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Disciplina · Doenças Hematológicas e Linfopoéticas

Hematopoese & funções das células sanguíneas

Um atlas noturno da medula ao sangue periférico: origem das linhagens, maturação, funções celulares, relações causais e armadilhas de prova.

Semestre 2026.2 Aula de 04/08/2026 Review revisado em 06/08/2026
2 ramos Mieloide e linfoide a partir da célula-tronco hematopoética.
120 dias Tempo aproximado de circulação da hemácia madura.
8–10 dias Vida média aproximada das plaquetas.
01

Como a disciplina foi organizada

As informações administrativas foram preservadas, mas vários trechos de horário e avaliação permaneceram inseguros na transcrição.

I

Série eritrocitária

Glóbulos vermelhos e assuntos relacionados às hemácias.

II

Coagulação

O termo havia sido transcrito como “formulação”; a revisão factual corrige o módulo para coagulação.

III

Onco-hematologia

Doenças onco-hematológicas trabalhadas principalmente por seminários.

Transcrição incerta

Horários e reposições

Foram citadas quinta e sexta-feira e os horários 3h30, 4h30 e 6h30, sem associação inteligível entre dia e horário.

Aulas de terça-feira poderão ser remanejadas. Se houver atraso, poderão ocorrer reposições na sexta-feira ou no sábado.

Seminários

  • Grupos de cinco estudantes.
  • Apenas dois integrantes falarão na apresentação.
  • Foram mencionados temas transfusionais, doenças mieloides e linfocíticas, doenças agudas, mieloma e princípios gerais.
  • A lista integral de temas não pôde ser reconstruída com segurança.
Não memorizar como data

Avaliações

A transcrição registrou sequências como 3, 1, 10, 11, 4, 10 e 5 e 10 e 6, sem contexto para atribuir datas ou valores.

Hemograma prático

Foi planejada uma aula adicional sobre hemograma normal e anormal, especialmente porque não haverá ambulatório específico no quinto período.

Integração diagnóstica: hemoglobina, hematócrito e índices devem ser complementados pelo frotis periférico, capaz de revelar esferócitos, esquistócitos, células em lágrima e inclusões.

Bibliografia da aula e revisão

Goldman e Williams foram citados como referências gerais. O review revisado também utiliza Williams e Harrison para corrigir termos e aprofundar mecanismos. A professora ressaltou que a hematologia se atualiza rapidamente e não depende de uma única obra.

02

Sangue, centrifugação e celularidade

Definição central

Hematopoese é o processo de formação e maturação das células do sangue. É um processo regulado que começa na célula-tronco hematopoética multipotente.

Plasma · superior Meio líquido que transporta proteínas, medicamentos, hormônios, vitaminas e outras substâncias.
Camada leucoplaquetária · intermediária Leucócitos e plaquetas; fina e pouco perceptível a olho nu.
Fração eritrocitária · inferior Hemácias compactadas, a população celular mais abundante.

Hematócrito

A centrifugação de alta velocidade do sangue total anticoagulado permite medir diretamente a proporção do volume ocupado pelas hemácias compactadas.

É uma medida fundamental na avaliação de anemias e policitemias.

Medula versus periferia

No sangue periférico circulam predominantemente células maduras. A medula óssea contém muitos estágios intermediários de diferenciação e maturação.

Onde ocorre a hematopoese?

Nascimento

Todos os ossos

A medula hematopoética ativa está distribuída amplamente pelo esqueleto.

A partir de 5–6 anos

Substituição por gordura

A medula ativa dos membros começa a ser progressivamente substituída por adipócitos.

Adulto

Esqueleto axial

Predomina em esterno, bacia, vértebras e outros ossos chatos ou irregulares, além das porções proximais do fêmur e do úmero.

Coleta medular

O mielograma pode ser obtido no esterno ou na bacia. A crista ilíaca é destacada na revisão como local preferencial e mais seguro para aspirado e biópsia.

