduodenal → continua como hepática própria
↓
Hepática direita + hepática esquerda
↓ da direita
Artéria cística → vesícula
+Aprofunda

A hepática própria é a continuação da comum só depois de esta emitir a artéria gastroduodenal.

Vascularização do estômago

Curvatura menor
Artérias gástrica esquerda e gástrica direita.
Curvatura maior
Gastromentais (gastroepiploicas): esquerda (da esplênica) + direita (da gastroduodenal).
⚠Pega · trauma abdominal

Em trauma do fundo gástrico, o sangramento pode vir das gástricas curtas (origem na esplênica) → sangram bastante.

Pancreaticoduodenais

✎Correção · território

Irrigam a cabeça do pâncreas e o duodeno (o "C" ao redor da cabeça) — não existe "curvatura do pâncreas". A superior vem da gastroduodenal; a inferior, da mesentérica superior → formam arcadas anastomóticas.

Mesentérica superior (AMS)

Cólica direita Cólica média Íleocólica Apendicular

Para o delgado: artérias jejunais e ileais, que formam arcos arteriais e artérias retas (vasa recta).

✎Correção · de onde vem a apendicular

A artéria apendicular não é ramo direto da AMS — origina-se da íleocólica. Destino: apêndice vermiforme.

Mesentérica inferior (AMI)

Mnemônico ★Ramos da AMI
E · S · S

Cólica Esquerda · Sigmóideas · retal Superior.

⚠Território da AMI

Irriga o último 1/3 do cólon transverso e o cólon descendente em diante.

Arcada de Riolan × Drummond

Arcada de Riolan
Anastomose mais central, conectando cólica média (AMS) ↔ cólica esquerda (AMI). Inconstante.
Arcada de Drummond
Grande artéria marginal, junto ao intestino grosso, unindo todas as cólicas. Liga AMS ⟷ AMI.
✎Correção · quem o Riolan une

O arco de Riolan conecta cólica média e cólica esquerda (e não cólica direita, como dito na aula). Drummond = todas as cólicas (marginal ampla).

Mnemônico ★Riolan vs Drummond

Riolan = Reduzida e central (média + esquerda).
Drummond = Distal e grande (marginal, todas as cólicas, une AMS↔AMI).

13

Prancha 13 · Retorno venoso & cirurgia

Veias & triângulo de Calot

Cava inferior & veia porta

Veia cava inferior
Bem grande, fácil de identificar — "não tem como errar".
Veia porta hepática
Não confundir com a cava; ligada à "cabeça de medusa" na hipertensão portal.
⚠Pega de prova

Use a posição anatômica para distinguir veia porta de veia cava inferior.

+Aprofunda · anastomoses porto-cavais

Além da "cabeça de medusa" (veias paraumbilicais), há o plexo retal: a retal superior drena no sistema porta; as retais média e inferior, no sistema cava.

Triângulo de Calot

Referência cirúrgica na colecistectomia.

Limites clássicos
Ducto cístico · ducto hepático comum · artéria cística.
Atualização
Trígono hepatocístico: limite superior = margem inferior do lobo direito do fígado.
✚Por que importa

Identificar o triângulo permite isolar e ligar com segurança o ducto cístico e a artéria cística, poupando as estruturas nobres: ducto hepático comum, colédoco e artéria hepática direita.

14

Prancha 14 · Correlação anatomoclínica

Síndromes vasculares

Hipotensão supina

Mecanismo
Gestante em decúbito dorsal → útero comprime a veia cava inferior
↓
↓ retorno venoso → ↓ débito cardíaco → hipotensão (falta de ar, mal-estar)
↓ conduta
Conduta
Virar em decúbito lateral esquerdo → "desafoga" a cava
"Uma grávida deitada há muito tempo que começa a ter falta de ar e mal-estar sem causa aparente — vire-a para o lado esquerdo."

