Código de cores por sistema
Fáscias e revestimentos
O pescoço é envolvido por duas fáscias principais — uma superficial e uma profunda — que organizam tudo o que será estudado, sobretudo a vascularização.
Platisma + tecido subcutâneo
- Músculo platisma: fino, circunda o pescoço e mantém as estruturas "juntinhas".
- Acompanhado de tecido celular subcutâneo.
- Nas peças usadas, essa camada já estava removida.
Na nota: "Face" superficial/profunda; lâminas "vertebral" e "pós-vertebral".
Correto: o termo é Fáscia (cervical superficial e profunda), não "Face".
Correto: a fáscia cervical profunda tem 3 lâminas — superficial (revestimento), pré-traqueal e pré-vertebral — além de formar a bainha carotídea.
A camada superficial não tem só platisma: abriga também gordura, vasos linfáticos, nervos cutâneos cervicais e vasos superficiais importantes — como a veia jugular externa e a veia jugular anterior.
Bainha carotídea
Reúne o feixe vasculonervoso cervical. Seu conteúdo é a base de quase toda a aula.
- Nervo vago
- Carótida comum — e, após a bifurcação, apenas a carótida interna
- Veia jugular interna
Na bainha anda a VAN.
Veia jugular interna · Artéria carótida · Nervo vago. Toda a tríade neurovascular do pescoço viaja junta nesse "túnel" fascial.
A carótida externa sai da bainha logo após a origem (para irrigar pescoço e face) — dentro da bainha sobe a interna.
A veia é a jugular interna; a externa é superficial e corre por fora do esternocleidomastóideo.
Osso hioide & divisão
Osso hioide
"O único osso flutuante do corpo." Situa-se logo acima da cartilagem tireóidea e é o divisor da musculatura.
Os supra-hióideos têm inserções predominantemente na mandíbula. Cada grupo tem 4 músculos.
Na nota: "cada grupo tem 4 músculos".
Correto: são 4 PARES (músculos bilaterais) em cada grupo.
Músculos supra-hióideos
Identificados na peça em sequência de rebatimento — do superficial para o profundo.
Digástrico
O principal e mais fácil de ver. Dois ventres (anterior e posterior), unidos por tendão intermediário fixo na incisura mastóidea do temporal.
Estilo-hióideo
Logo acima do ventre posterior do digástrico. Muito difícil de visualizar nas peças.
Milo-hióideo
Logo abaixo do digástrico; aparece ao rebater o ventre anterior. Forma o diafragma oral (fibras na face interna da mandíbula).
Gênio-hióideo
O mais profundo, "lá no fundo". Vai do tubérculo mentoniano ao hioide; une-se ao do outro lado na linha média.
"Dê Estilo ao Meu Gênio"
Digástrico · Estilo-hióideo · Milo-hióideo · Gênio-hióideo — na ordem do superficial ao profundo.
Músculos infra-hióideos
"Horríveis de ver nas peças." Organizam-se em plano superficial e plano profundo (este revelado ao rebater os dois superficiais).
Esterno-hióideo
O mais bonito/visível. Liga o esterno ao hioide.
Omo-hióideo
O maior do grupo. Prefixo "omo" = omoplata (escápula). Vem na diagonal, com dois ventres unidos por porção fibrosa aderida à fáscia cervical.
Na nota: o omo-hióideo "insere-se na clavícula".
Correto: ele une o osso hioide → escápula (omoplata), e não à clavícula.
Por cruzar o pescoço, é referência cirúrgica para esvaziamentos cervicais.
Esterno-tireóideo
Vai do esterno → cartilagem tireóidea.
Tíreo-hióideo
Vai da cartilagem tireóidea → hioide; fica posterior/superior ao esterno-tireóideo, muito próximo dele. Pequeno e mal dissecado nas peças.
O tíreo-hióideo é inervado diretamente pelo nervo hipoglosso — exceção dentro do grupo infra-hióideo.
"Esses Operários Escondem o Trabalho"
Superficiais: Esterno-hióideo · Omo-hióideo. Profundos (escondidos): Esterno-tireóideo · Tíreo-hióideo.