Celularidade cai; gordura sobe

80% Exemplo didático apresentado para 20 anos.
50% Exemplo didático apresentado para 50 anos.
100 − idade Regra prática ilustrativa, não um valor histológico absoluto.
Leitura histológica mais precisa

A média descrita na revisão é de aproximadamente 58% entre 20–29 anos, com faixa ampla de 32% a 83,7%; 46,3% entre 50–59 anos; e 28,9% entre 70–79 anos. Em adultos, valores em torno de 35%–50% são usuais; acima de 65–70 anos, 20%–30% pode ser fisiológico.

Consequência diagnóstica

Uma medula menos celular em um idoso não deve ser automaticamente rotulada como anemia aplásica ou síndrome mielodisplásica hipocelular. A idade modifica o intervalo esperado.

03

Da célula-tronco às linhagens maduras

  1. Célula-tronco hematopoética
  2. Progenitor comprometido
  3. Unidade formadora de colônia
  4. Precursor reconhecível
  5. Célula madura funcional

Autorrenovação

A célula-tronco sustenta o próprio pool ao longo do tempo.

Diferenciação

Origina células maduras especializadas de todas as linhagens sanguíneas.

Transplante e homing

Após infusão intravenosa, a célula-tronco migra e se fixa no nicho medular. O processo envolve SDF-1 produzido pelo estroma, o receptor CXCR4 na célula-tronco e interações entre selectinas e integrinas.

Célula-tronco hematopoética multipotente

Progenitor mieloide

Ramo mieloide

Compartilha a origem, mas se divide em sublinhagens intermediárias.

Hemácias Plaquetas Neutrófilos Eosinófilos Basófilos Monócitos

Progenitor linfoide

Ramo linfoide

Origina as principais populações da resposta imune adaptativa e as células NK.

Linfócito B Linfócito T Célula NK
“Um eosinófilo tem mais parentesco ontogenético com uma plaqueta do que com um linfócito”: eosinófilo e plaqueta são mieloides; o linfócito é linfoide.

Subdivisão mieloide

MEP: progenitor megacariocítico-eritroide, regulado por GATA-1 e FOG-1 e estimulado pela trombopoetina na via megacariocítica.

GMP: progenitor granulocítico-monocítico; a diferenciação eosinofílica recebe estímulo importante da IL-5.

Origem da célula NK

Embora a aula tenha manifestado incerteza, a revisão estabelece origem no progenitor linfoide comum, passando por progenitor T/NK.

Participam da regulação IL-15, IL-7, Id2 e Ets-1.

Sinais que orientam a produção

SCF + FLT-3L Atuam em estágios multipotentes precoces.
EPO Estimula a linhagem eritroide.
TPO Regula a linhagem megacariocítica e as plaquetas.
G-CSF Estimula principalmente a produção granulocítica.
M-CSF Relaciona-se à produção monocítica.
GM-CSF Atua sobre granulócitos e monócitos.
04

Eritropoese e reticulócito

Dois insumos essenciais

Ferro ligado à transferrina fornece matéria-prima para o heme. A eritropoetina estimula a diferenciação eritroide.

Sem os elementos necessários, o precursor perde viabilidade e entra em morte celular.

Mudança citoplasmática

Os precursores acumulam RNA para sustentar a síntese de hemoglobina. À medida que a hemoglobina aumenta, o aspecto do citoplasma muda progressivamente.

  1. Proeritroblasto
  2. Eritroblasto basófilo
  3. Eritroblasto policromatofílico
  4. Eritroblasto ortocromático
  5. Reticulócito → hemácia
Importante para prova

O reticulócito é o estágio eritroide jovem encontrado fisiologicamente no sangue periférico. A produção de hemoglobina já é morfologicamente perceptível no eritroblasto policromatofílico; após a expulsão nuclear pelo ortocromático, surge o reticulócito.

Reticulócito

RNA, não DNA

Os restos visíveis são de RNA ribossômico residual, metabolizado autonomamente pela própria célula nas primeiras 24–36 horas.