Quebra-nozes & May-Thurner

Quebra-nozes (Nutcracker)
Veia renal esquerda comprimida na pinça AMS × aorta → prejudica a gonadal esquerda → dor / varicocele à esquerda.
May-Thurner (Cockett)
Veia ilíaca comum esquerda comprimida pela artéria ilíaca comum direita contra L5 → estase/trombose do MI esquerdo.
✎Correção · a "pinça" do Nutcracker

No Nutcracker clássico (anterior), a renal esquerda é prensada entre AMS (à frente) e aorta (atrás) — a coluna não é o anteparo direto (isso só na variante posterior, rara).

Mnemônico ★O elo das 3 síndromes
Sempre a artéria esmaga a veia

Todas comprimem uma estrutura venosa por uma arterial, prejudicando o retorno venoso.
Nutcracker = renal esq. · May-Thurner = ilíaca comum esq. · Supina = cava (vire à esquerda).

★

DIJC · Direto à prova

Cenários de prova mais prováveis

Como o conteúdo tende a aparecer na prática e na teoria — pares pergunta/resposta para treinar o reflexo.

"Cite os órgãos retroperitoniais."

Rim, ureter (2/3 sup.) e partes do duodeno; cólon asc./desc. são secundariamente retroperitoneais. Pegadinha: o mesocólon não entra — é prega peritoneal.

"Hérnia inguinal direta ou indireta?"

Direta = medial aos vasos epigástricos inferiores (no meio do Hesselbach). Indireta = lateral, pelo canal inguinal.

"De onde vem a artéria epigástrica inferior?"

Da artéria ilíaca externa. A superior vem da torácica interna e ambas se anastomosam dentro da bainha do reto.

"Quais os 3 ramos do tronco celíaco?"

Gástrica esquerda, hepática comum e esplênica (mnemônico Gata Helena Esplêndida).

"Qual ducto se aloja no sulco da cabeça do pâncreas?"

O ducto colédoco — não o pancreático principal (que corre dentro do parênquima).

"Marque a estrutura que sai pelo hilo renal."

A pelve renal (funil largo). O ureter começa fino, já abaixo do hilo. No pedículo, da frente p/ trás: V-A-P.

"Varicocele esquerda inexplicada — próximo passo?"

Investigar causa renal esquerda (trombo / Nutcracker), pois a gonadal esquerda drena na renal esquerda.

"Riolan une quais cólicas?"

Cólica média + cólica esquerda (central). Drummond = marginal de todas as cólicas, unindo AMS e AMI.

"Gestante em decúbito dorsal, dispneica e hipotensa. Conduta?"

Decúbito lateral esquerdo — descomprime a veia cava inferior e restaura o retorno venoso.

"Diferencie papila × ampola."

Ampola (hepatopancreática / de Vater) = dilatação da confluência colédoco + pancreático. Papila duodenal maior = abertura no duodeno (2ª porção). Erro clássico — cobrado no P2.

§

Léxico da prancha

Glossário

AponeuroseLâmina fibrosa de inserção muscular; forma a bainha do reto.
Linha albaRafe fibrosa mediana da parede abdominal anterior.
Linha arqueadaTransição da composição da bainha do reto; abaixo dela, ponto de fragilidade.
Diástase dos retosSeparação dos retos abdominais na linha média, sem anel herniário.
Trígono de HesselbachReto abdominal + ligamento inguinal + vasos epigástricos inferiores; hérnia direta.
ÚracoResquício ligamentar entre bexiga e umbigo (prega umbilical mediana).
OmentoFolheto peritonial sobre as vísceras (maior, em avental; menor, ao fígado).
RetroperitonialÓrgão situado atrás do peritônio (ex.: rim, ureter).
AntroPorção afunilada do estômago próxima ao piloro.
Ângulo/ligamento de TreitzMúsculo suspensor do duodeno; sustenta a flexura duodenojejunal.
Válvula íleo-cecalEstrutura interna no óstio ileal (≠ junção ileocecal, externa).
TêniasFaixas musculares longitudinais do cólon (livre, mesocólica, omental).
Válvulas de HoustonPregas transversais do reto que auxiliam a continência.
Processo uncinadoProjeção inferior da cabeça do pâncreas ("foicezinha").
Cápsula de GlissonCápsula fibrosa do fígado, profunda ao peritônio visceral.
Ducto colédocoHepático comum + cístico; aloja-se no sulco da cabeça do pâncreas.
Ampola de VaterAmpola hepatopancreática: confluência colédoco + ducto pancreático.
Papila duodenal maiorAbertura da ampola na 2ª porção (descendente) do duodeno.
Tronco celíacoRamo da aorta: gástrica esquerda, hepática comum e esplênica.
Arcada de DrummondArtéria marginal que une mesentérica superior e inferior (todas as cólicas).
Arcada de RiolanAnastomose central entre cólica média e cólica esquerda.
Triângulo de CalotReferência cirúrgica da colecistectomia.
Cabeça de medusaDilatação venosa periumbilical na hipertensão portal.
✓