Resumo dos 8 hióideos
Digástrico
SUPRA · dois ventres · principal e mais fácil de ver.
Estilo-hióideo
SUPRA · acima do ventre post. do digástrico · muito difícil.
Milo-hióideo
SUPRA · abaixo do digástrico · visível ao rebater.
Gênio-hióideo
SUPRA · o mais profundo · "lá no fundo".
Esterno-hióideo
INFRA · esterno → hioide · o mais visível.
Omo-hióideo
INFRA · hioide → escápula · o maior, em diagonal.
Esterno-tireóideo
INFRA · esterno → cart. tireóidea · plano profundo.
Tíreo-hióideo
INFRA · cart. tireóidea → hioide · pequeno, mal dissecado.
Vascularização carotídea
O foco principal da aula. Do coração até os ramos que irrigam pescoço e face.
Como a artéria "sobe" do tórax
- Carótida comum esquerda: origina-se direto do arco da aorta.
- Carótida comum direita: origina-se do tronco braquiocefálico (que também dá a subclávia direita).
- Na peça usou-se o lado direito, mais bem dissecado.
Interna × externa
- Interna: "vai lá para dentro" (ruma ao crânio). Não dá ramos no pescoço — só reconhecer.
- Externa: fornece os ramos de interesse; na origem fica medial e anterior à interna.
Nível: a bifurcação ocorre em C4 (borda superior da cartilagem tireóidea).
Interna = Intra (entra e não emite) · Externa = Emite
A interna entra no crânio sem dar ramos cervicais; a externa emite todos os ramos do pescoço e face.
Arco anti-horário ao redor da orelha
- Tireóidea superiorPode surgir antes da bifurcação, mas é o 1º ramo
- Lingual
- Facial
- Maxilar
- Temporal superficial
- OccipitalFecha o arco em torno da orelha
"Três Lindas Foram Maquiar Toda a Orelha"
Tireóidea sup. · Lingual · Facial · Maxilar · Temporal superficial · Occipital — e "Orelha" lembra que o arco contorna a orelha.
Ordem da peça: occipital aparece como "último" no arco.
Anatomicamente: os ramos terminais são maxilar e temporal superficial (bifurcam dentro da parótida); a occipital surge antes, na face posterior.
A carótida externa tem classicamente 8 ramos — faltam na lista a faríngea ascendente e a auricular posterior.
A artéria tireóidea inferior não vem da carótida externa: origina-se do tronco tireocervical, ramo da artéria subclávia.
Saber identificar a bifurcação (interna profunda/sem ramos × externa que emite) e a ordem dos ramos da carótida externa.
Seio carotídeo & barorreceptores
Na bifurcação há o bulbo/seio carotídeo, com barorreceptores (sensores de pressão).
É uma manobra vagal para reverter certas arritmias. Cuidado: pode causar síncope (desmaio) — jamais comprimir os dois lados nem "brincar" com a massagem em semiologia cardíaca.
Nervos do pescoço
Dentro da bainha carotídea
Identificado descendo "lá de cima" (vago direito). É o "N" da VAN.
Move as cordas vocais
Ramo do vago (o tronco do vago não bifurca — apenas emite o recorrente e segue para tórax/abdome). Inerva a mucosa das cordas e toda a musculatura intrínseca da laringe, exceto o cricotireóideo.
O esquerdo contorna inferiormente o arco da aorta (trajeto mais longo); o direito contorna a subclávia direita. "Recorrente" = desce com o vago e volta a subir à laringe.
Relação laríngeo recorrente × tireoide: lesão em cirurgia/tumor de tireoide (câncer, bócio, carcinoma) = rouquidão.
Só para não confundir
Diferença no tórax: o frênico passa anterior à raiz do pulmão; o vago, posterior a ela.
Trajeto perpendicular
Segue em direção à base/abaixo da língua, bem perpendicular. Visto no trígono submandibular/digástrico.
"Frênico na Frente, vago atrás"
No tórax: Frênico = anterior à raiz do pulmão · vaGo = posterior. E o recorrente sobe de volta à laringe.