Maturação periférica

1–2 dias

Tempo aproximado para o reticulócito tornar-se hemácia madura.

Hemácia madura

≈ 120 dias

É anucleada, obtém energia principalmente da glicose e circula até a senescência.

Correção causal

O acúmulo de hemoglobina não explica sozinho a sobrevida de 120 dias. A manutenção da membrana depende de ATP. Sem núcleo e organelas, a hemácia não consegue sintetizar novas proteínas nem reparar estruturas, o que limita sua vida útil.

A aula também observou que homens, em geral, apresentam maior número de hemácias por milímetro cúbico do que mulheres.

05

Hemoglobina, gases e metabolismo do ferro

Transporte gasoso

A hemoglobina entrega oxigênio aos tecidos e participa do transporte de dióxido de carbono e do tamponamento ácido-base.

Estrutura

A molécula é formada por cadeias polipeptídicas de globina associadas a grupos heme contendo ferro, permitindo ligação reversível de gases.

CO₂ + H₂O ⇄ H₂CO₃ A anidrase carbônica da hemácia acelera a conversão. Nos pulmões, a reação se desloca para liberar CO₂.
Efeito Bohr

Nos tecidos ativos, mais CO₂, maior temperatura e menor pH — com participação do 2,3-BPG — reduzem a afinidade da hemoglobina pelo O₂ e facilitam sua liberação. Nos alvéolos, a eliminação do CO₂ e o aumento do pH favorecem novamente a captação de oxigênio.

Hemoglobinas do adulto

HbA ≈ 97% α₂β₂, principal fração do adulto.
HbA₂ ≈ 2,5% α₂δ₂, fração minoritária.
HbF ≈ 0,5% α₂γ₂, pequena fração residual.
Estrutura importa

Mutações ou desequilíbrios na síntese das cadeias podem modificar a afinidade pelo oxigênio e a estrutura celular, relacionando-se a hemoglobinopatias e talassemias.

Ciclo da hemácia senescente

1 · Reconhecimento Após cerca de 120 dias, macrófagos retiram hemácias senescentes, principalmente no baço, mas também no fígado e na medula.
2 · Globina É degradada em aminoácidos, que retornam ao pool corporal.
3 · Ferro Sai do macrófago, liga-se à transferrina e volta à medula para nova síntese de hemoglobina.
4 · Heme Converte-se em biliverdina e depois em bilirrubina indireta.
5 · Fígado e excreção A UGT1A1 conjuga a bilirrubina, formando bilirrubina direta, eliminada na bile rumo ao intestino.

Economia do ferro

A aula atribuiu cerca de 90% do ferro utilizado à reciclagem de hemácias senescentes.

A revisão quantifica aproximadamente 20 mg/dia reutilizados para eritropoese, contra cerca de 1–1,4 mg/dia provenientes da dieta.

Destino intestinal

No intestino, a bilirrubina é reduzida a urobilinogênio. A maior parte termina nas fezes como estercobilina; uma fração é reabsorvida e eliminada na urina.

Na hemólise intravascular grave, podem ocorrer hemoglobinúria e hemossiderinúria.

Ferro Reciclagem muito eficiente pelos macrófagos.
Vitamina B12 Não é reciclada intracelularmente como o ferro, mas é conservada por eficiente circulação entero-hepática e reabsorção no íleo.
Folato É consumido como coenzima, catabolizado e excretado; sua deficiência pode surgir mais rapidamente sob estresse eritroide.

Dois raciocínios que caem em prova

IPR

Resposta medular à anemia

1ª correção: reticulócitos (%) × hematócrito do paciente ÷ hematócrito normal.

2ª correção: dividir pelo fator de maturação, frequentemente 2, quando há liberação precoce.

IPR < 2: resposta inadequada. IPR ≥ 2,5: sugere hemólise ou hemorragia ativa.