Revisão relâmpago

Pontos-chave para a prova

1

Acima da linha arqueada as aponeuroses abraçam o reto por todos os lados; abaixo passam só por cima → ponto de fragilidade.

2

Diástase dos retos = separação dos retos; comum no pós-parto/cesárea, mas não exclusiva. Não encarcera.

3

Hesselbach = reto + ligamento inguinal + vasos epigástricos inferiores (foco maior que o de Petit).

4

Hérnia inguinal direta = medial aos epigástricos; indireta = lateral (canal).

5

Epigástrica superior ← torácica interna; inferior ← ilíaca externa; anastomosam na bainha do reto.

6

Úraco liga bexiga ao umbigo (prega umbilical mediana).

7

Cesárea ≈ 7 camadas: pele, subcutâneo, aponeurose, músculo, peritônio parietal, visceral, miométrio.

8

Omento maior pende como avental; menor liga curvatura menor ao fígado.

9

Retroperitoniais: rim, ureter (2/3 sup.), duodeno; mesocólon não é (é prega).

10

Estômago: cárdia, fundo, corpo, antro, piloro. Esfíncter do piloro = anel espesso na junção com o duodeno.

11

Treitz suspende a flexura duodenojejunal (músculo suspensor do duodeno).

12

Apêndice tem grande variação (não se cobra lado). Válvula ileocecal = estrutura interna.

13

Cólon: ceco → asc. → transverso → desc. → sigmoide → reto → canal anal. Tênias não visíveis nesta peça.

14

Esfíncter externo do ânus = anel ao redor; válvulas de Houston auxiliam a continência.

15

Pâncreas: cabeça, colo, corpo, cauda; uncinado é extensão da cabeça. No sulco da cabeça mora o colédoco.

16

Fígado: lobos D, E, caudado e quadrado; falciforme separa D/E; triangulares + coronário fixam ao diafragma; Glisson é fibrosa.

17

Vias biliares: cístico + hepático comum = colédoco; + pancreático = ampola → papila maior. Papila ≠ ampola.

18

Baço: faces (não margens lateral/medial); no hilo entra artéria e sai veia esplênica.

19

Rim: córtex/medula, pirâmides, papila, cálices → pelve → ureter. Pedículo: V-A-P; artéria tem parede mais grossa.

20

Veia testicular esquerda drena na renal esquerda → varicocele esquerda pode indicar problema renal.

21

Tronco celíaco = gástrica esquerda + hepática comum + esplênica.

22

Hepática comum → própria → D/E; da direita sai a cística (após a gastroduodenal).

23

Gástricas curtas ← esplênica → fonte de sangramento em trauma do fundo gástrico.

24

AMS → cólica direita, média, íleocólica (+ apendicular pela íleocólica), jejunais/ileais.

25

AMI → cólica esquerda, sigmóideas, retal superior; irriga 1/3 final do transverso + descendente.

26

Riolan = cólica média + esquerda; Drummond = todas as cólicas (une AMS↔AMI).

27

Calot = referência da colecistectomia (limite superior atualizado: lobo direito do fígado).

28

Veia porta ≠ cava inferior; porta ligada à cabeça de medusa (hipertensão portal).

29

Hipotensão supina: útero comprime a cava → vire em decúbito lateral esquerdo.

30

Nutcracker: AMS×aorta comprime renal esquerda. May-Thurner: ilíaca comum direita comprime ilíaca comum esquerda (L5).

↑