Artérias lingual & facial
Nessa região também se identificam a artéria facial e a artéria lingual — ambas ramos da carótida externa (ver bloco 05). Na peça, a facial estava bem visível; a lingual, não tão evidente.
Triângulos cervicais & clínica
Palpação da tireoide
- Medialmente: linha média.
- Superiormente: margem superior do omo-hióideo.
- Ínfero-lateral: margem anterior do esternocleidomastóideo.
Na semiologia endócrina, palpa-se a tireoide partindo da referência do ECM e descendo "mais baixinho". Difícil, mas obrigatório saber.
Essa área (linha média + omo-hióideo + ECM) é formalmente o Trígono Muscular — subdivisão do triângulo cervical anterior.
O limite anterior puro é a linha mediana; a margem anterior do ECM é o limite ínfero-lateral.
Pesquisa de linfonodos
O maior triângulo da região. Importância: procura de linfonodos aumentados (ex.: suspeita de metástase). Subdividido pelo ventre inferior do omo-hióideo em trígono occipital (maior/superior) e supraclavicular/omoclavicular (menor/inferior).
Linfonodos mais fáceis de palpar
Técnica: pedir que o paciente estire levemente o pescoço e palpar deslizando, nas regiões submentual e submandibular.
Acesso venoso central
- Limites: as duas cabeças inferiores do ECM — esternal (medial) e clavicular (lateral); na base, a clavícula.
- Conteúdo de interesse: veia jugular interna.
✓ Lado DIREITO (preferido)
- Menor risco
- Cúpula pleural mais baixa
- Trajeto jugular interna D → braquiocefálica D mais retilíneo até a veia cava superior
✕ Lado ESQUERDO
- Cúpula pleural mais alta
- Risco de quilotórax (ducto torácico → ângulo venoso esquerdo)
- "Do lado esquerdo dá pneumotórax" — risco que se evita preferindo a direita
O pneumotórax é risco de punção profunda em ambos os lados; o risco específico do esquerdo é o quilotórax (ducto torácico).
Conteúdo é a jugular interna (a externa é superficial e cruza por cima do músculo).
Acesso central preferencial à direita; à esquerda há risco de pneumotórax e quilotórax.
Nódulo de Virchow
- Inferiormente: clavícula.
- Superiormente: ventre inferior do omo-hióideo.
- Anteriormente: margem posterior do esternocleidomastóideo.
Toda a drenagem linfática do abdome sobe pela cisterna do quilo → ducto torácico, que desemboca no ângulo venoso esquerdo (subclávia + jugular interna esquerdas). Por isso a metástase GI "aparece" à esquerda.
Nódulo de Virchow = supraclavicular esquerdo = sinal de metástase abdominal/gastrointestinal.
Cenários de prova · DIJC
Situações clínico-anatômicas de alta probabilidade. Leia o cenário, decida e confira a resposta.
Paciente fica rouco após tireoidectomia por bócio/carcinoma.
Qual estrutura foi lesada e por quê a voz mudou?
Nervo laríngeo recorrente (ramo do vago), que inerva a musculatura intrínseca da laringe (exceto o cricotireóideo). Lesão → paralisia de corda vocal → rouquidão.
Paciente com taquiarritmia; o médico realiza massagem do seio carotídeo.
Qual o mecanismo e o cuidado obrigatório?
Estímulo dos barorreceptores → resposta vagal → ↓ FC (manobra vagal). Cuidado: pode causar síncope; nunca comprimir os dois lados.
Indicação de acesso venoso central pela jugular interna.
Qual lado preferir e por quê?
Lado direito: cúpula pleural mais baixa e trajeto mais retilíneo até a cava. À esquerda há risco adicional de quilotórax (ducto torácico). Pneumotórax é risco dos dois lados.
Linfonodo supraclavicular esquerdo endurecido e aumentado.
Que sinal é esse e o que investigar?
Nódulo de Virchow → investigar neoplasia abdominal/gastrointestinal com metástase (drenagem via ducto torácico ao ângulo venoso esquerdo).
Na peça, um vaso "vai para dentro" sem dar ramos no pescoço; outro emite vários ramos.
Identifique cada um.