Inflamação

Hepcidina aprisiona o ferro

Inflamação → IL-6 → aumento da hepcidina hepática → ligação à ferroportina → degradação do canal.

O ferro fica retido em macrófagos e hepatócitos, reduzindo sua disponibilidade para a medula e contribuindo para anemia da inflamação.

06

Leucócitos: morfologia não é origem

Classificação morfológica

Mononucleares

Linfócitos Monócitos

Classificação morfológica

Polimorfonucleares

Neutrófilos Eosinófilos Basófilos
Pegadinha ontogenética

A divisão acima descreve o formato do núcleo, não a linhagem de origem. Monócitos e neutrófilos são mieloides; linfócitos são linfoides.

Bastões

O neutrófilo em bastão é uma forma intermediária que pode circular fisiologicamente. A correção do review estabelece que bastões podem corresponder a até cerca de 5% dos leucócitos totais, e não necessariamente 5% dos neutrófilos.

Neutrófilos

≈ 70% Foram apresentados como os leucócitos mais abundantes.
3–4 Segmentos nucleares frequentes na célula madura.
≈ 6 h Meia-vida circulante indicada na revisão; a aula estimou cerca de 7 horas.

Produção

G-CSF e GM-CSF estimulam a granulopoese. Após quimioterapia, podem ser usados clinicamente para acelerar a recuperação dos neutrófilos segmentados.

Reserva estratégica

Cerca de 90% do pool corporal reside na medula, apenas 2%–3% circula e o restante está nos tecidos.

A reserva medular é aproximadamente 30–45 vezes maior que o compartimento circulante.

Importante para prova

Uma contagem pode passar de 5.000 pela manhã para 25.000 à tarde sem representar necessariamente erro. Pools preexistentes podem ser mobilizados rapidamente, como em inflamação intensa, pancreatite ou acidente ofídico.

Desmarginação · minutos

Adrenalina e estresse físico liberam células aderidas ao endotélio pulmonar e esplênico, podendo duplicar rapidamente a contagem.

Reserva medular · horas

Cortisol, endotoxinas e citocinas inflamatórias liberam neutrófilos já produzidos. A mudança rápida não exige produção celular imediata.

“É o soldadão raso”: o neutrófilo integra a resposta inata, imediata e inespecífica e não produz memória imunológica.
Sem memória

Resposta inata

A reinfecção desencadeia nova resposta semelhante. Neutrófilos associam-se classicamente às bactérias, embora também participem da inflamação antiviral e possuam defensinas com atividade contra certos vírus envelopados.

Memória linfocitária

A vacinação foi apresentada como forma de gerar memória. Isso não significa proteção absoluta, mas pode reduzir o risco de doença grave. Foram citadas vacinas virais, hepatites A e B e BCG.

Fagocitose e morte microbiana

Extravasamento O neutrófilo atravessa o endotélio e alcança o tecido inflamado.
Ingestão Engloba o microrganismo e forma o fagossomo.
Grânulos Grânulos primários fornecem mieloperoxidase, defensinas e elastase; grânulos secundários contêm lactoferrina e componentes da NADPH oxidase.
Explosão respiratória NADPH oxidase gera espécies reativas; H₂O₂ permite que a mieloperoxidase produza ácido hipocloroso bactericida.
Apoptose Após atuar, o neutrófilo morre e é removido por macrófagos.
Doença granulomatosa crônica

Defeitos na NADPH oxidase comprometem a via oxidativa e favorecem infecções graves recorrentes por microrganismos catalase-positivos, como S. aureus e Aspergillus.

A aula observou que bactérias adquiridas na comunidade tenderiam a ser mais facilmente controladas, enquanto o ambiente hospitalar pode favorecer microrganismos mais difíceis de conter.

Bloqueio de diferenciação

Um precursor bloqueado pode acumular-se sem cumprir sua função e ocupar a medula, prejudicando as demais linhagens. Esse mecanismo fundamenta as leucemias agudas.