Quem entra sem ramos cervicais = carótida interna. Quem emite os ramos (tireóidea sup., lingual, facial, maxilar, temporal sup., occipital) = carótida externa.
É preciso distinguir o frênico do vago na cavidade torácica.
Qual a referência exata?
Relação com a raiz do pulmão: o frênico passa anterior a ela; o vago desce posterior.
Glossário relâmpago
- Platisma
- Músculo superficial e fino que circunda o pescoço.
- Bainha carotídea
- Lâmina fascial que envolve a carótida comum (e a interna acima), o nervo vago e a veia jugular interna.
- Osso hioide
- Único osso flutuante do corpo; divisor dos músculos supra/infra-hióideos.
- Supra-hióideos
- 4 pares acima do hioide: digástrico, estilo-, milo- e gênio-hióideo.
- Infra-hióideos
- 4 pares abaixo: esterno-hióideo, omo-hióideo, esterno-tireóideo, tíreo-hióideo.
- Omoplata
- Nome alternativo da escápula (origem do prefixo "omo").
- Tronco braquiocefálico
- Ramo do arco aórtico; origina a carótida comum direita (e a subclávia direita).
- Seio/bulbo carotídeo
- Dilatação na bifurcação carotídea com barorreceptores.
- Barorreceptores
- Sensores de pressão; sua estimulação gera resposta vagal (↓ FC).
- Manobra vagal
- Estímulo (ex.: massagem do seio carotídeo) usado para reverter arritmias.
- Laríngeo recorrente
- Ramo do vago; inerva a musculatura intrínseca da laringe (exceto cricotireóideo). Lesão → rouquidão.
- Nervo hipoglosso
- Trajeto perpendicular, abaixo da língua; inerva também o tíreo-hióideo.
- Triângulo de Sedillot
- Referência para acesso venoso central à veia jugular interna.
- Nódulo de Virchow
- Linfonodo supraclavicular esquerdo aumentado; sinal de metástase abdominal.
- Quilotórax
- Acúmulo de linfa na pleura (risco à esquerda, por lesão do ducto torácico).
17 pontos-chave para prova
- Bainha carotídea (VAN): nervo vago + carótida (comum → interna) + veia jugular interna. A externa sai logo da bainha.
- O osso hioide é o único osso flutuante e separa supra-hióideos (acima) de infra-hióideos (abaixo). São 4 pares cada.
- Supra-hióideos: digástrico (2 ventres) → estilo- → milo- → gênio-hióideo (ordem de profundidade ao rebater).
- Infra-hióideos: esterno-hióideo e omo-hióideo (superficiais) → esterno-tireóideo e tíreo-hióideo (profundos, ligados à tireoide).
- O omo-hióideo une hioide → escápula (omoplata), em diagonal — não à clavícula.
- Trajeto: coração → arco da aorta → tronco braquiocefálico (à direita) → carótida comum → interna + externa. A comum esquerda sai direto do arco.
- A carótida interna não dá ramos no pescoço; a externa dá os ramos de interesse. Bifurcação em C4.
- Ramos da externa (peça): tireóidea sup. → lingual → facial → maxilar → temporal sup. → occipital. (Terminais reais: maxilar + temporal sup.)
- A tireóidea inferior vem do tronco tireocervical (subclávia), não da carótida externa.
- Seio carotídeo: barorreceptores → massagem = manobra vagal p/ reverter arritmias (cuidado: síncope).
- Laríngeo recorrente (ramo do vago): lesão em cirurgia/tumor de tireoide → rouquidão.
- Frênico ≠ vago: no tórax, frênico anterior à raiz do pulmão; vago posterior.
- Hipoglosso: trajeto perpendicular, abaixo da língua, visto no trígono submandibular.
- Palpação da tireoide = Trígono Muscular: linha média + omo-hióideo + ECM.
- Trígono posterior, submentual e submandibular: pesquisa de linfonodos (metástases).
- Sedillot: acesso central à jugular interna; preferir a direita — à esquerda há quilotórax (ducto torácico); pneumotórax é risco bilateral.
- Trígono omoclavicular esquerdo: nódulo de Virchow → metástase abdominal/gastrointestinal.