LMA

Leucemia Mieloide Aguda: blastos de origem mieloide, frequentemente associados a marcadores CD13, CD33 e CD117. A classificação FAB inclui variantes M0–M7, além da forma basofílica aguda citada na revisão.

LLA

Leucemia Linfoblástica Aguda: transformação clonal de precursores B ou T, definida por estágio imunofenotípico e alterações genéticas.

Eosinófilos, basófilos e monócitos

Eosinófilos · 4%–5%

Núcleo bilobulado

Granulações alaranjadas e diferenciação fortemente estimulada por IL-5.

  • Asma e dermatite atópica.
  • Estrongoiloidíase e toxocaríase.
  • Reações a medicamentos.
  • Tumores e síndromes eosinofílicas.

Nem toda parasitose produz a mesma eosinofilia; o contexto clínico é indispensável.

Basófilos · ≈ 1%, até 2%

Hipersensibilidade tipo I

As granulações preto-arroxeadas contêm histamina, heparina e fatores quimiotáticos. Também são produzidos mediadores como prostaglandina D₂ e leucotrienos.

Participam de alergias rápidas e choque anafilático. Basofilia absoluta alerta para neoplasia mieloide clonal, especialmente LMC.

Monócitos · 4%–10%

Fagócitos mononucleares

São as maiores células circulantes, com núcleo não segmentado. Originam macrófagos, fagocitam e apresentam antígenos aos linfócitos.

Materiais não metabolizáveis podem permanecer em agregados macrofágicos e granulomas; o pigmento de tatuagem foi usado como exemplo.

Conteúdo dos grânulos eosinofílicos

Proteína básica principal, proteína catiônica eosinofílica, neurotoxina derivada de eosinófilos, peroxidase eosinofílica e proteína dos cristais de Charcot-Leyden. ECP e EDN são ribonucleases com atividade descrita contra o vírus sincicial respiratório.

07

Linfócitos B, T e células NK

Apresentação antigênica

Macrófagos processam materiais fagocitados e apresentam antígenos, favorecendo a ativação linfocitária. O reconhecimento correto do alvo é decisivo para a potência da resposta.

Linfócito B

Medula óssea

Imunidade humoral. Após ativação, pode originar plasmócito secretor de anticorpos ou célula B de memória.

Linfócito T

Timo

Contato célula a célula, liberação de citocinas e ação citotóxica.

Célula NK

Linhagem linfoide

Fenótipo clássico: CD3−, CD56+, CD16+.

Aplicação onco-hematológica

A revisão descreve a manipulação genética de linfócitos T autólogos para adquirir receptores capazes de reconhecer antígenos tumorais, além da expansão de células específicas e da ativação policlonal ex vivo.

Maturação e destinos do linfócito B

Rearranjo da cadeia pesada Ocorre rearranjo VDJ; a falha em produzir a cadeia funcional leva à apoptose.
Rearranjo da cadeia leve Ocorre rearranjo VJ. A exclusão alélica contribui para a especificidade única de cada clone.
Reconhecimento do antígeno O clone é ativado e prolifera.
Plasmócito Torna-se a célula efetora que produz e secreta imunoglobulinas.
Célula B de memória Persiste para responder mais rapidamente a uma exposição futura.
Importante para prova

O linfócito B monta imunoglobulina de membrana, mas a secreção de anticorpos é função do plasmócito. O outro destino central é a célula B de memória.

Tempo não recuperado

Os números 14 e 10 foram registrados durante a explicação sobre reconhecimento, expansão e produção de anticorpos, mas a ordem e a unidade não ficaram seguras.

Classes corretas

IgG IgM IgA IgD IgE

As formas transcritas como “IgF” e “IgB” foram corrigidas para IgD e IgE.

Policlonal versus monoclonal

Na resposta normal, vários clones produzem imunoglobulinas diversas. Após ativação, pode ocorrer troca de classe da cadeia pesada.

No mieloma múltiplo, a expansão de um único clone gera grande quantidade de imunoglobulina homogênea, o componente M.

Imunofenotipagem

Linfócitos B e T não podem ser separados com segurança apenas pela morfologia. A identificação depende da expressão de proteínas de superfície.

CD2 · CD3 Linhagem T.
CD19 · CD20 · CD79a Linhagem B.
CD4 · CD8 Subpopulações de linfócitos T.
CD56 · CD16 Associados às células NK, com ausência de CD3.
CD38 · PCA-1 Expressão destacada na diferenciação plasmocitária terminal.
CD5 + B Coexpressão útil em LLC e linfoma de células do manto.

Ontogenia B dos marcadores

CD19 surge precocemente na fase pró-B e é perdido na transição terminal para plasmócito. CD20 aparece em fases intermediárias e também desaparece nos plasmócitos. CD79a está presente desde fases muito imaturas e auxilia no reconhecimento de LLA precursora B.

CD5 não é absoluto

Embora seja marcador clássico de células T, CD5 também ocorre em subpopulações B normais e pode ser coexpresso patologicamente em neoplasias B maduras.

Funções dos linfócitos T

Principais contextos

  • Infecções, especialmente virais.
  • Rejeição de transplantes.
  • Reconhecimento e destruição de células tumorais.
  • Coordenação por contato e citocinas.

Transplantes

Linfócitos T reconhecem moléculas HLA incompatíveis do doador. Mesmo com compatibilidade HLA, peptídeos de proteínas polimórficas podem funcionar como antígenos menores, justificando imunossupressão contínua.

Reação ABO

Se um paciente O recebe hemácias A, anticorpos pré-formados reconhecem as hemácias, ativam complemento e podem causar hemólise intravascular ou remoção extravascular por macrófagos. Não há destruição citotóxica direta pelas células T nesse mecanismo.

Visão integrada

Nenhuma linhagem trabalha totalmente isolada. Respostas predominantemente neutrofílicas ou linfocitárias recebem contribuição coordenada de outras células.

08

Plaquetas, fígado e baço

4–5 dias Tempo de maturação estimado.
8–10 dias Vida média aproximada.
150–450 mil Intervalo de referência apresentado para a contagem.

Origem

Plaquetas são fragmentos celulares da linhagem mieloide, produzidos a partir dos megacariócitos.

A estimativa de “30 a 50 mil por dia” foi registrada sem denominador claro e não deve ser memorizada como uma taxa válida.

Trombopoetina

A TPO é produzida no fígado e atua pelo receptor Mpl, presente em megacariócitos e plaquetas. É o principal sinal fisiológico da megacariocitopoese e também participa da manutenção das células-tronco.

Integração fígado–baço–plaqueta

Hepatopatia crônica pode associar-se a redução plaquetária, embora isso não ocorra em todos os pacientes. Aproximadamente um terço — cerca de 33% das plaquetas reside no baço. A esplenomegalia aumenta a retenção e pode reduzir a contagem periférica.

Hemostasia primária Interação entre o vaso lesado e as plaquetas.
Hemostasia secundária Fatores da coagulação e formação do componente fibrinoso do coágulo.

Trombocitopenia

Pode decorrer de produção reduzida ou destruição aumentada, sendo a destruição periférica um mecanismo frequente.

Contagens muito baixas aumentam a tendência a sangramento, mas não determinam obrigatoriamente que ele ocorrerá.

Trombocitose

Contagens elevadas tendem a associar-se à trombose, mas a contagem isolada não determina o evento clínico.

Paradoxo de prova

Na trombocitose extrema, acima de aproximadamente 1,0–1,5 milhão/µL, o risco de sangramento pode aumentar por doença de von Willebrand adquirida: a grande massa plaquetária adsorve e degrada multímeros de alto peso molecular do fator de von Willebrand. Em neoplasias mieloproliferativas, a leucocitose pode correlacionar-se mais fortemente com trombose do que a própria contagem plaquetária.

09

Pegadinhas que mudam a resposta

Reticulócito

RNA residual, não DNA

O material remanescente é metabolizado pela própria célula em 24–36 horas.

Bastões

Até 5% dos leucócitos totais

Não interpretar o valor corrigido como 5% exclusivamente dos neutrófilos.

Reserva neutrofílica

30–45 vezes a circulação

A estimativa revisada substitui os 10–15 vezes apresentados inicialmente.

Baço

≈ 33% das plaquetas

Aproximadamente um terço, e não apenas 20%–30%.

ABO

Anticorpo + complemento

A incompatibilidade ABO não é uma hemólise citotóxica direta por células T.

Linfócito B

Plasmócito secreta anticorpo

O segundo destino principal é a célula B de memória.

Morfologia

Não confundir com ontogenia

Mononuclear ou polimorfonuclear descreve o núcleo; mieloide ou linfoide descreve a origem.

Trombocitose extrema

Pode sangrar

O mecanismo é a doença de von Willebrand adquirida.

Celularidade

A idade redefine o normal

Medula com 20%–30% de celularidade pode ser fisiológica após 65–70 anos.

Hemácia

ATP preserva a membrana

A hemoglobina não é, isoladamente, a causa da sobrevida de 120 dias.

10

Do dado à justificativa

Anemia com reticulócitos aparentemente altos

Dado
Percentual bruto de reticulócitos em paciente com hematócrito reduzido.

Interpretação
O valor bruto superestima a resposta porque o denominador eritrocitário está baixo.

Justificativa
Calcular o IPR com correção pelo hematócrito e pelo tempo de maturação.

Conclusão
IPR < 2 indica resposta inadequada; IPR ≥ 2,5 favorece hemólise ou hemorragia ativa.

Neutrófilos de 5.000 para 25.000 no mesmo dia

Dado
Variação abrupta durante estresse inflamatório.

Interpretação
Não implica necessariamente erro laboratorial.

Justificativa
Desmarginação em minutos e mobilização da grande reserva medular em horas.

Conclusão
A mudança usa pools preexistentes; não exige produzir todas as células naquele intervalo.

Idoso com medula de baixa celularidade

Dado
Celularidade de aproximadamente 20%–30% após 65–70 anos.

Interpretação
Pode representar envelhecimento fisiológico.

Justificativa
A medula hematopoética é progressivamente substituída por gordura.

Conclusão
Não diagnosticar falência medular apenas pelo percentual, sem considerar idade e contexto.

Paciente O recebe hemácias A

Dado
Incompatibilidade ABO.

Interpretação
Isoaglutininas pré-formadas reconhecem as hemácias transfundidas.

Justificativa
Ativação do complemento causa hemólise intravascular ou remoção por macrófagos.

Conclusão
Não atribuir o mecanismo à citotoxicidade direta de linfócitos T.

Inflamação, ferro sérico baixo e estoques presentes

Dado
Ferro indisponível apesar de armazenamento corporal.

Interpretação
O ferro está retido dentro de macrófagos e hepatócitos.

Justificativa
IL-6 aumenta hepcidina, que degrada ferroportina.

Conclusão
Menor oferta à medula contribui para anemia da inflamação.

Hepatopatia, esplenomegalia e plaquetas baixas

Dado
Doença hepática associada a baço aumentado.

Interpretação
Pode haver menor estímulo por TPO e maior retenção esplênica.

Justificativa
A TPO é hepática e cerca de um terço das plaquetas já reside normalmente no baço.

Conclusão
A associação é plausível, mas não obrigatória em toda hepatopatia.

Linfócitos morfologicamente semelhantes

Dado
Não é possível separar B e T com segurança pela aparência.

Interpretação
A morfologia é insuficiente.

Justificativa
É necessário avaliar os marcadores de superfície.

Conclusão
CD19/CD20/CD79a favorecem B; CD2/CD3 favorecem T; CD56/CD16 com CD3− favorecem NK.

Trombocitose extrema com sangramento

Dado
Mais de 1,0–1,5 milhão de plaquetas/µL e manifestação hemorrágica.

Interpretação
Não é contraditório.

Justificativa
Perda de multímeros de alto peso molecular do fator de von Willebrand.

Conclusão
Considerar doença de von Willebrand adquirida.

Blastos ocupando a medula e citopenias

Dado
Acúmulo de células imaturas não funcionais.

Interpretação
Há bloqueio de diferenciação.

Justificativa
Os precursores clonais ocupam o espaço e prejudicam outras linhagens.

Conclusão
Raciocínio compatível com leucemia aguda; definir origem mieloide ou linfoide por imunofenotipagem.

11

Glossário de bolso

Hematopoese
Formação e maturação das células sanguíneas.
Celularidade medular
Proporção da medula ocupada por células hematopoéticas em relação à gordura.
Reticulócito
Estágio eritroide jovem liberado antes da hemácia plenamente madura.
Senescência
Envelhecimento celular que antecede a retirada da hemácia da circulação.
Imunofenotipagem
Identificação de populações celulares pela expressão de proteínas como os marcadores CD.
Reserva medular
Pool de células maduras ou quase maduras que pode ser rapidamente liberado.
Hemostasia primária
Resposta inicial ao dano vascular, centrada na interação entre vaso e plaquetas.
12

Ficha de véspera da prova

  1. Hematopoese adulta ocorre principalmente na medula do esqueleto axial.
  2. Com o envelhecimento, a celularidade cai e a gordura medular aumenta.
  3. A célula-tronco hematopoética combina autorrenovação e diferenciação.
  4. Linhagem mieloide: hemácias, plaquetas, neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos.
  5. Linhagem linfoide: linfócitos B, linfócitos T e células NK.
  6. Mononuclear versus polimorfonuclear é classificação morfológica, não ontogenética.
  7. Reticulócito é a célula eritroide jovem fisiológica do sangue periférico e contém RNA residual.
  8. O reticulócito amadurece em 1–2 dias; a hemácia circula por cerca de 120 dias.
  9. Hemoglobina transporta O₂, participa do manejo do CO₂ e do equilíbrio ácido-base.
  10. A maior parte do ferro usado diariamente vem da reciclagem macrofágica e retorna à medula pela transferrina.
  11. IPR < 2 indica resposta medular inadequada; IPR ≥ 2,5 favorece hemólise ou hemorragia ativa.
  12. Hepcidina elevada degrada ferroportina e reduz a disponibilidade do ferro na inflamação.
  13. Bastões podem corresponder a até cerca de 5% dos leucócitos totais.
  14. Neutrófilos são inatos, imediatos, inespecíficos e não formam memória.
  15. A reserva medular neutrofílica é aproximadamente 30–45 vezes o compartimento circulante.
  16. Eosinófilos relacionam-se sobretudo a alergias, determinadas parasitoses e reações medicamentosas.
  17. Basófilos participam da hipersensibilidade imediata por mediadores como histamina.
  18. Monócitos e macrófagos fazem fagocitose e apresentação antigênica.
  19. Linfócitos B ativados originam plasmócitos secretores ou células B de memória.
  20. B e T não são separados com segurança apenas pela morfologia.
  21. CD19/CD20/CD79a indicam B; CD2/CD3 indicam T; CD4/CD8 são subpopulações T; CD56/CD16 com CD3− indicam NK.
  22. A reação ABO é mediada por anticorpos e complemento, não por citotoxicidade T direta.
  23. Plaquetas derivam de megacariócitos, vivem cerca de 8–10 dias e atuam na hemostasia primária.
  24. TPO é produzida no fígado, atua pelo receptor Mpl e estimula a linhagem megacariocítica.
  25. Cerca de um terço das plaquetas reside no baço; trombocitose extrema pode causar sangramento por von Willebrand adquirido.